Assunto: Cultura



Adriana Conti Melo participará de coletiva na Galeria Ímpar

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Adriana Conti Melo, artista plástica e também sócia da Livros de Safra, sucessora deste blog, se prepara para sua primeira exposição individual no início de 2011, enquanto isso aquece as paredes da Galeria Ímpar, a partir de 14/11 e também terá suas obras representadas pela mesma galeria na Feira Parte, a partir de 17/11. Dois eventos paralelos que vale a pena serem conferidos, assumindo é claro toda a parcialidade da indicação…

Livro Eu não sei ter, de Marcelo Candido, virará peça de teatro!

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O livro Eu não sei ter (Virgiliae, sucessora deste blog) de Marcelo Candido está sendo adaptado para o teatro pelo cineasta Alexandre Ingrevallo. A revista Hola Brasil deu a nota acima. O projeto só chega ao palco em 2012, mas o trabalho já está acelerado.

Quando maiores detalhes estiverem disponíveis, aqui serão postados. Eu não sei ter narra a história de Justiniano um homem de 40 e poucos anos disposto a revisitar sua trajetória, principalmente a pessoal, e a amizade com um amigo que se encontra numa situação bastante complicada.

Se você quiser saber mais ou comprar o livro, clique aqui.

Sebos, lugar de gente interessante, para alguns, esquisita…

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Quem nunca se perdeu num sebo não sabe o que está perdendo, utilizar o Google para buscas é sempre algo imediato e possível de incluir em alguns cliques um mundo geográfico imenso, mas um sebo não fica atrás, não tem a praticidade, mas quase sempre tem um interessante exemplar da espécie a nos ajudar, indicar direções e similaridades. O acaso acontece no Google, mas uma acaso com sabor de história acontece num sebo. Para os tecnólogos do presente, os trabalhadores e amantes dos sebos podem parecer esquisitos, mas se você não está acostumado, reserve uma manhã de sábado e se perca numa parte da produção intelectual do mundo, com certeza algum livro vai te chamar. Talvez você até ache que esquisito seja mesmo só se relacionar com bytes…

O André Ferreira do Livronauta pediu a colaboração deste blog para divulgar o que fazem, e foi prontamente atendido. Alfarrabistas são amantes da continuidade, ajudam a levar histórias de uns para outros, ensinam que muitos podem compartilhar o amor exclusivo e único e depois, passar a outros, que nunca viram. Um sebo é um dos lugares mais interessantes para se despender uma manhã. Veja abaixo o artigo produzido pelo Alejandro Rubio.

Sebos 

Segundo a Wikipédia, “Sebo” ouAlfarrabistaé o nome popular dado a livrarias que compram, vendem e trocam livros usados. Segundo meu pai, era o único lugar onde ele podia buscar a leitura para cada dia, onde se achava nas mesas de ofertas livros baratos, e onde depois se podia reciclar parte da biblioteca fazendo um bom dinheiro. Para minha mãe era a ocasião perfeita para achar aquele livro que era um drama romântico, que o meu pai pedia que eu o escondesse para ela parar de chorar. Para os meus amigos, era o lugar perfeito para a caça ao tesouro….

Lembro bem da ocasião em que junto com Enrique, saímos de bicicleta e fomos ver revistas no Sebo e achamos embaixo de uma pilha, uma quantia de dinheiro. Ficamos congelados…..Nunca tínhamos visto tanto dinheiro assim. Nossa consciência nos dizia que esse dinheiro não era nosso, nossa cobiça dizia que essa pilha de gibis poderia ser lida, mesmo não tendo a grana. Repare que em nossa mente infantil, o dinheiro não valia nada, mais a possibilidade de ter livros e revistas para ler sim!

