A beleza das rugas
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Há uma bela reportagem com Ferreira Gullar hoje na Serafina. Texto de Humberto Werneck. Vale ler, quem não está em São Paulo, acho que a revista circula apenas por aqui, pode recorrer à internet ou então aos amigos, o belo ensaio do fotógrafo Murillo Meirelles não se encontra na versão da net e merece ser visto no formatão da revista.
Gullar faz 80 anos no próximo dia 10 de setembro, cada vez mais admiro sua postura, mesmo apelando para as frases de auto-ajuda: eu não quero ter razão, quer ser feliz.
A capa da Serafina é para mim um dos sinais da beleza vivência e da experiência, uma estética da vida. Cada ruga, cada veia, cada pedaço de pele flácida da mão de Gullar deixa claro que a vida, a dele teve momentos dos mais complexos, vale ser vivida e precisa ser aproveitada. Não perca!
Eis um poema do novo livro, Em alguma parte alguma:
Duplo
Foi-se formando
a meu lado
um outro
que é mais Gullar do que eu
que se apossou do que vi
do que fiz
do que era meu
e pelo país
flutua
livre da morte
e do morto
pelas ruas da cidade
vejo-o passar
com meu rosto
mas sem o peso
do corpo
que sou eu
culpado e pouco
