Assunto: Cultura



Para quem não tem o que fazer, mas principalmente para quem já tem o que fazer: Balada Literária

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Começa hoje em São Paulo, aliás, na Vila Madalena, quase uma região autônoma e independente quando se trata de cultura, a Balada Literária, mistura de literatura e cerveja, conversa com birita, estendendo-se pela Livraria da Vila e alguns dos botecos que durante o ano todo acolhem os intelectuais e escritores, mas principalmente os candidatos a intelectuais e escritores, sem nenhuma crítica, até, elogio, melhor candidato a isto do que a celebridade…

A homenageada é a Lygia Fagundes Telles, o organizador o agitador Marcelino Freire. Vale checar, para ficar bem na minha panela de preferidos, e sendo injusto com vários outros, estarão lá: Alberto Manguel, Antonio Cícero, José Castello.

Infelizmente vou para BH, uai…

And the prêmios go… Para o mesmo autor… Chico Buarque

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O mundo do livro anda agitado no Brasil. Saiu a safra 2010 do Jabuti e do Portugal Telecom, nos dois, ganhou o favorito, pelo menos das mulheres… Brincadeiras à parte, a vitória de Chico Buarque não foi bem recebida pelas editoras concorrentes, algumas até se retirando do próximo Jabuti. Não vou entrar na discussão do mérito da obra, para mim, na minha visão ele não seria o ganhador, mas os finalistas também seriam outros. Questão de gosto? Talvez.

O que é preciso levar em consideração é a tal onda, quando não se está claramente diante de nenhuma unanimidade, parece que um jurado influencia o outro. Isso pode ser ruim. Que editoras, autores e participantes desses prêmios consigam olhar as letras do texto, não as do nome, ou então, algo mais comum do que deveria ser no mercado editorial, a foto do autor…

Vá para Olinda, na literatura, Porto de Galinhas pode ser lá…

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Amanhã Olinda estará cheia de pessoas interessantes, os apaixonados por literatura, um povo um tanto diferente do habitual que lota as ruas em tempos de carnaval, como na figura acima. Eu gostaria de ter ido a primeira Fliporto que acontece em Olinda, dando adeus a Porto de Galinhas. A razão principal seria o argentino-canadense-italiano Alberto Manguel. Os jornais trazem uma interessante discussão sobre seu novo livro, verdades e mentiras são debatidas.

Mas também me deslocaria até lá para ouvir Milton Hatoum e Moacyr Scliar. Para os que foram, bom programa.

É arte ou é moda? Moma!

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É impressionante visitar o Moma, se todas as pessoas que estavam lá na segunda pela manhã gostam mesmo de arte, o mundo está salvo… A questão é que não parecia, visitar fica difícil, o que acabo de descobrir no site que há a possibilidade de visitas “especiais” para antes do horário de abertura, algo que parece útil para quem quer de fato apreciar as obras. Eu resolvi focar apenas na exposição do Abstracionismo NY.

Os destaques foram Pollock, Rohtko, e Barnett Newman, se você gosta desses, não deve perder. Ah, desta vez não passei na lojinha, essa cresce mais do que o museu… Não tenho nada contra a tal arte espetáculo, como discutia com um autor hoje, é a tal indústria da cultura, implacável, o único receio é que vire moda e depois saia da moda, aí não dá, arte é algo muito importante para ficar a mercê dessas necessidades de indústria, talvez, se cair na “sarjeta”, se reinvente melhor.

O show tem que continuar…?

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Estou em Nova York para um objetivo específico, correr a maratona, e dois secundários, reuniões para vender e comprar livros. Como correr exige físico, não saí por aí andando feito um doido, como sempre, me poupei.

Hoje tive que acompanhar meus sobrinhos na compra dos ingressos para um show na Broadway, ou seja, mais de hora na fila do TKTS. Ali dá para sentir bastante da cultura deste país, do quanto as pessoas “comuns” se imaginam também integrantes do showbiz, também num palco, mesmo que estejam na rua, servindo apenas como vendedores de peças. Pessoas fantasiadas, informantes motivados (pelo menos pretendo parecer) e adjetivos superlativos. Já passei minha fase, pode ser preconceito, mas é incrível notar o quão mediano é tudo aquilo, quão infantil e de fácil digestão. Esse povo adora apenas alimentos calóricos, cultura, preferem da magrinha mesmo…

Mostra um pouco do homem, mas não a pior parte…

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Semana passada fui ao cinema com meu filho que escolheu Wall Street II. Lembrava pouco do primeiro filme, a não ser de ter vindo com a onda yuppie e de ter o Michael Douglas, que o meu filho chama de velho e para mim, velho, é o Kirk Douglas…

O filme é fraco, um tanto cheio de clichês demais, mas reconheço que estou sendo injusto, o povo do mercado financeiro não é muito diferente do que lá está. Mas Oliver Stone anda muito amigo de Chavez, imagino ele sendo contratado para fazer um filme sobre o pré-sal, vai criar inúmeros efeitos especiais. Ainda prefiro uma história bem contada à efeitos especiais engenhosos e neste filme, eles não tinham nada a ver.

