Deus deve ser brasileiro, cremos mais que Tolstói?

O barbudo acima escrevia muito. Não sou especialista nele, li Padre Sérgio e um outro livro, não me recordo agora, estou quase no meio da leitura de Ressurreição, que estou gostando muito, e me chamou a atenção a matéria do Valor Eu&Fim de Semana de Alberto Carlos Almeida.
Tolstói teve questões sérias e profundas com a Igreja Ortodoxa. No final do século XIX questionava alguns rituais da Igreja ao descrever no livro sobre um sacerdote: “Ele não acreditava que o pão se transformaria no corpo, nem acreditava que proferir uma porção de palavras trazia algum proveito à alma, nem que comia de fato um pedacinho de Deus - nisso, era impossível acreditar -, mas acreditava que era preciso acreditar naquela crença. O que mais reforçava nele tal crença era o fato de que, ao cumprir suas exigências daquela crença, o sacerdote, desde os dezoito anos, já ganhava rendimentos com que sustentava sua família, um filho no liceu, uma filha na escola religiosa.”
Enquanto isso no Brasil, em 2010, pesquisa pelo Instituto Análise revela que:
82% dos brasileiros acreditam que Maria concebeu Jesus virgem, 12% não acreditam e 6% não responderam;
93% acreditam que no momento da comunhão a hóstia se transforma no corpo de Cristo e o vinho em seu sangue, 4% não crêem e 3% não responderam.
Me parece que Tolstói foi e é pouco lido neste país…