 Voltamos dois dias depois e o dinheiro continuava por lá, aguardando seu dono. Na nossa inocência de nove anos de idade, perguntamos ao dono : “O senhor nunca guarda dinheiro entre os livros?”, ele respondeu que nem louco faria isso, qualquer cliente poderia achar. “Nunca perdeu dinheiro aqui na loja?”, ele nem sequer nos respondeu e continuou com sua tarefa.O que fazer? Depois de pensar vários dias, decidimos que a melhor coisa que podíamos fazer era pegar o dinheiro e gastá-lo todo em gibis e livros. Venho então um dos períodos de maior felicidade da minha infância. O dinheiro ainda estava lá, e deu para comprar uns 50 gibis e 10 livros para cada um dos sócios. Graças a Deus o dono da livraria não fez perguntas, assim, nem precisamos mentir. Já tínhamos tarefa para essas férias escolares: LER!Uma vez que li todo meu acervo, o troquei com Enrique. Dias depois, esgotada a leitura, decidimos voltar até o sebo para fazer uma troca. Entreguei 50 gibis e 10 livros e fiquei com 20 gibis, desta vez de super-heróis. Continuamos com nossa tarefa enfadonha e no fim das férias, quando conseguimos colocar toda a leitura em dia, devolvemos todos os gibis e livros, não ficando com qualquer um e ainda entregando vários que tínhamos em casa. No fim das contas, o livreiro ficou satisfeito e nunca soube da nossa malandragem juvenil. Assim, nossa consciência ficou aliviada e acreditamos ter participado do final tipo mocinho da historia.
 Sobre o autor:
Alejandro Rubio, dono da Livraria Osório, faz parte do Portal de Sebos Livronauta.

Que discurso chato: só porque era do rei?

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Com o tempo escasso, fiz escolhas severas para a última temporada do Oscar. Não tinha gostado tanto de O cisne negro, passei a gostar mais depois de sair da sala de O discurso do rei.

Ou estava de mau humor, ou o filme é carregado, lento, quase sonífero. Devo ter dormido, mas não percebi as hipóteses da gagueira, e olha que tendo a isto, portanto o interesse devia ser maior. Nem a atuação de Colin Firth não me impactou tanto. Me pareceu um típico ganhador de Oscar. Até a tradicional e no fundo inofensiva, porque aberta e programada, cutucada na igreja houve. Infelizmente sou obrigado a aceitar que os ditadores e facínoras tem feito discursos mais eficazes, no mínimo, tem servido para não apenas se manterem no poder de forma absurda, como ainda enxerem seus bolsos e contas de recursos, financiando até escolas de primeiríssima linha, pelo menos até o incidente (lá mesmo, onde o rei discursa!).

Da cama, às telinhas, às páginas, à telona: Bruna Surfistinha

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Já não me lembro se li o livro da Bruna Surfistinha, tenho a impressão que não. Certeza de que não peguei o seu blog e muito menos a própria. Mas é claro que fiquei curioso com a história, e resolvi levar ao cinema um adolescente, achei que era uma boa desculpa para uma conversa sobre o assunto (algumas adultas insistiram que a desculpa era esfarrapada…).

O filme foi melhor do que eu poderia imaginar mas mesmo assim poderia ir um pouco mais fundo no psicológico da personagem e o que talvez fosse mais interessante, no psicológico dos clientes, aí sim se transformaria num tratado. Serviu para minha conversa com o adolescente? Também menos do que esperava, mas acredito que deixou aberto o canal de comunicação. Sinais dos tempos?

O filme segue firme e já bateu 1 milhão de expectadores, o livro bateu os 300.000 exemplares, números para deixar editores e cineastas com inveja.

Gostei do começo, depois… Cisne negro!

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Da temporada de filmes, escolhi Cisne negro para começar. Me arrependi. O filme de Darren Aronofsky começou muito bem, uma câmera agitada, mostrando o ballet e algumas questões humanas de forma real. A tal mãe da Natalie Portman me pareceu um exagero desde o início, mas o restante ia bem.

Mas aí, o diretor resolveu abusar dos efeitos especiais, sinceramente o filme não precisava disso. Devem existir pessoas com uma enorme dificuldade de soltar-se, sentir, se deixar levar. Também existem malucos em todas as áreas, bem como pessoas dispostas a arrancar das outras o melhor, não importa a forma, mas o filme me perdeu, exagerou e deixou de ser uma obra interessante e densa sobre questões humanas importantes para tentar se tornar um thriller impactante e fechado ao pensar, pena. Sim, gostei de Natalie Portman, é sempre bom ver alguém com aquela cara de boa moça testar e mostrar os limites da vida. Hollywood também anda botando as manguinhas de fora, todos os conservadores ficaram no mínimo intrigados com o tal lesbianismo, se não afrouxou a moral, no mínimo aumentou a fantasia…