Que o ser humano é dirigido pelo dinheiro, não é necessário ir ao cinema para ver, mas acredito que Stone apelou e mostrou facilmente o quão pouco se muda, poderia explorar mais as questões humanas, ele mesmo parece que bebeu do mesmo mal de Wall Street, os muitos milhões de dólares a administrar na conta!

Finalmente fui a Bienal. O que achei?

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Havia lido bastante coisa, mas não tinha ainda visto. Ontem fui à Bienal. Vi a merda, mas não os urubus. Minha filha de 6 anos, já havia ido com a escola, estava doida para nos mostrar a obra de Henrique Oliveira, o que uma pessoa que lá encontrei chamou de casa de Daniel Boone, ou outro personagem da minha infância.

Acho que se deve ir, mas não gostei. Entre outras coisas porque a mídia vídeo não é das minhas preferidas, e, na minha visão por um erro dos curadores, há um excesso de vídeo.

Se tivesse que escolher algo, correndo o risco de cometer alguma injustiça, optaria por Rodrigo Andrade, fazendo experiências com a velha e boa pintura…

O que buscamos?: Não adianta nos iludirmos…

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Há um artigo imperdível na Ilustríssima de hoje. Não comprei e não coloquei no meu radar de curto prazo as idéias de Marcelo Gleiser sobre o universo, não estou nesta fase, mas diante de um artigo na Folha de hoje, achei que não poderia recuar. Felizmente não fiz. Achei o artigo imperdível: A produra do fim da trilha. Gleiser fala de maneira lúcida sobre as implicações e limites de ciência e religião, dá aos que querem ter uma visão crítica diante da complexidade do mundo, uma salvação: o conformismo diante da assimetria e do pouco que sabemos e saberemos diante da natureza.

Deixo um melhor resumo mas a firme recomendação da leitura integral: [… Em outras palavras, além do círculo do conhecimento - que sempre cresce - existe a escuridão do não saber.

Belo perfil de Milton Hatoum

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Só agora li O Globo de sábado, 16/10/10 que tem no Segundo Caderno um belo perfil do escritor Milton Hatoum, quem se interessa por literatura não deve deixar de ler, dei uma procurada no link mas não achei.

Vem aí a série da Globo adaptada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho e baseada no livro consagrado Dois irmãos, nada a ver com o filme argentino que aqui critiquei…

Hatoum, tal qual Vargas Llosa agradece por ter vivido, literatura que brota da memória presencial, não imaginativa. Pelo menos descobri que tenho algo em comum, um mesmo sapato, já é um começo…

Dois irmãos caricatos demais…

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A vida está corrida demais, tem sobrado pouco tempo para o cinema, o que é sempre de se lamentar. Ontem, mesmo fatigado, aproveitei a brecha para ir. Meu filho de 13 anos, um desses que entrou com um maior para assistir Tropa de Elite 2, me encorajava a ver o filme, preferi algo que fosse menos perene, optamos por Dois Irmãos, filme do argentino Daniel Burman, gostei de seus filmes anteriores e tenho verdadeira fascinação pelo tema família.

Sai frustrado do cinema. Os personagens são fortes demais no sentido negativo. A atuação da fútil irmã carregada, o irmão bondoso fica abaixo e neutro, talvez como fosse a relação deles, mas suficiente para o desequilíbrio do filme. O humor fica impedido de vir a tona e os bons questionamentos ficam submersos diante da fórmula fácil da futilidade, sim muito presente, em vários exemplares da espécie.

Até questionei se era apenas um mal humor decorrente do cansaço. Mas concluí que se eu não estava nos melhores dias, Burman tampouco…

Frankfurt 3o. dia: hoje tentei vender e não comprar!

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Hoje experimentei um dia de Arthur Miller, na verdade de um personagem de Miller. Não lembro tanto de A morte do caixeiro viajante, mas estou seguro que não era positivo ao sonho americano e nem uma sucessão de acertos do personagem principal.

