8 de Agosto de 2010

Mesa 13: Gullar salvou a minha Flip!

gullar-na-flip.jpg

Esse senhor aí acima salvou a minha Flip, se mais nada tivesse acontecida, ouvir Ferreira Gullar já valeu. Falou de poesia, da sua poesia, falou de arte, falou de um pouco da cultura do Brasil.

Para ele a arte existe porque a vida não basta. Qualquer um deveria prestar muita atenção nesta frase. É uma das definições mais brilhantes que ouvi. Gullar vai voltar a publicar poesia neste ano, merecia um projeto gráfico a altura, ainda mais sendo o esteta que é, mas sua editora não costuma caprichar tanto, espero que me surpreenda. Gullar também disse que só escreve incomodado, que estar em estado de poesia é um momento mágico, mas incontrolável, nada sobrenatural, porém que precisa ativar seus sentidos.

Um pensador, alguém que participou ativamente e de dentro de movimentos artísticos e políticos da cena brasileira. Além do mais, alguém com carisma e história para encantar uma plateia que mais do que pedia um tanto de conteúdo e lirismo numa Flip mais vazia do que anos anteriores. Um pouco de Gullar (trecho de Poema sujo, marcado como esgotado na Cultura, é mole???):
  …
  Ah, minha cidade suja
de muita dor em voz baixa
  de vergonhas que a família abafa
  em suas gavetas mais fundas
  de vestidos desbotados
  de camisas mal cerzidas
  de tanta gente humilhada
  comendo pouco
mas ainda assim bordando de flores
  suas toalhas de mesa
  suas toalhas de centro…

Comentar