Livros viram objeto de desejo de decoradores…

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Atrasado estou há alguns meses. Está faltando tempo para alimentar este blog, estou colocando o da Livros de Safra no ar, e principalmente, colocando a editora no mercado. Mas sou teimoso e não desisto fácil. Consegui hoje pela manhã ler a Folha de segunda passada, na verdade, segunda retrasada, quando estive no Digital Book World em Nova York, postei algumas coisas sobre ele no www.livrosdesafra.com.br .

Mas ao ler a reprodução do New York Times que a Folha apresenta toda segunda, eis que além de discutir sobre digital e o preconceito da sociedade americana com traduções, há uma interessante matéria sobre o sentido dos livros para os decoradores e o negócio, talvez mais lucrativo do que vender conteúdo, de vender livros por centímetros para decoradores. E um dos negócios é em Boulder, supostamente um lugar “cabeça” dos Estados Unidos. Lá, Thatcher Wine cobra entre 80 e 350 dólares por 30 centímetros de livros encapados, se a opção for por um material mais nobre, o preço sobe para 750 dólares. Um administrador de fundos, ao montar sua casa nova, fez a lição de casa para não parecer logo de cara alguém simplesmente interessado no vil metal, pagou 80 mil dólares para ter uma biblioteca “ornando” com sua casa.

Uma outra decoradora de NY vai na direção contrária, tenta convencer que seus clientes se interessam pelo conteúdo e vão com ela até a Strand para terem apenas livros que possam ler nas suas estantes, sei lá, cada louco, também sinônimo de bibliófilo, ou então de suposto alpinista intelectual para não parecer apenas mercenário, tem sua mania.

Comprei dois livrinhos bem interessantes sobre livros: Buried in books, a reader’s anthology de Julie Rugg (Francis Lincoln) e Curiosities of literature - a feast for book lovers de John Sutherland (Skyhorse Publishing).

Ainda acredito que o mais importante nos livros é o resultado da sequência das palavras, espelho das idéias, embora não tenha nada contra o fetiche de uma edição, a beleza precisa ser ressaltada, Cosac que me confirma, mas vejo nesses decoradores um mercado para um produto que a cada dia anuncia ser mais digital…

Até mesmo uma história “boba” com uma mão pesada fica bom…

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Se eu fosse você assistiria Além da vida, novo filme de Clint Eastwood. Quem gostou de Ghost, lembra daquele filminho brega que foi um sucesso (sim confesso que torcia pelo encontro dos dois, quantas máquinas para fazer cerâmica não foram vendidas?), vai se frustrar. Tem charlatão, mas não tem Woopy Goldberg.

Eu não gostei dos teóricos poderes do personagem de Matt Demon, me relaciono com esses assuntos de forma fria (tá bom, se a me aparecer alguém com uma experiência quase-morte com a cara e jeito da Cécile de France, não hesitaria um minuto em mudar de postura), mas o que o filme fala de vida concreto é muito bom. Pesado, coisa séria, sem afinar para sonhos ou desejos, vida dura, drástica, como a realidade.

A cena do tsunami é forte, mães como a dos gêmeos existem, irmãos aproveitadores também. Ou seja, Eastwood fez um filme que fala supostamente sobre o além da vida, mas que fala mesmo sobre o aquém da vida…

Qual a relação entre o Ronaldinho Gaúcho e o Cine Belas Artes?

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Duas notícias me incomodam há alguns dias. O fechamento do Cine Belas Artes e a novela sem fim do Ronaldinho Gaúcho, sem fim? Isso mesmo, duvido que ele vá voltar a jogar o que já jogou, pode dar retorno? Sim, mas era para estarmos falando de futebol, títulos. Quem vai se esforçar para ajudar um “companheiro” que tem o salário algumas vezes maior divulgado no jornal, tanto quanto as gandaias (tomara eu esteja errado…).

