Assunto: Indicação sem ler



Livro bacana para crianças

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Quem estiver perto da Vila Madalena e tem filho pequeno deve ir. Quem está longe, também pode ir. A Tatiana Filinto lança amanhã (dia 2/10, tarde) na Vila da Fradique Coutinho o seu livro A menor ilha do mundo, as ilustrações são da Graziella Mattar. Ainda não li, vou comprar para minha filhota mas me parece bem bacana, vai ter atividade, aliás, algo frequente e quase um diferencial das lojas da Vila.

Nós olhos dos outros é refresco

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O jornalista Daniel Piza lança esta semana seu novo livro. Abandona temporariamente o estilingue e se coloca como vidraça, daquelas de arquitetura contemporânea, grande, com muito vidro. Noites urbanas foi criticado pela Folha de S. Paulo, não li para afirmar que foi sem base no livro e sim na pessoa, como parece afirmar a pessoa. Piza é feroz em sua coluna, tem não só o direito, mas também o dever. Mas Piza é também humano, o que no interesse desse post, quer dizer vaidoso, e parece lidar mal com a crítica. Na minha opinião deveria aguentar calado, não o fez, utilizou o espaço da sua coluna para atacar, um ataque leve, mesmo assim um ataque defensivo, não deixou os leitores julgarem, como o faz quando é o estilingue em várias obras que aborda no Estadão. Noites urbanas será lançado na Vila da Lorena esta semana.

É duro ser coerente, ainda mais quando, e quase sempre, se quer também ser o outro, do lado de lá…

Amor se toma?

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Na quarta fui ao lançamento do livro A pílula do amor. Quem acompanha este blog percebe já pelo título que é diferente do que geralmente leio. O que fui fazer lá? Como também já citei aqui, compartilho com o editor Peter Suhrkamp, a opinião que se editam autores e não livros, nem todos os colegas pensam assim.

Quando conheci a Drica, segundo me revelou, há 10 anos, era um editor menos experiente do que hoje, mas ainda acredito que é possível e necessário garimpar, esse é o bacana de um editor, na verdade um jogador disfarçado que tem sua recompensa quando descobre um autor. A série De menina à mulher foi um sucesso na minha editora, continuou vendendo bem para quem eu vendi, mudou para a Rocco e vai ter um livro novo chegando, já foram mais de 100.000 exemplares, chegou até onde eu sei, à Portugal. Drica escreveu outros livros, esse, é o primeiro para um público adulto. Se soube mudar de público, não sei, minha lista de leitura anda grande.

Mas fui lá com um ar de criador observar orgulhoso a criatura. O mercado editorial é dos mais vaidosos… Se identifiquei nela a conexão com meninas jovens e adolescentes, cabe a sua editora atual julgar seu talento para falar com mulheres que já não são mais meninas…

Lendo no futuro: não perca o Prosa & Verso de hoje

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O caderno Prosa & Verso do Globo de hoje tem uma interessante abordagem sobre o futuro do livro. Além de falar sobre o livro que Umberto Eco e Jean-Claude Carrière estão lançando no Brasil: não contem com o fim do livro, traz uma ótima entrevista com Robert Darnton, diretor da biblioteca de Harvard, presença em agosto na Flip, e um dos maiores especialistas nessa discussão de digitalização.

A entrevista discute a questão das bibliotecas (algo inexistente no Brasil, como editor eu não desprezaria a chance de viver de vendas para bibliotecas, apesar de buscar meu público), e a questão das digitalizações do Google, suas vantagens e principalmente alguns de seus possíveis riscos.

Iluminista, defende o acesso irrestrito de todos ao conhecimento. Se por um lado isso até caminhou, as barreiras econômicas parecem ser mais frágeis do que a da “idiotização” do entretenimento (opinião minha), por outro, há questões pendentes de acesso digital.

Está sendo lançado no Brasil seu livro: A questão dos livros: passado, presente e futuro. Vale conferir o jornal e as duas indicações.

Mrs. Dalloway, Pondé, os monstros internos e a falta de livros

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Assumo que não li Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf, aliás estou em débito com a autora, e quem se prejudica é claro que sou eu… Mas li a coluna do Pondé na Ilustrada de hoje e fiquei com muita vontade de ler o livro, procurei na internet e as edições da Nova Fronteira estão esgotadas… Quem ler a coluna e se interessar deve buscar a solução em algum sebo ou encalhe nas livrarias.

