Arquivo: Novembro de 2010



Você vai conhecer o homem dos seus sonhos…

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Fomos assistir ao novo filme do Woody Allen. Meu filho assistiu ao anterior e eu ainda não, resolvi desta vez fazer a lição de casa, como não tínhamos o que fazer, promovemos a estréia da minha filha na filmatografia adulta. Nada promissora, se Woody Allen souber, ficará mais alguns minutos no divã, ela dormiu, quase do início ao fim. Tudo bem que senhor Allen já é quase um velhinho, quase um Manoel de Oliveira, mas a culpa não é dele, é dela, do alto dos seus 6 anos, não conseguiu ler as legendas, entender o humor ou se interessar pelas imagens de Londres. Observou que a velhinha do filme não pintava o cabelo…

Mas o último filme de Allen não é mesmo empolgante, é mais um filme dele, e mesmo assim, acho que vale assistir, sempre há algumas indicações sobre a espécie, e pelo menos, demonstrou que não ficou gagá, há o Antonio Bandeiras, mas a mocinha não fica com ele. O velhote não consegue tomar o viagra com tanta antecedência e daí precisa ficar olhando para o relógio, propõe voltar para a “patroa” que ainda está iludida com alguém que pensa como ela, ele já estava se desiludindo da bunda da garota, ou seja, com Allen, a vida continua parecida com a luz acesa do dia-a-dia.

Quando o romancista pega o livro do amigo, supostamente morto, coloca cada um de nós na mesma situação. Encare este filme como um passatempo onde as referências são sempre de primeira e o resultado aquém do possível. Meu filho havia apontado Morgan Freeman como o melhor ator “velho” que ele conhecia, eu, falei do Hopkins, alguns dias atrás, não foi neste filme que o consegui convencer. Ninguém chegou ao limite, nem mesmo Allen, que venha o próximo…

O Jabuti e a mídia brasileira

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Em terra de poucos leitores, os que lêem são obrigados a ver espaço nobre dedicado mais à polêmica do que a livros. Chega de discussão sobre o Jabuti. Só hoje pude por em dia a leitura da Ilustríssima, estava atrasado, comecei pelo artigo do Sérgio Machado da Record, daí pulei para o primeiro, da Folha e depois a resposta deste e artigo que originou a resposta do primeiro, do Luiz Schwarcz da Companhia das Letras. Mas é claro que todos os outros veículos ecoaram o assunto, ainda não passei na banca que me reserva O Globo de sábados e domingos desde a semana passada, daqui a pouco vou fazer e acompanhar a repercussão na terra de lá, porque mesmo no meio de tanta confusão de verdade, deve ter sobrado espaço para vaidades e prêmios, e aí, a vaidade e os prêmios são acusatórios para as editoras, os autores, os organizadores e para mim, ela é inerente a todos os humanos, alguns a assumem, outros a tentam disfarçar.

O que lamento é que nem na Folha, nem no Estado, nem em outra mídia que tenha acompanhado achei nenhuma avaliação mais objetiva. Que tal contratar dois ou três críticos para falar das obras, não das polêmicas? Não seria um modo construtivo de fazer polêmica? Chico ou Silvestre? Por que não partir para os críticos e outros leitores, mas todos partindo de uma avaliação equitativa? Não ficariam os leitores dessa mídia mais preparados para se posicionar?

Falando em se posicionar, não posso ficar de fora. Não vou preparar nada para esta suposta avaliação. Não lembro tanto assim dos dois livros. Qual deles é um puta livro? Nenhum, então, reproduzo abaixo o que comentei aqui após o final da leitura. De resto, fico desejoso que a comunidade editorial e a mídia resolvam consensar que é hora de preservar este espaço dado a polêmica aos livros da literatura brasileira. Paremos de falar de prêmios e falemos de livros, é hora de manter o espaço conquistado…

 16 de Abril de 2009

Novo livro do Chico Buarque - tem um bom autor, mas as críticas se rasgaram para o personagem do autor

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Se você lê jornais e revistas, deve não ter ficado imune ao bombardeio do lançamento do novo livro do Chico Buarque, Leite derramado. Irretocável a estratégia, todo mundo deu, alguns, mais de uma vez e eu, para não me sentir um peixe fora d’água, resisti no sábado, mas comprei no domingo.