Hoje tentei vender um livro de um autor brasileiro em Frankfurt. Por mais que leia notas otimistas sobre a excitação dos estrangeiros com o Brasil, ainda acho que o que de fato querem é nos vender seus livros e autores. Fiz várias reuniões e obtive algumas posições de vamos ver, sim, os editores não vem para cá, aqui estão as pessoas de direitos autorais, doidas para te vender um livro, qualquer livro. Os agentes também preferem o lado onde o fluxo é maior. O meu autor era de publicidade, alguns abertamente não trabalham com esse segmento, lembra, os agentes são a parte mais charmosa do mercado, alguns a parte mais “intelectualizada” se é que isso existe no mercado editorial, então publicidade não é algo assim facilmente aceitável. Mas a mesma pessoa que não trabalha com publicidade tenta te vender um texto não muito diferente do que a publicidade faz, incoerências humanas…

Sigo meu desafio, aqui plantei, cobro por email, o lançamento do livro na Espanha deve ajudar as vendas internacionais. Eu terei que como o livro, Fazer acontecer.

De resto visitas a estandes menos óbvios, nunca sei se é produtivo, mas o mercado editorial é isso, muitas vezes uma pescaria em mares menos óbvios. Mas aviso aos meus autores que li e concordo bastante com as posições de Douglas Rushkoff, a melhor parte do TOC Frankfurt 2010, o mercado precisa ser reinventado. Se quiser saber um pouco mais sobre como esse autor consagrado e dissidente vê o mercado editorial, clique na capa do seu novo livro abaixo, publicado por uma editora pequena e com venda exclusiva através do site dela, há o link para uma bela entrevista com ele na revista digital Arthur.

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Frankfurt: 2o. dia

Achei a feira hoje mais cheia, tão cansativa quanto, reuniões menos interessantes, ainda tenho mais um dia mas o corpo já reclama e lembro do Murakami em vários momentos, que aliás está tendo um ótimo destaque no pavilhão alemão, seu novo livro por aqui, bem grandinho, saiu no capricho, capa prateada e eu não tenho treinado. A maratona se aproxima e o trabalho tem consumido meu corpo, aliás, não tenho nem treinado, nem corrigido meu livro, assim o japonês só vai aumentar a diferença.

No final da noite um ótimo jantar no Alter Opera, pensei que seria uma festa, mas foi um jantar privado, oferecido por uma editora inglesa, bom o suficiente para me restabelecer, hoje não estava fácil, amanhã tem mais, apresentarei o Joaquim Nabuco para este site e para o mundo…

Não foi presidente, mas ganhou o Nobel…

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Nem todo mundo consegue ser presidente da república e ganhar um prêmio Nobel. Barack Obama conseguiu, um deles injustamente, o Nobel, na minha opinião uma escolha mais política do que o necessário, mesmo porque seu país até agora promoveu pouca paz no mundo. Mas um perdedor como presidente, algo que acredito tenha salvo sua biografia, e que agora foi escolhido para o prêmio Nobel é o peruano Mario Vargas Llosa. O prêmio de Literatura acrescenta mais do que o da paz, digo isso sem nenhum instinto bélico, nem medo de estar falando a besteira. Se tivesse que escolher para viver e conversar, escolheria os de literatura.

Como leitor confesso que desde o J. M. Coetzee não ficava tão feliz com uma escolha. Torço sempre por Philip Roth e quase sempre me frustro com as escolhas da academia. Senti novamente por Roth, mas fico muito feliz por Llosa, um excelente escritor. Agora, falando de coisas pequenas, na antiga disputa dele com o outro latino contemporâneo, Gabriel Garcia Marques, não lembro quem roubou de quem, quem bateu em quem, o equilíbrio está restabelecido, mas eu prefiro Llosa, um prêmio aos meus olhos justo e digno. Llosa é daqueles de quem vale a pena ter todos os livros na biblioteca.

Mais uma feira de Frankfurt

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Insisto na teoria que editor que é editor tem que vir a Frankfurt. A feira perde visitantes, não vejo mais filas para pegar os ônibus internos, não há pessoas se acotovelando na hora de comer as frankfurters e nem a necessidade de deixar o depósito dos copos, mas ainda assim é onde a comunidade do livro se manifesta, nem que seja a teórica comunidade do e-book, sim ela existe, há aqui um grande estande onde vários dos hardwares se encontram disponíveis, a enorme maioria com painel em chinês ou outra língua parecida…

Mas Frankfurt é onde se pode ver a parte nobre do mercado editorial, os agentes literários, se não a nobre, pelo menos a mais charmosa… São no fundo vendedores, mas a grande maioria consegue disfarçar bem, afinal vendem produtos dos mais interessantes, é claro que todos têm aquele livro que não sabem, aquele que não gostam, mas sempre há também aquele que adoraram, aquele de quem gostam do autor, do editor, é enfim uma atividade de pessoas para pessoas e muita contação de história.

Estou em busca de novos títulos para 2011, ano onde a editora acelerará bastante, seja no papel, para contentar o meu lado leitor, seja no digital, para contentar o meu lado empresário. Tenho visto coisas interessantes, espero adotar a estratégia adequada para pagar o preço correto, há sempre o concorrente do momento disposto a mostrar poder e inflacionar o mercado.