Mas voltando, qual a conexão entre elas? É a conexão cultural, sinal dos tempos, um pouco no mundo todo, bastante aqui no Brasil. Shopping é lugar de consumo, mas está virando também lugar de cinema, ou seja, que tipo de filme vai passar? Futebol é lugar de arte, de paixão, com um cara desses, que tipo de jogo teremos? Para mim a ligação entre os dois é a pobreza cultural para que caminhamos, pior é que não é de hoje, pouco muda, tal qual todo janeiro a tragédia das chuvas. Provavelmente o Sérgio Cabral contratou a Cobra Coral e achou que podia viajar tranquilo para o exterior…

Dá para se divertir um bocado, e rever preconceitos também!

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Imagine um formal jantar de negócios em família, apresentação de novo sócio em empresa tradicional, cada lado tentando impressionar o outro. É desta forma que se inicia O primeiro que disse, antes apenas a revelação do irmão mais jovem ao mais velho: um anúncio vai ser feito.

O anúncio é feito é causa um reboliço enorme, pior é que o mais velho copia a idéia do mais novo, antecipa-se e livra-se do peso de bancar o hetero numa família machista e tradicional. Em momentos ótimos, outros um tanto clichê, este filme diverte e faz pensar. Meu lado preconceituoso apareceu quando torci para o mocinho beijar a mocinha, estava aí olhando o mundo com os meus olhos, não o do personagem. Mas todos devemos fazer isso, não? O diretor é turco, mas passa perfeitamente por um italiano, Ferzan Ozpetec depois de ter visto o filme parece ter o mesmo som de Genaro…

Os detalhes da história são melhores do que o filme…

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Ando bem atrasado com este blog, a carga de trabalho está absurda e estou também colocando o novo site (com um blog menos opinativo do que este, mais dia a dia de editora), da Livros de Safra no ar (www.livrosdesafra.com.br), isso atrapalhou bastante a minha leitura de base, daqui a pouco faço o balanço de 2010, também diminui minha capacidade de ir ao cinema, o que é uma pena.

No final do ano passado fui assistir A rede social, filme não apenas muito falado, mas também bastante elogiado sobre o Facebook e seu criador Mark Zuckerberg, e mais extremo ainda, bastante premiado pela crítica americana, aparecendo como um dos favoritos ao Oscar 2011, o que mostra a mediocridade, no ótimo sentido, deste prêmio. Assiste A rede social um dia depois de Tetro, são incomparáveis…

Mas é inegável o que o Facebook faz na vida das pessoas, eu passo pouco tempo nele, devo ser um dinossauro mesmo, mas ainda gasto mais tempo no google do que no Facebook, mesmo admitindo que existe um voayeur dentro de mim, como existe em cada ser humano, alguns, treinados na repressão religiosa o seguram mais (cuidado que um dia escapa…).

O filme me parece mais um documentário do que uma peça artística. O meu destaque fica para a atuação do Zuckerberg do cinema, Jesse Eisenberg. De resto, acho que todo mundo deve ver, afinal, o troço vale 50 bilhões de dólares em poucos anos e mexe com a vida das pessoas, sendo o que mais se aproxima da previsão de Orwell sobre o BigBrother. Nesse sentido sim o filme mostra um retrato fiel dos tempos que vivemos. Ah, também me serviu para tirar um pouco a mística de Harvard, das universidades americanas em geral, se depender do filme, estão mais para puteiros do que para centros de desenvolvimento intelectual, o que não tenho nada contra, só julguei que o barato naqueles ambientes era outro.

Um filme como há algum tempo não via: Tetro

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De cara confesso que tenho inveja do Coppola. Não queria ter aquele “corpãozão”, mas queria ter aquela cabeça sim. Tampouco me importaria de ter alguns restaurantes e uma bela vinícola, bem como uma filha como a Sofia.

Dito e posto”, gostei muito de Tetro. Daqueles filmes que você sai do cinema querendo falar, com algumas dúvidas e pensando na sua própria relação familiar. É uma pena que o Brasil seja tão caro e um cara desses escolha os hermanos para um projeto pessoal. Aliás, esse resquício de vida inteligente dos cineastas americanos parece que precisa fugir das fronteiras dos pilgrans…

Fracasso e sucesso, espaço e disputa familiar acabam sendo expostos e levando o expectador a rever um tanto a carga dramática das vidas humanas. Gostei muito do Vincent Gallo, uma atuação debochada consciente e profunda. O que você de fato sente pelos seus familiares? Não responda antes de assistir!

