Devorador de livros
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A Folha de ontem trouxe matéria com o adolescente Luis Antonio Gonçalves Netto, 14 anos, morador de São José do Rio Preto e que não está em nenhuma das duas ilustrações acima, encontradas livremente na internet e infelizmente sem crédito, mas pode ser julgado como um legítimo devorador de livros.
Como castigo por uma nota baixa foi obrigado a ler 10 livros, mas o tiro do pai, saiu pela culatra (o mercado editorial deveria contratar cientistas para entender como de uma atitude negativa, brotou um ato positivo, mas você que é pai ou mãe e quer que o seu filho leia bastante, talvez não seja essa a melhor solução, o garoto aqui parece ser a exceção, não a regra), e ele se apaixonou pela leitura e descobriu uma capacidade pouco humana, ler 300 páginas em uma hora, isso mesmo. De dezembro até aqui, enquanto eu me orgulho de ter lido 20 livros, bem acima da média brasileira, o fedelho já leu 340 livros, sim, isso mesmo. O repórter fez um teste e ele citou a história e personagens.
Seria ótimo se topasse fazer um teste lendo livros e livros, aí poderíamos ter uma medição se a tal literatura, teoricamente inspiradora do movimento slow read do Peter Burke, faz mesmo com que a taxa de leitura diminua. Mesmo assim ele ainda não conseguiu escrever seu livro, diz ser mais rápido para ler do que escrever, todos somos, e quanto mais o senso crítico, maior a diferença.

Eu conheco pessoalmente este garoto - é meu neto. Moramos em cidades diferentes e isto torna quase obrigatório uma conversa telefonica diariamente sobre o que conseguiu ler durante o dia. Ele desenvolveu sozinho esta facilidade de leitura e quando eu escrevi contando o seu feito a vários orgãos de imprensa, a Folha topou conhece-lo e fez o um teste de leitura com um livro que o reporter trouxe contigo. Realmente impressiona.
Ele tem também uma boa redação. Tem muita coisa escrita, mas nunca foi pensado em nada neste aspecto, mas a idéia de escrever um livro esta cada dia mais viva, mas diante da limitação ainda da idade (14 ANOS) , tal tarefa ainda se revela um grande desafio.
Agora que o assunto veio a tona, quem sabe pessoas gabaritadas poderão ajuda-lo a desenvolver um talento que ele tem, mas que precisa ser lapidado.
Luis Antonio
Poxa, Parabéns. Acho de fato que ele precisa de um acompanhamento, não receber pressão excessiva, saber como utilizar essa capacidade que é “absurda”, no melhor dos sentidos. Acho que não deve se preocupar em escrever agora, escrever é algo que requer maturidade, vivência, é claro que pode produzir algo mais despretensioso, mas o fundamental é a família decidir como encarar o futuro dele, há o risco de ser tratado como um “ser diferente” e agora talvez o que ele mais precise seja socializar bastante. Tenho um filho de 13 anos, gostaria que ele lesse 2/10 do seu neto, o principal é vocês o ajudarem a seguir a trajetória legítima que quer, a leitura abre muitos horizontes, ele deve se aproveitar disso.
Boa sorte ao garoto, se ele souber como faz, quero aprender…
Obrigado pelas palavras, Marcelo. Este momento de fama, que é inevitável no momento, com a imprensa interessada em explorar a noticia, vai passar brevemente, mas certamente ficará o conhecimento das coisas novas aprendidas e a certeza que no futuro, a arvore plantada agora, renderá, quem sabe, otimos frutos.
A proposito, também quero descobrir o segredo.
Luis Antonio