A posse me fez relaxar um pouco, mas finalizei a leitura nesta semana. Acredito que já tinha lido tanto sobre o livro que precisei de alguns dias para desintoxicar… Gostei bastante, mas concordo, se não me engano com o Eduardo Gianetti, que afirmou que o personagem não atrai a simpatia do leitor. Sim, existe uma decadência do Brasil descrita numa linguagem madura, muitas vezes ácida, noutras poética, na maior parte do tempo sofisticada sem ser pedante, sem ser chata.

Mas o tal Eulálio não me deixou querendo saber o que mais tinha acontecido com os seus, essa é a grande ausência, não conseguiu formar a filha, nem mesmo a Matilde no meu desejo de ir além. Você vai sabendo, os capítulos funcionam quase como grandes parágrafos que o conduzem, criam o fluxo, mas não me criaram uma realidade paralela, não adicionaram mais histórias, comecei a ler Questões de honra na livraria no outro dia e, apesar de uma linguagem mais pobre, além de comprar, comecei a me envolver mais com a história, vamos ver no que vai dar, depois informo.

Ah, muita boa a estratégia das duas capas, li a outra. Escolha a sua, talvez você se empolgue mais como a maioria, mas se Eulálio está na mesma posição de Cubas, talvez tenha faltado a viagem pelo túnel da morte para dar uma outra pitada. Para quem gosta de comparações, Chico não ultrapassou Machado, mas essa verdade cabe ao tempo.

Boa história, estréia premiada

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Li o novo e primeiro romance do Edney Silvestre apenas para checar os critérios da comissão julgadora do Prêmio São Paulo. Deram a ele o de livro iniciante. Desconfiava que poderia ser um desvio por se tratar de um autor iniciante já famoso, repórter de televisão, apresentador de programa de literatura.

Conclui que não foi, apesar de não ter lido os concorrentes. A história é bem boa, a linguagem me pareceu em determinados pontos uma tentativa de escrever bem, mas a relação dos dois garotos numa cidade do interior para descobrir um crime e um submundo do poder e do desejo humano são muitíssimos bem explorados por Silvestre. Não é possível ao leitor ir construindo sozinho a história, precisa do narrador que surpreende. Estava gostando mas não tão empolgado até que num determinado momento, lá nas páginas finais tive um lacrimejamento espontâneo dos olhos. Acho que literatura isso, uma medida individual, gosto de pensar que o meu sarrafo é elevado, por isso, a recomendação.

Um livro que trata da amizade masculina e do ritmo lento de consciência do verdadeiro jeitão da espécie.

100 anos sem Tolstói, e os livros continuam…

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O ruim de viajar para aficcionados por jornal é ficar sem a rotina. Só ontem li a Folha e o Estadão do final de semana. Como sempre, a doença pode estar ou ser grave, encontrei coisas que valeram a pena.

No mínimo, o centenário de morte do Tolstói (dia 20/11, sem grande destaque na mídia mineira), e eu devo estar lá pela página 300 do Anna Kariênina, espero acabar antes que saia no ano que vem a nova tradução e edição de Guerra e Paz…

Para quem gosta de ser provocado, e também de pensar!

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Sendo honesto, mesmo tendo concluído depois da leitura de Contra um mundo melhor, que não tenho a mínima idéia de por que faço isto, pior, se vale a pena, confesso de princípio minha relação ambígua com Luiz Felipe Pondé. Não aceito muito bem sua “conversão” para a religiosidade que no livro não fica explícita. Para os que se dispõem a criticar e questionar a vida, esse é um ponto formador, é por mais amplo que tente ser, é quase uma questão ou eu ou eles, daqueles pontos que não admitem concessão, mas depois da leitura, no mínimo fiquei sem certezas.

Talvez descrever o processo seja válido. Iria passar 4 horas na livraria, tinha que tourear os convidados do autor, ele e família o estavam fazendo bem, restava-me então os meus filhos e os livros. Peguei o do Pondé para mostrar para minha mulher/sócia alguns detalhes do projeto gráfico. Comecei a ler, sentei numa poltrona e depois conclui que deveria comprar.