O recurso do filme em p&b e as lembranças em cor me agradou, se for manjado, nunca tinha visto. As cenas de ópera mostram a carga dramática daquela mídia e quão humana é a tal bonequinha. Quem trabalha com ou em empresas familiares deve assistir e aceitar mais de perto o espaço da disputa.

Autor da Virgília é premiado na Suiça!

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Jamil Chade é correspondente do Estadão em Genebra, pela firma inscreveu uma série de reportagens sobre a atuação de bancos suíços no Brasil. Mas também inscreveu o livro O mundo não é plano no prêmio Nicolas Bouvier, o principal do jornalismo suíço.

Ganhou pelos dois. O livro já havia ficado entre os 10 do Jabuti, também merecia ficar na final e ganhar na categoria. Se não ganhamos aqui, ganhamos lá. Para quem não conhece, o livro trata de forma nua e crua a realidade de populações africanas diante da fome e da realidade de alguns governos desses mesmos países, ou a realidade dos governos dos países ricos, que se quisessem resolveriam este absurdo, mas preferem mesmo ficar de papo, fazendo política… As fotos do Juca Varella são fortes, para dizer o mínimo. Uma leitura que não deixa ninguém passar ao largo.

Jamil, a gente até que sabia que era mais fácil ganhar prêmio do que virar best-seller, vai que os prêmios ajudam…

Se quiser saber mais sobre o livro, clique aqui

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos…

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Fomos assistir ao novo filme do Woody Allen. Meu filho assistiu ao anterior e eu ainda não, resolvi desta vez fazer a lição de casa, como não tínhamos o que fazer, promovemos a estréia da minha filha na filmatografia adulta. Nada promissora, se Woody Allen souber, ficará mais alguns minutos no divã, ela dormiu, quase do início ao fim. Tudo bem que senhor Allen já é quase um velhinho, quase um Manoel de Oliveira, mas a culpa não é dele, é dela, do alto dos seus 6 anos, não conseguiu ler as legendas, entender o humor ou se interessar pelas imagens de Londres. Observou que a velhinha do filme não pintava o cabelo…

Mas o último filme de Allen não é mesmo empolgante, é mais um filme dele, e mesmo assim, acho que vale assistir, sempre há algumas indicações sobre a espécie, e pelo menos, demonstrou que não ficou gagá, há o Antonio Bandeiras, mas a mocinha não fica com ele. O velhote não consegue tomar o viagra com tanta antecedência e daí precisa ficar olhando para o relógio, propõe voltar para a “patroa” que ainda está iludida com alguém que pensa como ela, ele já estava se desiludindo da bunda da garota, ou seja, com Allen, a vida continua parecida com a luz acesa do dia-a-dia.

Quando o romancista pega o livro do amigo, supostamente morto, coloca cada um de nós na mesma situação. Encare este filme como um passatempo onde as referências são sempre de primeira e o resultado aquém do possível. Meu filho havia apontado Morgan Freeman como o melhor ator “velho” que ele conhecia, eu, falei do Hopkins, alguns dias atrás, não foi neste filme que o consegui convencer. Ninguém chegou ao limite, nem mesmo Allen, que venha o próximo…

O Jabuti e a mídia brasileira

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Em terra de poucos leitores, os que lêem são obrigados a ver espaço nobre dedicado mais à polêmica do que a livros. Chega de discussão sobre o Jabuti. Só hoje pude por em dia a leitura da Ilustríssima, estava atrasado, comecei pelo artigo do Sérgio Machado da Record, daí pulei para o primeiro, da Folha e depois a resposta deste e artigo que originou a resposta do primeiro, do Luiz Schwarcz da Companhia das Letras. Mas é claro que todos os outros veículos ecoaram o assunto, ainda não passei na banca que me reserva O Globo de sábados e domingos desde a semana passada, daqui a pouco vou fazer e acompanhar a repercussão na terra de lá, porque mesmo no meio de tanta confusão de verdade, deve ter sobrado espaço para vaidades e prêmios, e aí, a vaidade e os prêmios são acusatórios para as editoras, os autores, os organizadores e para mim, ela é inerente a todos os humanos, alguns a assumem, outros a tentam disfarçar.

