Arquivo: Outubro de 2010



Mostra um pouco do homem, mas não a pior parte…

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Semana passada fui ao cinema com meu filho que escolheu Wall Street II. Lembrava pouco do primeiro filme, a não ser de ter vindo com a onda yuppie e de ter o Michael Douglas, que o meu filho chama de velho e para mim, velho, é o Kirk Douglas…

O filme é fraco, um tanto cheio de clichês demais, mas reconheço que estou sendo injusto, o povo do mercado financeiro não é muito diferente do que lá está. Mas Oliver Stone anda muito amigo de Chavez, imagino ele sendo contratado para fazer um filme sobre o pré-sal, vai criar inúmeros efeitos especiais. Ainda prefiro uma história bem contada à efeitos especiais engenhosos e neste filme, eles não tinham nada a ver.

Que o ser humano é dirigido pelo dinheiro, não é necessário ir ao cinema para ver, mas acredito que Stone apelou e mostrou facilmente o quão pouco se muda, poderia explorar mais as questões humanas, ele mesmo parece que bebeu do mesmo mal de Wall Street, os muitos milhões de dólares a administrar na conta!

Finalmente fui a Bienal. O que achei?

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Havia lido bastante coisa, mas não tinha ainda visto. Ontem fui à Bienal. Vi a merda, mas não os urubus. Minha filha de 6 anos, já havia ido com a escola, estava doida para nos mostrar a obra de Henrique Oliveira, o que uma pessoa que lá encontrei chamou de casa de Daniel Boone, ou outro personagem da minha infância.

Acho que se deve ir, mas não gostei. Entre outras coisas porque a mídia vídeo não é das minhas preferidas, e, na minha visão por um erro dos curadores, há um excesso de vídeo.

Se tivesse que escolher algo, correndo o risco de cometer alguma injustiça, optaria por Rodrigo Andrade, fazendo experiências com a velha e boa pintura…

Uma reclamação de um Brasil que saiu menor

Nasci numa família onde os avós dos dois lados haviam sido políticos, não dos bem-sucedidos, prefeito e vereador de cidade do interior, um até exerceu certa influência regional. Tenho algumas parcas cenas na memória, seja de aos, 4, 5 anos subir nos palanques de um candidato que deveria ter dois símbolos: uma espiga de milho (que literalmente era jogada na casa dos adversários) e um revólver (supostamente demarcando toda a macheza do candidato). Antes de achar aqueles tempos absurdos, dispa a fantasia do politicamente correto e se questione se não ficar na palhaçada da estatização da Petrobrás ou na discussão do aborto não é muito pior.

O outro momento foi quando Ulysses Guimarães foi visitar Itapeva e foi recebido em casa, acredito que como uma homenagem ao passado do meu avô, naquele tempo já falecido.

Aos 15 anos por livre e espontânea vontade fui a um comitê do candidato Franco Montoro e comecei a fazer campanha. Na eleição seguinte virei petista e dentro da GV, para muitos um antro de direita, fiz campanha para a prefeitura pelo Eduardo Suplicy, contra Jânio e Mario Covas, fiz boca de urna, tudo isso depois de ter xingado a Rede Globo na campanha pelas diretas. Cansei um pouco do PT, alguns diriam que iniciei minha movimentação para a “direita” (ainda existe gente no mundo que, pela necessidade de pólos opostos, acredita em esquerda e direita), participei no teatro Zaccaro da fundação do PSDB, partido que apoiei por um longo período.

Tudo isso para dizer que fui um jovem politizado, alguém que estranharia as posturas que assumi na meia idade. Comecei pela eleição passada, pela primeira vez na vida anulei um voto, não gostava do Lula (ainda ressabiado pela história do mensalão, correios, mas principalmente pela morte dos prefeitos. Acho que mesmo as máfias puras têm um código de ética. Roubar pelo partido é condenável, não participo de política por isso, mas matar ou ver matar pelo partido é inaceitável, e os religiosos do PT viram e não se manifestaram, em nome de um bem maior, muitos desses que em nome desse mesmo algo maior, condenam o aborto), nem do Geraldo Alckmin, um político insosso e metido a bom moço.

Nessa eleição, não participei das discussões, preferi viajar no primeiro turno por estar desanimado a escolher candidatos aos cargos, mesmo sabendo que a alienação (sou cruel comigo mesmo) está longe de ser a solução. Mas ando cansado com a hipocrisia e desafio qualquer político nesse país, qualquer, a bater no peito e falar que não fez, ou se viu, denunciou alguma sacanagem a apenas alguns metros de distância. Esse político não existe, todos se renderam às supostas maneiras como as coisas são feitas.