Li rápido nos dias seguintes, o texto é muito mais denso do que comprido. Talvez tenha entendido melhor minha admiração por ele. É claro que temo virar um conservador, mas é claro que quem mais teme isso é o resquício do jovem que ensaiou ser comunista que vez ou outra incorpora neste ser. Mas minha admiração por ele vem se uma matriz em comum: Nelson Rodrigues.

É isso, Pondé, origem completamente diferente, identificou que não existe um Nelson Rodrigues atual, o outro fã declarado na mídia, Jabor, disputa espaço semelhante, mas Pondé é mais profundo, menos poético, mais filosófico.

Corri o risco de ao terminar a leitura ter virado a casaca, li durante o domingo, apreensivo acompanhei o que acontecia com o São Paulo e Fluminense, querendo das entranhas uma coisa, tentando racionalizar outra, de ter abandonado a família, ter deixado meu lado instintivo mais a solta, um perigo para a sociedade, como seria com qualquer um, pelo menos qualquer um que possa ler Pondé e admitir que ele tem razão, e pior, a razão de nada serve no final, nesta vida sem sentido e sem recompensa. Se você não acredita nisso, passe longe do livro, se prefere admitir apenas para cumprir ou seguir seu papel social, eis uma leitura que recomendo. O cara não alivia, assim como a realidade não alivia. Não há livro de autoajuda que te salve depois, por isso, pense bem antes de ler, mas se ler, bem vindo ao clube, daqui a pouco não será mais preciso sequer criar um crachá de identificação, os outros estão exagerando tanto na fantasia que tudo vai ficar transparente…

Mineiriana: quem gosta de livros não sai sem…

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No sábado aconteceu na livraria Mineiriana o lançamento do livro Vivendo com não elefantes. O evento foi muito bom, segundo o pessoal deles, mas o melhor foi conhecer a livraria, segundo Yves Moyen, a melhor de BH. O melhor para os olhos, e para o intelecto, uma verdadeira catástrofe para o bolso, quase compramos mais do que vendemos, e olha que vendemos muitos livros… Exageros à parte, a Mineiriana é um lugar que deixa claro que existem pessoas lá que entendem de livro, daquelas livrarias que te fazem comprar, ou no mínimo encontrar, livros que você sequer sabia que precisava ou gostaria de ter. Lá comprei Trópico dos pecados, livro de Ronaldo Vainfas que estava esgotado há algum tempo e a Civilização trouxe novamente ao mercado para quem quer entende essa relação do brasileiro com o sexo e outras “sacanagens” que aconteceram desde a nossa origem,  e Contra um mundo melhor

Além do mais, o café é bem agradável, quem quiser marcar um encontro e não tem certeza de onde, eis uma bela indicação. Comprei também dois CDs e meus filhos contribuíram para jogar a conta lá para cima, me impedindo de comprar um volume da História Geral da Civilização Brasileira, coleção que não se depara com ela em qualquer livraria e virou meio sonho de consumo.

Antes de embarcar, já havia comprado pela internet, por puro fetiche, O outono da Idade Média, quem gosta de livro dificilmente consegue escapar dessa belíssima edição da Cosac. Incorporei também o novo volume das obras de Freud, o Volume 18, O mal-estar na civilização… e dois livros de ficção, o novo do Alberto Manguel, Todos os homens são mentirososOutras vidas que não a minha, do francês, Emmanuel Carrère. 

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Inhotim: o museu, mais que vale a visita, as obras, ainda a caminho…

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No domingo fomos conhecer o museu Inhotim, fomos quer dizer a família toda, e domingo quer dizer, o dia todo. Ou seja, várias horas com um adolescente e uma criança de 6 anos num museu, tudo para dar errado, mas deu certo, Inhotim superou as divergências de gostos e idades, e também as distâncias físicas e as adversidades do tempo, museu aberto com chuva é coisa de mineiro, mas vale a pena.