O que lamento é que nem na Folha, nem no Estado, nem em outra mídia que tenha acompanhado achei nenhuma avaliação mais objetiva. Que tal contratar dois ou três críticos para falar das obras, não das polêmicas? Não seria um modo construtivo de fazer polêmica? Chico ou Silvestre? Por que não partir para os críticos e outros leitores, mas todos partindo de uma avaliação equitativa? Não ficariam os leitores dessa mídia mais preparados para se posicionar?

Falando em se posicionar, não posso ficar de fora. Não vou preparar nada para esta suposta avaliação. Não lembro tanto assim dos dois livros. Qual deles é um puta livro? Nenhum, então, reproduzo abaixo o que comentei aqui após o final da leitura. De resto, fico desejoso que a comunidade editorial e a mídia resolvam consensar que é hora de preservar este espaço dado a polêmica aos livros da literatura brasileira. Paremos de falar de prêmios e falemos de livros, é hora de manter o espaço conquistado…

 16 de Abril de 2009

Novo livro do Chico Buarque - tem um bom autor, mas as críticas se rasgaram para o personagem do autor

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Se você lê jornais e revistas, deve não ter ficado imune ao bombardeio do lançamento do novo livro do Chico Buarque, Leite derramado. Irretocável a estratégia, todo mundo deu, alguns, mais de uma vez e eu, para não me sentir um peixe fora d’água, resisti no sábado, mas comprei no domingo.

A posse me fez relaxar um pouco, mas finalizei a leitura nesta semana. Acredito que já tinha lido tanto sobre o livro que precisei de alguns dias para desintoxicar… Gostei bastante, mas concordo, se não me engano com o Eduardo Gianetti, que afirmou que o personagem não atrai a simpatia do leitor. Sim, existe uma decadência do Brasil descrita numa linguagem madura, muitas vezes ácida, noutras poética, na maior parte do tempo sofisticada sem ser pedante, sem ser chata.

Mas o tal Eulálio não me deixou querendo saber o que mais tinha acontecido com os seus, essa é a grande ausência, não conseguiu formar a filha, nem mesmo a Matilde no meu desejo de ir além. Você vai sabendo, os capítulos funcionam quase como grandes parágrafos que o conduzem, criam o fluxo, mas não me criaram uma realidade paralela, não adicionaram mais histórias, comecei a ler Questões de honra na livraria no outro dia e, apesar de uma linguagem mais pobre, além de comprar, comecei a me envolver mais com a história, vamos ver no que vai dar, depois informo.

Ah, muita boa a estratégia das duas capas, li a outra. Escolha a sua, talvez você se empolgue mais como a maioria, mas se Eulálio está na mesma posição de Cubas, talvez tenha faltado a viagem pelo túnel da morte para dar uma outra pitada. Para quem gosta de comparações, Chico não ultrapassou Machado, mas essa verdade cabe ao tempo.

Boa história, estréia premiada

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Li o novo e primeiro romance do Edney Silvestre apenas para checar os critérios da comissão julgadora do Prêmio São Paulo. Deram a ele o de livro iniciante. Desconfiava que poderia ser um desvio por se tratar de um autor iniciante já famoso, repórter de televisão, apresentador de programa de literatura.

Conclui que não foi, apesar de não ter lido os concorrentes. A história é bem boa, a linguagem me pareceu em determinados pontos uma tentativa de escrever bem, mas a relação dos dois garotos numa cidade do interior para descobrir um crime e um submundo do poder e do desejo humano são muitíssimos bem explorados por Silvestre. Não é possível ao leitor ir construindo sozinho a história, precisa do narrador que surpreende. Estava gostando mas não tão empolgado até que num determinado momento, lá nas páginas finais tive um lacrimejamento espontâneo dos olhos. Acho que literatura isso, uma medida individual, gosto de pensar que o meu sarrafo é elevado, por isso, a recomendação.

Um livro que trata da amizade masculina e do ritmo lento de consciência do verdadeiro jeitão da espécie.