Hoje saio para votar, com apenas uma única certeza. Nem Dilma Roussef, nossa próxima presidente, nem José Serra, o candidato derrotado (minha opção de hoje), nem qualquer outro político desse país saíram maiores dessa eleição. Ao concordar com a apelação dos assessores diminuíram suas biografias, ao sonhar chegar ou temer não chegar, extrapolaram qualquer noção de parâmetro mínimo, tentaram falar da pior maneira possível para o lado mais ignorante da sociedade brasileira, deram pão e circo porque concordaram que é disso que o povo precisa. O povo na verdade precisava de propostas e de candidatos dignos, não o foram, um acusando o outro lado, mas na verdade, os dois reféns da vaidade própria. Quem precisava ganhar era o Brasil, quem ganha hoje é um grupo, um ganho muito menor depois de forçar a sociedade ao ouvir e ver a quantidade de absurdos que se passaram nesta campanha.

A um dos maiores animais políticos que já tive notícia, o presidente Lula, a recomendação de que, vencida está etapa considerada tão fundamental, deixe que o bom senso e a razão comecem a invadir aquele corpo e mente, e que consiga saber que a história escrita é diferente das respostas do clamor da multidão assistida, dos interesses privilegiados. Cuidado com a vaidade, ele é cruel com todos, inclusive comigo que me achei capaz de dizer essas palavras…

Quem quer ter os amigos na sua biblioteca? Nabuco e Machado

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Machado de Assis não está mais sozinho, não é o único brasileiro que pode segurar os livros da sua biblioteca de uma das maneiras mais que existem, pelos traços do artista alemão Bernhard Siller (foto da última feira de Frankfurt).

Para comemorar o centenário, a coleção Autores de Safra tem agora também Joaquim Nabuco. Interessados entrem em contato.

Os não elefantes invadiram a Conta Corrente, mas não foi a sua…

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Enquanto o site da Livros de Safra não entra oficialmente no ar, faço a divulgação de seus livros aqui.

Hoje o autor Yves Moyen participou da edição do Conta Corrente, da Globo News. Alguns dos assuntos tratados faziam menção ao conteúdo do livro Vivendo com não elefantes, por exemplo, a necessidade de inovação, um dos componentes do DNA Empresarial, conceito desenvolvido por ele. Se você não assistiu e quer ter uma visão do que a disputa China x Estados Unidos está causando e como pode afetar a sua vida, clique aqui.

Zé Cabecinha, não seja um deles!

O primeiro livro da Virgiliae, Vivendo com não elefantes,  fez nascer um novo personagem de quadrinhos na estratégia de divulgação do autor, o Zé Cabecinha, alguém que quem trabalha em empresas deve conhecer, o pior é quando ele está acima…

A dupla Yves Moyen, autor, e Anderson Delfino, cartunista e vencedor do Salão do Humor de Piracicaba deste ano promete. Veja se estou errado:

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O que buscamos?: Não adianta nos iludirmos…

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Há um artigo imperdível na Ilustríssima de hoje. Não comprei e não coloquei no meu radar de curto prazo as idéias de Marcelo Gleiser sobre o universo, não estou nesta fase, mas diante de um artigo na Folha de hoje, achei que não poderia recuar. Felizmente não fiz. Achei o artigo imperdível: A produra do fim da trilha. Gleiser fala de maneira lúcida sobre as implicações e limites de ciência e religião, dá aos que querem ter uma visão crítica diante da complexidade do mundo, uma salvação: o conformismo diante da assimetria e do pouco que sabemos e saberemos diante da natureza.

Deixo um melhor resumo mas a firme recomendação da leitura integral: [… Em outras palavras, além do círculo do conhecimento - que sempre cresce - existe a escuridão do não saber.

Vivendo com não elefantes estréia na mídia

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O destaque de ontem da coluna sobre livros do caderno Mercado da Folha de S. Paulo foi para o lançamento da Virgiliae Vivendo com não elefantes. Apesar de não concordar 100% com a chamada, na minha visão o livro não crítica as empresas “simples demais” e sim as que tentam simplificar a complexidade do externo, foco interno x foco externo, a matéria é muito bacana e fala como o livro de Yves Moyen aponta questões fundamentais para serem discutidas na gerência e direção das empresas (clique aqui se você é assinante uol ou Folha), a menos que insistam em permanecer na “escuridão com gerador próprio”, funciona apenas por um tempo, depois é necessário utilizar a luz do sistema natural…

O colunista Guilherme Barros do IG também falou sobre o livro, assim como o blog sobre inteligência competitiva do Alfredo Passos, mas isto é só o começo, novidades aparecerão em breve. O lançamento é amanhã na Cultura da Paulista, está na hora de colocar sua empresa na campanha:”Eu enxergo a fauna toda…”

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Uma homenagem a um gênio, mas não é o gênio quem faz 70 anos…

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Pelé não faz 70 anos hoje, quem faz é o Edson Arantes do Nascimento, personagem que Pelé fez questão de manter pois intuía que o mito precisaria de alguém real. O Pelé deverá fazer 70 anos talvez em 2028.

