Muito bem-vinda Mário de Andrade: Welcome back in digital times

Tenho um conhecido, pessoa mais de posses do que de estudo, que costuma bradar que o Brasil está perdendo a chance de se integrar no mundo contemporâneo ao incentivar bibliotecas. Na errada e torta visão dele, já deveríamos passar tudo para o computador, construir prédios e colocar lá livros é jogar dinheiro fora.
Claro que quando fala isso, além de discordar, só mesmo para marcar posição, não dá para discutir com uma posição dessas, também procuro me esconder, não pega bem para um editor ser visto em tal companhia…
Mesmo os lugares mais digitais ainda acreditam em bibliotecas, que terão sim que se reinventar, mudar seu modos operandi, mas por muito tempo ainda terão livros e serão um ambiente de consulta, pesquisa e culto ao conhecimento.
A Mário de Andrade, principal biblioteca pública de São Paulo, é reaberta hoje para visitação e, principalmente, utilização da população, depois de um período complicado, não ainda totalmente refeita. Já é um grande avanço. Que esse ato sirva de estímulo para outras “otoridades” reformarem e reequiparem seus espaços, construindo muitos outros, aproveitando da criatividade de arquitetos para sinalizar para o público em geral que a leitura é algo que merece ser destacado.
Ah, pelo que li, abre com best-sellers, sim, que seja democrática e utilizada. Que tenha prateleiras e mais prateleiras que sirvam para a história e um público pequeno, se tiver os dois, com certeza esse público pequeno não só não vai sumir, como irá aumentar. Porque se o homem é ambicioso economicamente, o é também intelectualmente, só que nesse quesito, mais trabalho é necessário e aí, não é necessária a justiça, não há espaço para falcatruas e sacanagens, tem que pagar o preço: páginas e páginas (não importa se em papel ou digital).
