O esporte não era para se torcer? Mais um papelão na Fórmula 1
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Há tempos não acordo cedo num domingo para assistir a uma corrida de Fórmula 1. Há muitos anos, acho que no fundo o que eu gostava era de ter uma dose extra de estima ao ouvir a música do Senna e ver a bandeira brasileira subir acima de outras, em tempos onde nossa posição era muito inferior.
Ontem tampouco assisti a um grande prêmio que nem sei onde foi, mas recebia um amigo admirador do esporte (ou será negócio?), que pediu licença e foi ver o final. Desceu decepcionado, cabisbaixo e “protestante” contra a palhaçada da Ferrari. Jogo de equipe? Só porque era brasileiro? Creio que não. Fazer o que foi feito ontem, coisa que me parece comum na Fórmula 1, é deixar vários expectadores descrentes das regras de competição (punição: 100 mil euros. Subtexto, pode aprontar que no máximo virá uma penalidade bem pagável, simbólica, apenas para dizermos que temos autoridade e não se pode fazer o que se quer). Esse é um dos esportes mais influenciáveis pelo enorme poder econômico, e ainda assim há os chefes de equipe, sempre das poderosas, definindo qual de seus pilotos cruza na frente. Dá para torcer? Dá para colocar emoção em algo assim?
A comprovação que não, foi a declaração do beneficiado, o espanhol Fernando Alonso: “Sempre tentamos fazer um bom espetáculo, mas trabalhamos para empresas”. É por isso que eu prefiro ou dormir, ou correr (com meu par de tênis) ou conversar com amigos, algo menos empresarial do que o negócio da Fórmula 1. Pior é que para os torcedores brasileiros, que um dia se acostumaram a ganhar, as perspectivas não são das melhores. É o segundo piloto de ponta do país que se encontra nessa situação, e isso, não colabora em nada para formar neles uma imagem de campeão, muito pelo contrário, deve dar uma vergonha grande descer do carro, por mais que a conta bancária fique cheia no final do mês.