Lembro pouco dele, tenho alguns flashs de 70, de um jogo de despedida no Maracanã e de sua chegada ao Cosmos, nada comparado ao que ele realmente foi. É interessante ler as frases sobre ele proferidas pelos adversários. É necessário entender que o cidadão Edson está muito distante do gênio Pelé, e aqui não coloco no sentido de crítica, mas no sentido necessária da justiça humana. Pelé foi um gênio dentro de 4 linhas, utilizando o corpo, no mundão aberto, Edson não conseguiu chegar perto do que sua criação fez dentro do campo, restou-lhe então alimentar o passado e o mito, este sim, muito presente.

Parabéns Edson, você fez muito nos primeiros anos de sua vida. Não o cobro pelo restante, mas de todas as homenagens que vi, a melhor é o caderno da Folha de S. Paulo, os textos dos lúcidos Juca Kfouri e Tostão dão claramente a dimensão da junção dos dois homens. É preciso ler.

Livro da Virgília vai ser lançado na Espanha

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A Plataforma Editorial, jovem e bem-sucedida editora espanhola, dirigida por Jordi Nadal vai lançar no início de 2011 o best-seller Fazer acontecer.com.br, sem o ponto com e br, logicamente. O livro de Julio Ribeiro deve atingir outros países. Na última feira de Frankfurt já existia material disponível em inglês no site da Plataforma. Também estou empenhado no projeto, a difícil missão de internacionalizar um autor brasileiro desta área. A Espanha será a vitrine dos outros países, aguardem!

Vivendo com não elefantes - a Virgiliae surge oficialmente dia 25/10

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O primeiro livro a gente não esquece? Acho que sim, ainda lembro do Um pavão na terra dos pinguins, a estréia da Negócio Editora, há 14 anos. Ou então da História do futuro do Brasil, o primeiro livro da Virgília, a estréia deste blog, pois é, o mundo muda e as coisas evoluem, a Virgília continua a existir, ainda serão lançados 3 livros na parceria com a Saraiva, mas surge a Virgiliae, agora independente e parte da nova editora Livros de Safra. Além da Virgiliae, a Livros de Safra tem os selo Alfaiatar, Da Boa Prosa e Impressão Régia.

Mas é hora de falar da Virgiliae e do Vivendo com não elefantes. Além de apresentar o DNA Empresarial, o livro faz um apanhado geral da história do pensamento humano e sua trajetória pendular, uma revisão do pensamento administrativo, quase sempre estrangulado e apresenta conceitos da Teoria da Complexidade. Tudo isso para mostrar que os desafios não são pequenos e nem podem ser subestimados. São mais de 40 cases abordando com coragem algumas derrapadas feias de empresas consagradas. Leia para entender e evitar repetir o mesmo na sua empresa, se não for possível aprender com erros e também acertos, mas os erros geralmente as pessoas têm receio de falar, de empresas como British Petroleum, General Motors, People Express, Nestlé, entre outras, como irá aprender?

Mas o diferencial deste livro é que o autor, Yves Moyen, um engenheiro, MBA por Carnegie Mellon, consultor especializado em estratégia e inovação, foi buscar no mundo da ciência uma metáfora que critica de modo mais do que acertado essa mania humana de simplificar. Simplifica-se tanto que já nem se sabe mais o que se está gerindo. A vida de verdade não se passa dentro de uma sala de reunião olhando -se para uma tela de powerpoint, esta até pode ser simples…

Quem quiser descobrir o que é a ilusão dos não elefantes deve comparecer na Livraria Cultura no dia 25/10 ou então no dia 20/11 na Livraria Mineriana em Belo Horizonte, pegar um autógrafo e ficar esperto diante das oportunidades que o livro aponta.

 

Virgília na Universidade de Chicago!

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No dia 21/10 quem estiver pelas imediações de Chicago e quiser ouvir um pouco sobre o Brasil não deve perder a palestra do autor Raul Rosenthal, será na escola de business, a Booth (se quiser conhecer basta clicar no link da palavra), o tema: Emerging Markets: An in Depth View of Brazil’s Economy, Politics, Risk and Opportunities.

Isso é que eu chamo de colocar o sonho em prática, conforme prescreve o livro dele, Sonhar acordado. No processo de edição o Raul várias vezes me confidenciou este desejo, clique aqui para saber mais sobre o livro, quem sabe você também não dá uma palestra numa universidade gringa…

Dois grandes escritores

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Novo livro do Ian McEwan, Solar, promete humor. O de Cristovão Tezza, Um erro emocional,  carrega a necessidade da superação, o provar para si e para o mundo que existe vida depois de tantos prêmios. Dois grandes escritores, uma bela edição, a outra, nem tanto. Se livro não fosse o que se obtém das palavras impressas, o de Tezza não resistiria à comparação. Para sua sorte não é, mas que o projeto gráfico de sua obra merecia maior sofisticação, isso merecia…

Belo perfil de Milton Hatoum

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Só agora li O Globo de sábado, 16/10/10 que tem no Segundo Caderno um belo perfil do escritor Milton Hatoum, quem se interessa por literatura não deve deixar de ler, dei uma procurada no link mas não achei.