Lembro pouco do filme inspirado no livro, As horas, minha seletiva e errante memória lembra que a atriz, Nicole Kidman, chegou a fazer uma plástica para tal interpretação, que deve ter lhe dado algum prêmio, jurados são sensíveis a esses esforços, mas o que me interessou na coluna foram os monstros, sim os monstros internos que temos e não gostamos de admitir. Falava sobre isso ontem, a coluna foi quase sincronicidade, conceito que interpreto apenas de maneira ativa. É muito fácil se entregar a uma vida sem sentido, o vazio tem massa e ocupa espaço, desaloja e é mais comum do que gostamos de admitir, lutar contra ele também é muitas vezes uma ação desprovida de sentido, mas assumi que quero correr este risco, descobrir o vazio final, depois de muito esforço…

Ainda vou acabar lendo Woolf, mas se não lê-la agora, leia pelo menos a coluna do Pondé e de uma refletida, deixo aqui o final, como isca para você pegar do começo:”Entre as funções da civilização, uma é a tentativa de calar esses monstros criando ritos, rituais, festas para celebrar a frágil vitória contra essas criaturas deformadas, atormentadas pelo completo desinteresse pela vida. A verdade é que não há como civilizá-las, a não ser ensiná-las, que elas não têm lugar no mundo dos vivos e que, por isso, devem sucumbir à rotina da infelicidade como norma de vida”. Pessimista? Melhor checar!

Essa eu respeito e admiro: Dora Kramer

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Infelizmente ontem não consegui comparecer a noite de autógrafos do livro da Dora Kramer na livraria da Vila. Lamentei bastante, sou fã assumido de seus textos no Estadão, a ponto de pensar em comprar um livro com eles para poder depois, em algum período futuro da vida recordar como era essa tal minha existência, pelo menos no que diz respeito aos acontecimentos políticos.

Julgo-a de uma mente privilegiada, de uma lucidez e amplitude de visão das melhores. Deixo aberto a possibilidade de termos um alinhamento ideológico, e aí, o que ela escreve, muitas vezes parecer música para os meus ouvidos. Mas além da visão, gosto bastante do estilo de escrever e cutucar. O livro chama-se O poder pelo avesso, a editora é a Barcarola. No Rio de Janeiro o lançamento é amanhã, se as chuvas permitirem e o Eduardo Paes começar a fazer algo além de culpar os céus…

Não é de hoje…

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Não pretendo ler Oito séculos de delírios financeiros. Gosto do assunto, mas não é minha área de atuação para mergulhar em 900 páginas, tamanho volume de bate pronto, apenas Um homem sem qualidades, Dom Quixote e Irmãos Karamázov

Mas li entrevista esta semana com um dos autores, o professor de Harvard, Kenneth Rogoff. Tal como ele, também fico indignado que empresas privadas, auxiliadas com dinheiro público, já compartilham seus lucros com a direção, sem compartilhar com os contribuintes…

O professor fala de como as pessoas acreditam que desta vez tudo vai ser diferente e continuam a reproduzir o cenário habitual de crise. Só para dar uma idéia, a Grécia passou metade de sua existência independente sem pagar suas dívidas. Ah, esses gregos, que caloteiros. Nós brasileiros, não, apenas um quarto do tempo.

Se eu não preciso ler, os que sonham em integrar as novas equipes econômicas, esses devem, para minimizarmos os riscos de novos delírios por aqui. Continuemos nessa forte expectativa que o país do futuro está virando do presente, ultrapassado por China, mas do presente, já é bastante, já vai ter oportunidade para todos…

Missa do galo e contos inéditos no Estadão de hoje

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A foto acima é do Efe, também fotógrafo do Estado, mas tal como Machado de Assis, é apenas um pano de fundo para falarmos de outra coisa. Para Machado da atração de um jovem com uma mulher casada, aqui do encarte de hoje do jornal, trazendo vários contos natalinos. Apesar de não duvidar da qualidade dos autores, reli apenas o Missa do Galo de Machado de Assis, mesmo assim, a iniciativa é muito boa, com certeza, privilegiei outras leituras e saí perdendo. Mas a vida de um leitor é feita de escolhas, e eu, para variar, atrasado com a minha leitura e minha escrita. Fica a dica.