100 anos sem Tolstói, e os livros continuam…

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O ruim de viajar para aficcionados por jornal é ficar sem a rotina. Só ontem li a Folha e o Estadão do final de semana. Como sempre, a doença pode estar ou ser grave, encontrei coisas que valeram a pena.

No mínimo, o centenário de morte do Tolstói (dia 20/11, sem grande destaque na mídia mineira), e eu devo estar lá pela página 300 do Anna Kariênina, espero acabar antes que saia no ano que vem a nova tradução e edição de Guerra e Paz…

Inhotim: o museu, mais que vale a visita, as obras, ainda a caminho…

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No domingo fomos conhecer o museu Inhotim, fomos quer dizer a família toda, e domingo quer dizer, o dia todo. Ou seja, várias horas com um adolescente e uma criança de 6 anos num museu, tudo para dar errado, mas deu certo, Inhotim superou as divergências de gostos e idades, e também as distâncias físicas e as adversidades do tempo, museu aberto com chuva é coisa de mineiro, mas vale a pena.

Só posso concluir que Bernardo Paz é maluco, nesse caso, um maluco beleza que resolveu no meio do nada, me desculpem mineiros e “inhotinhenses”, criar uma espécie de paraíso artificial mas que é natural, uma bela obra. Se o país tivesse mais 10 pessoas como ele, teríamos um nível cultural diferente. Atenção Eike Batista, mais do que na hora de ter um museu a altura, e em hipótese alguma deixe seu espírito competitivo acalmar, apele, parta para a ignorância e construa algo maior, muito maior, condizente com a fortuna amealhada, o país agradecerá…

Inhotim tem defeitos? Sim, visitei 85% do museu, e só me deparei com 5 quadros se não estou enganado, 2 deles eram da ex-primeira dama, Adriana Varejão, não estou considerando os painéis dela na conta. Agora que é ex, talvez o museu devesse encerrar o que me pareceu um certo preconceito contra a pintura e aumentar o acervo nesse segmento. Aliás, acerto é ainda o ponto fraco, em parte, apenas em parte, porque o museu é grandioso e diferenciado, mas ainda não tem um acervo do tamanho e representatividade de seu hardware, aí, para que a equiparação aconteça, o Paz deve ser ajudado, daqui a pouco deve deixar de ser algo dele e ser da cultura brasileira, aliás, ele demonstrou ter um ego equilibrado, a não ser o próprio circulando, não vi rastros do ego nas paredes ou impressos, exemplo raro.

Se estiver por perto, vale ir, uma experiência interessante de arquitetura, parece que vai inovar mais, destaque para a Galeria que abriga as obras do Miguel do Rio Branco e Adriana Varejão, além da Grande Inhotim que está sendo construída, paisagismo e até arte, que ainda não está no primeiro lugar que lhe é merecido e necessário, mas que chegará lá.

Para quem ainda busca ser feliz: uma ducha de realidade (onírica)…

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Na chamada Nova Classe Média, repercute o Tropa de Elite 2, o que quero assistir, na antiga, o A Suprema Felicidade, que fui assistir ontem. Talvez os títulos reflitam a relação dessas classes com a vida e até mesmo com as palavras…

Gostei do filme do Jabor, sim, me mexi na cadeira, olhei para o relógio, mas o balanço final é positivo. Ele parou e eu já não lembrava mais como ele fazia filmes, da lembrança que tinha, um pouco diferente, esse, insistindo na capacidade humana de trabalhar com o que passou, para mim se aproxima de Fellini, em alguns momentos, descaradamente, talvez homenageadoramente. O clima é de maior alegria, mas as pessoas tem um “quê” de La Nave Va.

Também deixa claro ser um filme de um ser maduro e boquirroto. Daí, muita mulher, puta e sexo, como é na vida real, ou pelo menos na imaginação real. Para mim faltou apenas um balanço melhor dos atores, o Marco Nanini foi muito egoísta, não deixou para ninguém. Da ala feminina, Mariana Lima se destaca. Mas voltando aos homens, achei aquém o Dan Stulbach e o garoto protagonista, o Monjardim. Também utilizaria menos o jogo de cores e não fecharia do modo como fechou, mas aí, seria o meu primeiro filme como diretor…