Só posso concluir que Bernardo Paz é maluco, nesse caso, um maluco beleza que resolveu no meio do nada, me desculpem mineiros e “inhotinhenses”, criar uma espécie de paraíso artificial mas que é natural, uma bela obra. Se o país tivesse mais 10 pessoas como ele, teríamos um nível cultural diferente. Atenção Eike Batista, mais do que na hora de ter um museu a altura, e em hipótese alguma deixe seu espírito competitivo acalmar, apele, parta para a ignorância e construa algo maior, muito maior, condizente com a fortuna amealhada, o país agradecerá…

Inhotim tem defeitos? Sim, visitei 85% do museu, e só me deparei com 5 quadros se não estou enganado, 2 deles eram da ex-primeira dama, Adriana Varejão, não estou considerando os painéis dela na conta. Agora que é ex, talvez o museu devesse encerrar o que me pareceu um certo preconceito contra a pintura e aumentar o acervo nesse segmento. Aliás, acerto é ainda o ponto fraco, em parte, apenas em parte, porque o museu é grandioso e diferenciado, mas ainda não tem um acervo do tamanho e representatividade de seu hardware, aí, para que a equiparação aconteça, o Paz deve ser ajudado, daqui a pouco deve deixar de ser algo dele e ser da cultura brasileira, aliás, ele demonstrou ter um ego equilibrado, a não ser o próprio circulando, não vi rastros do ego nas paredes ou impressos, exemplo raro.

Se estiver por perto, vale ir, uma experiência interessante de arquitetura, parece que vai inovar mais, destaque para a Galeria que abriga as obras do Miguel do Rio Branco e Adriana Varejão, além da Grande Inhotim que está sendo construída, paisagismo e até arte, que ainda não está no primeiro lugar que lhe é merecido e necessário, mas que chegará lá.

Vivendo com não elefantes na Mineriana

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Dizem que os mineiros são bairristas. Espero que sejam e que amanhã compareçam para prestigiar Yves Moyen, o bom filho que a casa retorna para apresentar aos mineiros os Elefantes, os Não Elefantes e, para aqueles que querem enxergar, a fauna toda, complexa.

Das 10 às 14 na Savassi, Livraria Mineiriana. Vivendo com não elefantes está atraindo um séquito interessante de leitores que, depois de entender a metáfora, advogam contra aqueles que insistem em sofrer da ilusão dos não elefantes. Se você não está entendendo nada, é melhor checar nas livrarias, ou então, depois na coluna de falências do jornal, o CNPJ da sua firma pode estar lá…

Para quem ainda busca ser feliz: uma ducha de realidade (onírica)…

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Na chamada Nova Classe Média, repercute o Tropa de Elite 2, o que quero assistir, na antiga, o A Suprema Felicidade, que fui assistir ontem. Talvez os títulos reflitam a relação dessas classes com a vida e até mesmo com as palavras…

Gostei do filme do Jabor, sim, me mexi na cadeira, olhei para o relógio, mas o balanço final é positivo. Ele parou e eu já não lembrava mais como ele fazia filmes, da lembrança que tinha, um pouco diferente, esse, insistindo na capacidade humana de trabalhar com o que passou, para mim se aproxima de Fellini, em alguns momentos, descaradamente, talvez homenageadoramente. O clima é de maior alegria, mas as pessoas tem um “quê” de La Nave Va.

Também deixa claro ser um filme de um ser maduro e boquirroto. Daí, muita mulher, puta e sexo, como é na vida real, ou pelo menos na imaginação real. Para mim faltou apenas um balanço melhor dos atores, o Marco Nanini foi muito egoísta, não deixou para ninguém. Da ala feminina, Mariana Lima se destaca. Mas voltando aos homens, achei aquém o Dan Stulbach e o garoto protagonista, o Monjardim. Também utilizaria menos o jogo de cores e não fecharia do modo como fechou, mas aí, seria o meu primeiro filme como diretor…

Alfaiatar lança livro de arte: Heterotopias - Shirley Paes Leme

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A Alfaiatar, nosso selo que faz edições personalizadas acaba de tirar do forno o livro Shirley Paes Leme - Heterotopias cotidianas / Daily Heterotopias, edição bilíngue do curador Michael Asbury sobre o trabalho da artista plástica Shirley Paes Leme, baseado na exposição que esta realizou no Museu de Arte Contemporânea Dragão do Mar em Fortaleza no final de 2009, início de 2010. Se você quer saber mais sobre o livro ou sobre o conceito de Heterotopias, entre contato. A única dica é que se trata de um conceito derivado de Michel Foucault. Procure nas livrarias, ou fale conosco.