Maus escritores, a escrita ganha força

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Tenho uma frase minha que reflete meu quase sempre pessimista estado de espírito quanto a leitura no Brasil: neste país há mais gente querendo escrever um livro do que ler um livro…

Mas eu quero ler, vários, quem acompanha esse blog sabe que corro atrás da leitura e, mais do que isso, garanto o abastecimento da estante. Ontem fui até o Barco para prestigiar duas colegas que viraram amigas. Fizemos juntos um curso de escrita na livraria da Vila, o curso serviu de ponto de partida, cada um foi para um lado, mas a Ana Botelho e a Marisa Tiemann tem se dedicado bastante a escrever. Fizeram um segundo round de oficina lá no Barco com o Marcelino Freire, escritor agitado, agitador inflamado e coordenador desta edição, resultado da oficina.

A cada um dos 16 oficinandos foi dada uma frase de escritor como inspiração. A partir daí cada um seguiu seu estilo e vontade. Li pouco mais do que as minhas duas amigas, as quais é possível sentir não apenas evolução, mas também a diversidade. Uma é mais solta, trata o sexo com mais naturalidade, outra ainda se prende um pouco num julgamento moral. A mais solta ainda não tem herdeiros, a mais presa, duas. Será isso que faz escritores escolherem caminhos diferentes? De onde se veio ou para onde se vai? Acho que não, cada texto pode ou não refletir o que se vive, depende muito do momento em que se bate num teclado. Se quiser saber mais, entre em contato lá com O Barco, ligado a galeria Virgílio. 

Ah, li todos os perfis de mau produzidos ao final de cada texto, são deliciosos.

Dá para ser feliz e trabalhar?

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Sai esta semana o novo livro do filósofo Alain de Botton, criticado por alguns, amados por outros, tem sua obra voltada para a popularização da filosofia, trazê-la a um público mais amplo.

As vezes tenho receio de estar diante do Gabriel Chalita da Suiça/Inglaterra, se bem que Botton é mais modesto, não publicou muito mais do que 10 livros, longe dos 30 do Chalita e aborda temas mais difíceis e menos populares que o daqui, sem fraquejar logo de largada na facilidade e sem receio de contrariar o leitor, pontos também raros na obra de Chalita.

Os prazeres e desparazeres do trabalho assume que até dá para ser feliz no trabalho, mas apenas para uma minoria. Antes de olhar o livro, dá uma checada na entrevista dele hoje na Folha.

Papo na Barracuda - Educação de um bandido - biografia de quem?

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Por meio de uma amiga em comum fui visitar a Barracuda e o Alfred Bilyk, editor boa gente e outro apaixonado por livros. Choro de editor daqui, choro de editor dali, impressões sobre o mercado e a tradicional troca de livros, dei um Mergulho na base da pirâmide e recebi o Educação de um bandido, de Edward Bunker, leitura altamente recomendada por ele, a autobiografia de um “criminoso” sem pena de si, pretendo ler um dia, agora não vai dar.

Mas olhando a situação geral, este livro poderia ter sido escrito por muitos brasileiros que aparecem na mídia nos últimos tempos, acredito que os bandidos daqui não teriam o talento do de lá, apesar de alguns até se posicionarem como escritores…

Comprei, mas não para ler agora, ainda preciso ser o verdadeiro leitor apaixonado

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Comprei para não ler, pelo menos por agora, ainda tenho muita coisa para ler antes de ler sobre, é claro que vou me contradizer, mas vou deixar o Ruy Castro como contraponto, quando me encantar ou não gostar .de algum dos mencionados lá, vejo o que representou pelo Ruy, sigo lendo Philip Roth e outros.

São 45 artigos selecionados pela patroa, dele, dando uma visão da literatura. Ruy tem uma bela biblioteca, uma ótima coleção de discos e também de filmes, alguém que botou o dinheiro que ganhou nas estantes, alguém interessante… Mais profundo que os proprietários de casas minimalistas…

Centenário de Joaquim Nabuco

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A Ilustrada de hoje traz matéria sobre o centenário da morte de Joaquim Nabuco a ser celebrado no ano que vem. Daí não perca a oportunidade de comprar o que espero que seja reeditado: Dicionário de trechos escolhidos de Joaquim Nabuco, de Octavio Bueno Magano, da Editora Expressão e Cultura em parceria com a Esplanada.