Vem aí a série da Globo adaptada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho e baseada no livro consagrado Dois irmãos, nada a ver com o filme argentino que aqui critiquei…

Hatoum, tal qual Vargas Llosa agradece por ter vivido, literatura que brota da memória presencial, não imaginativa. Pelo menos descobri que tenho algo em comum, um mesmo sapato, já é um começo…

A coragem de contestar tradições

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Morreu ontem José Ângelo Gaiarsa, psiquiatra e terapeuta, mas principalmente alguém dedicado a questionar alguns padrões de vida social, o casamento e a família. Autor de vários livros, dos quais li um ou dois, há muito tempo. Se não tinham um vigor e profundidade argumentativa, tinham o enorme mérito de ser cheios de coragem e persistentes.

Dia do professor: Aula nota 10! Parabéns professores

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Parabéns a todos os professores do Brasil. Ouvindo o horário eleitoral dá a impressão que vivemos em outro país, um país onde a educação e o trabalho de formação de jovens é não apenas respeitado, mas também valorizado. Está na hora dos candidatos Dilma Roussef e José Serra pararem de utilizar a educação apenas na tentativa de simplesmente angariar votos e darem à ela o devido e merecido respeito, e à profissão de professor, o investimento necessário e as possibilidades de crescimento e desenvolvimento futuro compatíveis com o resultado do que o trabalho e dedicação deles consegue fazer pelo Brasil.

O livro Aula nota 10, sucesso de público e crítica nos Estados Unidos, ainda não está pronto, chegará por aqui até o final do ano, mas quem ganhar a eleição deverá dedicar a este livro e ao assunto que aborda, técnicas efetivas de melhoria do resultado das aulas, investimentos e estudos. O autor, Doug Lemov investigou de maneira prática o que funciona para atrair a atenção e a retenção dos alunos, e conseguiu apresentar isso de forma didática e clara.

Que os professores celebrem hoje seu dia e possam em pouco tempo questionar e usufruir deste lançamento futuro da editora Da Boa Prosa.

Dois irmãos caricatos demais…

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A vida está corrida demais, tem sobrado pouco tempo para o cinema, o que é sempre de se lamentar. Ontem, mesmo fatigado, aproveitei a brecha para ir. Meu filho de 13 anos, um desses que entrou com um maior para assistir Tropa de Elite 2, me encorajava a ver o filme, preferi algo que fosse menos perene, optamos por Dois Irmãos, filme do argentino Daniel Burman, gostei de seus filmes anteriores e tenho verdadeira fascinação pelo tema família.

Sai frustrado do cinema. Os personagens são fortes demais no sentido negativo. A atuação da fútil irmã carregada, o irmão bondoso fica abaixo e neutro, talvez como fosse a relação deles, mas suficiente para o desequilíbrio do filme. O humor fica impedido de vir a tona e os bons questionamentos ficam submersos diante da fórmula fácil da futilidade, sim muito presente, em vários exemplares da espécie.

Até questionei se era apenas um mal humor decorrente do cansaço. Mas concluí que se eu não estava nos melhores dias, Burman tampouco…

O amadurecimento sufoca a vingança?

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Comecei de forma tímida e fui engrenando, engrenando, engrenando. Sándor Márai conseguiu em As brasas, discutir infidelidade de uma forma pouco usual, adulta. Faz pensar, refletir ao utilizar o tempo, muito tempo, para questionar o que de fato é importante. No triângulo formado pelo amigo, um artista se esforçando para ser militar como seu principal protagonista, explora as relações de amizade, de coragem. Usa o silêncio dos personagens para falar, falar muito.

Além de ter gostado muito do livro, tenho como meta aprofundar no autor, passei a respeitar um ser humano que tem a coragem de se suicidar aos 89 anos, depois de ter vivido as paisagens e mudanças que viveu. Uma definição importante para um húngaro que fugiu em busca de liberdade e democracia, foi que a pátria é a língua, tal como canta Caetano Veloso.

O tema tem muito a ver com o livro que estou escrevendo e vai sim influenciar minha última leitura e varredura no texto.

Outra questão bem demarcada são as diferenças entre estilos de vida e de classes, barreiras que existem e são ou não ultrapassadas dependendo da forma que se escolhe olhar para isso na vida… O tempo se mostra como o mais sábio filtro entre o que importa e o que é apenas um jorro de impulsos. O livro está na nona reimpressão.