Arquivo: Fevereiro de 2011



Gostei do começo, depois… Cisne negro!

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Da temporada de filmes, escolhi Cisne negro para começar. Me arrependi. O filme de Darren Aronofsky começou muito bem, uma câmera agitada, mostrando o ballet e algumas questões humanas de forma real. A tal mãe da Natalie Portman me pareceu um exagero desde o início, mas o restante ia bem.

Mas aí, o diretor resolveu abusar dos efeitos especiais, sinceramente o filme não precisava disso. Devem existir pessoas com uma enorme dificuldade de soltar-se, sentir, se deixar levar. Também existem malucos em todas as áreas, bem como pessoas dispostas a arrancar das outras o melhor, não importa a forma, mas o filme me perdeu, exagerou e deixou de ser uma obra interessante e densa sobre questões humanas importantes para tentar se tornar um thriller impactante e fechado ao pensar, pena. Sim, gostei de Natalie Portman, é sempre bom ver alguém com aquela cara de boa moça testar e mostrar os limites da vida. Hollywood também anda botando as manguinhas de fora, todos os conservadores ficaram no mínimo intrigados com o tal lesbianismo, se não afrouxou a moral, no mínimo aumentou a fantasia…

Quase um dicionário de sinônimos relacionado ao sexo…

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Havia comprado há tempos o livro do Reinaldo Moraes. Assisti sua participação na Flip e li vários comentários sobre o livro. Mas resolvi le-lo mesmo, interrompendo Anna Kariênina, por acreditar que este não seria um livro passageiro.

É, acho que não será. Me surpreendi com a capacidade do autor de encontrar sinônimos para órgãos e posições sexuais, com o senso de humor extremamente aguçado e com a sequência de “absurdos” de seu personagem inconsequente. O tal cineasta maldito não quer nada além de curtir a vida, acredita ter uma relação carinhosa com o filho, mas só porque é distante e ainda deve se lembrar dos desprezos do pai, de perto mesmo só muito sexo, drogas e outras sacanagens. O vocabulário é extremamente rico, dá até para organizar um pequeno dicionário de sacanagens, inspirado no mesmo, e a história um pouco mais longa do que o ideal, mas é impossível o leitor não ter a sensação, ao fechar o livro, de já ter feito muito mais do que já fez, são tantos detalhes que é factível achar que as proezas também aconteceram na nossa vida. Uma leitura extrema.

Estava na fase final, quando ele encara uma velhota, quando o vi chegando no Carrefour, quase o abordei para tirar um sarrinho sobre comer a velha, mas achei que era invasão demais, afinal, tudo aquilo não passa de ficção, mas que ele deve ter tido que se acostumar com olhares assustados, isso teve. Aos profissionais, a leitura vale como check-list, aos pudicos, como quebra-gelo e preparação para a vida real.

Livros viram objeto de desejo de decoradores…

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Atrasado estou há alguns meses. Está faltando tempo para alimentar este blog, estou colocando o da Livros de Safra no ar, e principalmente, colocando a editora no mercado. Mas sou teimoso e não desisto fácil. Consegui hoje pela manhã ler a Folha de segunda passada, na verdade, segunda retrasada, quando estive no Digital Book World em Nova York, postei algumas coisas sobre ele no www.livrosdesafra.com.br .

Mas ao ler a reprodução do New York Times que a Folha apresenta toda segunda, eis que além de discutir sobre digital e o preconceito da sociedade americana com traduções, há uma interessante matéria sobre o sentido dos livros para os decoradores e o negócio, talvez mais lucrativo do que vender conteúdo, de vender livros por centímetros para decoradores. E um dos negócios é em Boulder, supostamente um lugar “cabeça” dos Estados Unidos. Lá, Thatcher Wine cobra entre 80 e 350 dólares por 30 centímetros de livros encapados, se a opção for por um material mais nobre, o preço sobe para 750 dólares. Um administrador de fundos, ao montar sua casa nova, fez a lição de casa para não parecer logo de cara alguém simplesmente interessado no vil metal, pagou 80 mil dólares para ter uma biblioteca “ornando” com sua casa.

Uma outra decoradora de NY vai na direção contrária, tenta convencer que seus clientes se interessam pelo conteúdo e vão com ela até a Strand para terem apenas livros que possam ler nas suas estantes, sei lá, cada louco, também sinônimo de bibliófilo, ou então de suposto alpinista intelectual para não parecer apenas mercenário, tem sua mania.

Comprei dois livrinhos bem interessantes sobre livros: Buried in books, a reader’s anthology de Julie Rugg (Francis Lincoln) e Curiosities of literature - a feast for book lovers de John Sutherland (Skyhorse Publishing).

Ainda acredito que o mais importante nos livros é o resultado da sequência das palavras, espelho das idéias, embora não tenha nada contra o fetiche de uma edição, a beleza precisa ser ressaltada, Cosac que me confirma, mas vejo nesses decoradores um mercado para um produto que a cada dia anuncia ser mais digital…