Uma obra que permite uma leitura rápida dos principais conceitos escritos por esse brasileiro diferenciado. Uma vez enviei para uma amiga a definição que ele criou para mostrar a ela, emigrada para os Estados Unidos, como vê esse país:

Não se pode dizer deste país [Estados Unidos] que tenha um ideal. É o país prático por excelência, e que tem a admirável qualidade de, bem ou mal, governar-se a si mesmo. Não lhe falta manhood, mas tudo nele preenche um fim material. O americano é, acima de tudo, um homem positivo, em cuja vida a metafísica tem pequena parte; reconhece a cada instante que a vida é um business, que é preciso um lastro para não afundar nela; põe a arte, a ciência, a cultura, a polity, depois do que é essencial, isto é, do dólar, indo sempre ahead como a locomotiva, tratando a mulher com o maior respeito, mas na vida prática como uma obstruction, por isso entregando-a a ela mesma, ambicionando, acima de tudo, a riqueza de um grande operator de Wall Street, depois a influência de um boss, insensível à inveja, à má vontade, ao comentário, a tudo o que em outros países emaranha, complica e, às vezes, inutiliza grandes carreiras; nunca procurando o prazer para si, dando-se aos hóspedes em sua casa, como se dão brinquedos às crianças, superior às contrariedades, sóbrio de dor, calmo na morte dos seus, e tratando a própria apenas como uma questão de seguro” (em 1900).

Minha amiga, que casou com um americano mais de 100 anos depois, concorda com ele…

Para leitores e editores curiosos - História do livro

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Passear pelo Rio de Janeiro é uma sensação diferente, principalmente para os paulistanos, o oposto acontece com os cariocas, nós invejamos uma certa informalidade, a vida mais despojada, e eles, a precisão, o acerto. Cada um buscando o do outro. É verdade que a livraria da Vila já supri bem as carências de quem antes passeava pelo Rio, era Argumento e Travessa a nos deixarem morrendo de inveja.

Desta vez não tive tempo de ir até a Travessa, mas na Argumento descobri este História do livro, do francês, Frédéric Barbier, só li a introdução, mas pretendo sim ler inteiro, por curiosidade, formação intelectual e principalmente busca de diferenciais profissionais.

Parece bem detalhado, tive dificuldade de encontrar nas livrarias virtuais, ou seja, se o que uma livraria deveria ter, era livro que fala de livros, um mínimo de defesa e estímulo ao próprio mercado. Mas todo mundo que já se aproximou de uma editora sabe que nem sempre a livraria é uma parceira natural…

Pelo que se luta? Diário de Fernando

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Ontem tive um encontro de amigos. Um de 30 anos, outro de 36 anos, ou seja, amigos de longa data, rejuntados pela vida, chegando até aqui por caminhos dos mais diferentes.

Ganhei do que é frade, sim, um ateu com um amigo frade, um exemplar do novo livro do Frei Betto, Diário de Fernando. Exemplar com a dedicatória direta: muita fome de justiça.

Encontro poucos interlocutores nos representantes divinos, tenho um especial respeito pelos dominicanos, passado recente e presente. Admiro Frei Betto, escreve artigos no limite, passou pelo poder e foi dos poucos que de lá se afastou, me parece que por descordar do rumo dado, pelos que supostamente lutaram mais ao extremos, ao sentarem-se nas cadeiras do poder (não li A mosca azul, mas lá isso deve ser mais abordado, aliás, fica a provocação a Betto, escrever um perfil de Lula, antes, durante e depois do poder, será ilustrativo e legitimo).

Pretendo ler Diário de Fernando, ainda sinto uma culpa de outro por não ter nascido alguns anos antes e ter combatido de forma mais efetiva a ditadura, mas agora tenho um “programa” de leitura montado. As condições em que foi escrito e viabilizado, pelo frei Fernando de Brito, em letras minúsculas de papel de seda, posteriormente enroladas dentro de uma caneta bic trocada pelo visitante da semana, já justificam. Antes de colocá-lo nesta seção da biblioteca, li a introdução e também acho que as memórias de alguns, de várias matizes, precisam sim tornar-se perenes e subversivas (quando o autor cita o filósofo Walter Benjamin).

