A ilusão da justiça
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Quem acompanha este blog, meus comentários de leitura e os livros que entram na minha biblioteca, sabe o quanto admiro a Companhia das Letras, mas deixar O processo ficar esgotado é sinal vermelho, ponto negativo no caderno de chamada.
Deu um trabalho comprar nos sebos (por que não quis a edição de bolso? Porque é menor e porque meus outros livros do Kafka são dessa coleção), é fácil encontrar umas edições duvidosas, nem todo livro, é o mesmo livro…
Agora já me sinto menos burro, ainda falta O castelo e outros poucos, mas pelo menos a visão de Franz Kafka sobre culpa, acusação e artimanhas da justiça, já tenho.
Prefiro essa criação do que a da barata, o absurdo tem um paralelo muito próximo às formas normais, possíveis no dia-a-dia, menos caricato. O livro faz a gente pensar sobre como passamos a vida tentando entender sobre o que somos julgados. E também, essa incessante mania humana de agir de um lado, contra a justiça, de forma tacanha, e de outro, querer acreditar que ela existe. É dessa neurose humana que o livro fala, e fala bem. Já tinha lido a história do porteiro e do homem do campo. Não é só para entrar na lei que as barreiras aparecem e precisam ser destruídas. Essa é uma das mais belas criações. A falha é que muitos a lêem e ficam exatamente como o homem rural…
Ah, é claro que parece que o ritmo da justiça brasileira escolheu homenagear o autor tcheco.