Para quem não tem o que fazer, mas principalmente para quem já tem o que fazer: Balada Literária

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Começa hoje em São Paulo, aliás, na Vila Madalena, quase uma região autônoma e independente quando se trata de cultura, a Balada Literária, mistura de literatura e cerveja, conversa com birita, estendendo-se pela Livraria da Vila e alguns dos botecos que durante o ano todo acolhem os intelectuais e escritores, mas principalmente os candidatos a intelectuais e escritores, sem nenhuma crítica, até, elogio, melhor candidato a isto do que a celebridade…

A homenageada é a Lygia Fagundes Telles, o organizador o agitador Marcelino Freire. Vale checar, para ficar bem na minha panela de preferidos, e sendo injusto com vários outros, estarão lá: Alberto Manguel, Antonio Cícero, José Castello.

Infelizmente vou para BH, uai…

Não é fácil continuar depois de algo tão premiado!

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Nunca tive o peso de dar sequência a tamanho acerto. Não é fácil, infelizmente, nunca repercuti tanto quanto Cristovão Tezza e seu Filho eterno, em nenhum campo… Lembro que gostei muito deste livro, mas o li logo que foi lançado, há coisa de mais de três anos, nesta época sequer me imaginava escrevendo e podendo me meter a escrever. Talvez falte então essa base de comparação.

Que Tezza é um escritor maduro, não tenho dúvidas. Mas não consegui acompanhar a história com todo interesse do início ao fim, não fiquei na ansiedade de terminar logo. Se fosse mais longo, pensaria seriamente em abandonar, estou há meses como pano de fundo lendo Anna Kariênina, que tem me interessado mais, mesmo sem conseguir estabelecer um ritmo confortável de leitura. Comparar com Tolstói pode ser sacanagem… Ou seja, um bom livro, mas que não me pegou pelo estômago, grifei pouco, não caminhei com os personagens ao longo dela, precisei interferir com a razão, mas não considerei um erro emocional.

And the prêmios go… Para o mesmo autor… Chico Buarque

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O mundo do livro anda agitado no Brasil. Saiu a safra 2010 do Jabuti e do Portugal Telecom, nos dois, ganhou o favorito, pelo menos das mulheres… Brincadeiras à parte, a vitória de Chico Buarque não foi bem recebida pelas editoras concorrentes, algumas até se retirando do próximo Jabuti. Não vou entrar na discussão do mérito da obra, para mim, na minha visão ele não seria o ganhador, mas os finalistas também seriam outros. Questão de gosto? Talvez.

O que é preciso levar em consideração é a tal onda, quando não se está claramente diante de nenhuma unanimidade, parece que um jurado influencia o outro. Isso pode ser ruim. Que editoras, autores e participantes desses prêmios consigam olhar as letras do texto, não as do nome, ou então, algo mais comum do que deveria ser no mercado editorial, a foto do autor…

Vá para Olinda, na literatura, Porto de Galinhas pode ser lá…

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Amanhã Olinda estará cheia de pessoas interessantes, os apaixonados por literatura, um povo um tanto diferente do habitual que lota as ruas em tempos de carnaval, como na figura acima. Eu gostaria de ter ido a primeira Fliporto que acontece em Olinda, dando adeus a Porto de Galinhas. A razão principal seria o argentino-canadense-italiano Alberto Manguel. Os jornais trazem uma interessante discussão sobre seu novo livro, verdades e mentiras são debatidas.

Mas também me deslocaria até lá para ouvir Milton Hatoum e Moacyr Scliar. Para os que foram, bom programa.

É arte ou é moda? Moma!