Mas fazendo uma auto-análise, talvez os três amigos de ontem, 20 anos atrás aderissem a luta contra a ditadura de corpo e alma. Nos dias de hoje, talvez colocássemos apenas a alma. Será que o mesmo se passaria com os frades dominicanos presos? Com os outros jovens que perderam suas vidas ou ganharam marcas em seus corpos e mentes? Ou seja, mudei eu, mudou o entorno, mudamos todos?

Resistir é possível!

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Por enquanto apenas li o posfácio de Hammerstein ou a obstinação, onde o autor explica porque não o considera um romance e como foi se aproximando da história do general e comandante do exército Kurt von Hammerstein-Equord. Hammerstein, apesar de toda a sedução e força popular na direção de Hitler, não o apoiou, manteve-se a margem e sofreu, junto com sua família a consequência disto.

Comprei também porque na orelha há uma menção a gênero indefinível, o autor explica o recurso da conversa entre mortos e vivos para explicar pontos da história e da sua utilização de fontes de pesquisa. Mas comprei principalmente para ver, pelas lentes de um lúcido intelectual, um pouco mais do período e das condições de formação de tamanho mal, reforçando algumas máximas de Bertrand Russell que apontam que muitas vezes se a maioria aponta numa direção, essa é a garantia do caminho errado, tão e simplesmente, pela qualidade da amostra média do gênero humano.

Minha fila de leitura está enorme, meu volume de trabalho grande, mas vou começar. Hoje descobri quatro livros começados, isso não me importa, o que me assusta, é que só lembrava de dois… Fica a dica.

A consciência até desaliena! Pena que não em todos

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O Caderno Aliás de ontem revelou um personagem para mim desconhecido, o desembargador Márcio Moraes, então jovem juiz que no ano de 1978, numa jogada do sistema (passaram um processo de enorme peso para um jovem substituto com receio que o titular, a beira da aposentadoria já não temesse mais o futuro e tomasse decisão na direção que Moraes resolveu seguir), que saiu pela culatra, escolheu abandonar o medo e a alienação e como declarou no jornal fez uma opção: “uma encruzilhada pessoal, em que tive de ser digno da situação que o destino me colocou ou não poderia mais me olhar no espelho”.

Condenou a União Federal e contribuiu para a abertura política. Recebeu ameaças, arriscou seu futuro e o da família, mas preservou o espelho. É interessante como alguém sem participação política, sem maiores questões ideológicas e que até tinha ficado comendo pastel num bar, numa manifestação e desafio contra o sistema quando da morte do Vlado, teve consciência que há horas em que não se pode recuar. Esse acordou no timing certo, deve ter tido uma vida mais leve que a do Curió do post abaixo…

Valeu Márcio Moraes, fez mais do que muito dos corajosos que pegaram em armas e hoje atiram contra suas próprias biografias, e o pior, de dentro do poder!

Não li Meu querido Vlado do Paulo Markun, lançado pela Objetiva em 2005, mas já li outros livros dele. Escreve bem, tinha um envolvimento próximo com o assunto e deve ter relatado coisas interessantes. Fica à sugestão para os interessados no assunto.

Trabalho com as mãos dá satisfação intelectual

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Richard Sennett é um sociólogo americano que dá aulas em Londres, London School of Economics, e estuda, entre outras coisas, a relação entre o trabalho manual e o intelectual.

Seu novo livro, O artífice, acaba de ser traduzido. Sennett é um dos principais pensadores sobre trabalho e ética nos tempos atuais. Para ele o problema é que a sociedade separou a cabeça das mãos, o intelecto do social. O importante é que as pessoas retomem o “vício” do artesão de querer fazer bem feito, por fazer bem feito. Não é positivo que tenham apenas essas sensações com relação aos seus hobbies. As empresas não podem abrir mão disto, e nem as pessoas, ou seja, todos devem caminhar na mesma direção. Vale a leitura! Pretendo fazê-la.