Hoje andei alguns kms, um vai e vem grande, amanhã e depois tem mais. Amanhã passo visitar os hermanos argentinos e ver o que fizeram com a escolha de convidados de honra.

Bauhaus: arquivos e reflexões

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Sou um fã intuitivo da Bauhaus. Quando tive experiência no mercado de móveis utilizei-os como fonte de inspiração, esteticamente sempre me pareceu uma corrente a qual eu gostaria de ter pertencido. Alguns de seus professores reafirmaram sua importância depois da extinção da escola.

Fui visitar o Bauhaus Archive em Berlim, só falta mesmo visitar o espaço que a escola ocupou em Dessau, já estive em Weimar, berço e agora em Berlim, túmulo. Nos dois extremos um arquivo bem menor do que se poderia imaginar. Em Berlim está sendo construído um novo prédio, apenas 35% do acervo está exposto, mas a visita é frustrante. Visita frustrante leva pelo menos a reflexões mais profundas: a função de fato sobrepõe a forma?

Walter Gropius, fundador da escola, esteve a meu ver, apesar da distância ideológica, o mais próximo possível da oportunidade de fazer a função cobrir a forma. Para o humano isso não é tão garantido… A função sempre é algo que, para mim, muitas vezes ultrapassa os limites humanos, desejosos de um tanto de besteira, de falta de objetividade. O nazismo foi para mim uma tentativa de robotizar e eliminar esse lado “feio” do homem. Se Gropius e seus colegas, contemporâneos do louco de Hitler, também o assustaram, acho que não encontrariam conforto em nenhuma sociedade…

Gropius, devemos sim buscar a função, mas é humano se encantar com a forma…

Daimler Collection: não é tão fácil de achar…

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Se você decidir ir visitar a Daimler Collection prepare-se. Não fique procurando um prédio compatível com a suposta imagem da “firma” que lhe empresta o nome. Eles investem em carro, não em arte, pelo menos foi essa a impressão que tive. Não consegui ver nada do acervo, depois de muito procurar numa ruazinha, fica no 4o. andar de um prédio sem nenhuma indicação, pudemos ver uma coletiva de artistas da África do Sul, pouco empolgante.

Muro de Berlim: Há 20 anos a Alemanha se integrava, integrou-se?

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O entusiasmo ao celebrar os 20 anos da unificação da Alemanha, a queda do Muro de Berlim, quem tem de 40 ou mais lembra do quão mítico era a junção daqueles tijolos,  foi pautado pelo sangue quente dos alemães… Eu fiz a minha parte, corri uns 18 kms pela cidade de manhã e nada vi. A tarde fui visitar alguns museus e continuei sem nada ver.

O que li por aqui é que o muro caiu, restam algumas partes, suporte para grafiteiros, mas ele ainda continua. Reclamações de que a unificação foi supostamente a junção de tudo de bom que veio da parte oeste com tudo de ruim que veio da parte leste, assim fica complexo. Não conhecia Berlim, uma cidade das mais interessantes, mas as questões continuam pendentes. Essa é uma capacidade humana, criar barreiras, físicas ou imaginárias. Corri pelos dois lados, os portões de Brandemburgo estavam cercados por faixas da Coca-Cola, melhor do que por exércitos e em disputa militar e política…

Toda a unanimidade é burra, ou interesseira…

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Não tenho sido o melhor cinéfilo neste ano, o que é sempre uma pena, não aderi aos filmes em vídeo, ou dvd, ou sei lá como chama a atual tecnologia, mesmo indo pouco ao cinema, ainda assisto mais filme nessa mídia do que em outras. Dos concorrentes brasileiros à indicação para Oscar de melhor filme estrangeiro acredito que não assisti nenhum, nem mesmo o indicado, o filme do Fábio Barreto que não aconteceu no Brasil, mesmo com toda a popularidade do presidente.

Mas o que me chamou a atenção foi o fato do filme ter recebido os 9 votos dos jurados, deles só me lembro mesmo do León Cakoff, de quem admiro a empreitada da Mostra Internacional de São Paulo, ou seja, por unanimidade, um filme por todos classificado de forma sempre desconfiada. Estranho? Interesses? Previsão de verbas futuras? Sei lá. Mas há na Veja uma notinha reclamando do apoio da Vale ao novo filme do Jabor, tido teoricamente como “tucano” e aumentando a indisposição do presidente “quase-muito longe estadista” e o CEO da firma. É, Roger Agnelli não depende de verbas públicas para seus projetos, talvez dependa do mesmo aval para manter a posição, mas o cinema brasileiro continua atrelado ao estado, aliás, como vários outros quando não se encaixa no modelo Hollywood de ser.