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É impressionante visitar o Moma, se todas as pessoas que estavam lá na segunda pela manhã gostam mesmo de arte, o mundo está salvo… A questão é que não parecia, visitar fica difícil, o que acabo de descobrir no site que há a possibilidade de visitas “especiais” para antes do horário de abertura, algo que parece útil para quem quer de fato apreciar as obras. Eu resolvi focar apenas na exposição do Abstracionismo NY.

Os destaques foram Pollock, Rohtko, e Barnett Newman, se você gosta desses, não deve perder. Ah, desta vez não passei na lojinha, essa cresce mais do que o museu… Não tenho nada contra a tal arte espetáculo, como discutia com um autor hoje, é a tal indústria da cultura, implacável, o único receio é que vire moda e depois saia da moda, aí não dá, arte é algo muito importante para ficar a mercê dessas necessidades de indústria, talvez, se cair na “sarjeta”, se reinvente melhor.

Corri hoje a maratona de Nova York, o Murakami não correu

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Corri hoje a maratona de NY, prova dura, muita subida, pelo menos para um corredor não tão dedicado quanto eu. Fechei acima do que gostaria, 4:23, tinha imaginado 4:15 e ainda sonho com 3:59, que se forem ser realizados vão demandar muito treino.

O Haruki Murakami não correu, duas foram as atrações, o abandono do Haile alguma coisa quase impronunciável, e com certeza não escrevível e sua aposentadoria e o absurdo do destaque dado ao tal mineiro chileno na imprensa americana e pela organização da prova. Achei que daria para pensar mais sobre livros, ter idéias para os próximos, mas não deu não, fiquei focado no tempo e depois o vi escapar pelas mãos, quer dizer, pelas pernas que funcionaram pior nas últimas subidas. Pelo menos não andei, completei o ano com duas maratonas, uma andei na subida dos túneis e cheguei em 4:25, na outra apenas corri e cheguei em 4:23. Conclusão, a prova de Nova York é bem mais dura que a de São Paulo.

O show tem que continuar…?

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Estou em Nova York para um objetivo específico, correr a maratona, e dois secundários, reuniões para vender e comprar livros. Como correr exige físico, não saí por aí andando feito um doido, como sempre, me poupei.

Hoje tive que acompanhar meus sobrinhos na compra dos ingressos para um show na Broadway, ou seja, mais de hora na fila do TKTS. Ali dá para sentir bastante da cultura deste país, do quanto as pessoas “comuns” se imaginam também integrantes do showbiz, também num palco, mesmo que estejam na rua, servindo apenas como vendedores de peças. Pessoas fantasiadas, informantes motivados (pelo menos pretendo parecer) e adjetivos superlativos. Já passei minha fase, pode ser preconceito, mas é incrível notar o quão mediano é tudo aquilo, quão infantil e de fácil digestão. Esse povo adora apenas alimentos calóricos, cultura, preferem da magrinha mesmo…

O segredo de quem? Novo título da Da Boa Prosa

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A HSM Expo Management começa na próxima segunda, dia 8 e a Livros de Safra vai marcar presença com o lançamento de seu mais novo livro: O segredo de Ebbinghaus - Como uma simples descoberta sobre a memória muda tudo o que você sabia sobre a gestão de marcas. A obra de Gian Franco Rocchiccioli e Marcelo Molnar apresenta uma interessante teoria sobre como as pessoas se relacionam com as marcas e a necessidade de conhecer a memória e seus aspectos para se conseguir fazer uma gestão efetiva das marcas.

O autor Gian Rocchiccioli, designer, proveniente de formação publicitária chegou ao assunto de forma inusitada. Pesquisava não uma solução para o seu trabalho e sim uma maneira de ajudar o irmão que enfrentava alguns desafios pessoais, uniu o útil, utilíssimo, ao agradável, e quem se beneficia disto é o leitor que quer saber mais sobre marcas ou memórias.

O site da Livros de Safra está saindo do forno, um pouco mais de paciência, lá tudo sobre os livros dos selos, Alfaiatar, Da Boa Prosa, Impressão Régia e Virgiliae.

Se estiver na Expo, vale passar, o horário será informado em breve, se não estiver, vale ir até lá ou então procurar a partir da semana seguinte nas principais livrarias.