Assunto: Indicação sem ler



Para quem quer olhar a vida pelas lentes de uma máquina

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Na última quinta passei correndo no lançamento do Bob Wolfenson, Cartas a um jovem fotógrafo, aliás, lancei os três primeiros livros dessa coleção, Herdeiro, Terapeuta e Chef (Renato Bernhoeft, Contardo Calligaris e Laurent Suadeau),  antes de ir para o do Mergulho na base da pirâmide. Admiro bastante o trabalho do Bob, não só como fotógrafo, mas também como editor de revistas, já fiz o comercial da revista S/N, e artista.

O livro conta a história do Bob e uma parte da fotografia brasileira, do Bom Retiro para o mundo.

Marcelo Coelho e a Serrote

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Como alguém no mínimo metido a inteligente, comprei logo que saiu o meu exemplar da Serrote, revista cultural (ensaios, idéias e literatura) do Instituto Moreira Salles. Aliás, eis um espaço para uma denúncia: Não sei se é coincidência, mas desde a fusão do Itaú com o Unibanco, notei uma certa alteração na programação dos cinemas do Unibanco Arteplex, vejo lá filmes que antes pareciam não casar com as salas, espero que não tenha nada a ver com isso, que não seja uma pressão por mais retorno ou ebitda nos ingressos, uma popularização, já existem muitos Cinemarks por aí para oferecer os blockbusters (por ironia, operação fracassada dos Moreira Salles).

O que estou insinuando é que, se no lado do negócio os Setúbal-Villela venceram, no lado cultural, sempre preferi os Moreira Salles. Gasto sim meu tempo com a viagem do João Moreira Salles na Piauí, cabe lembrar que num número, quando houve uma denúncia sobre um editor meu amigo, denúncia justa e merecida, liguei para tirar um sarro e é óbvio que ele não tinha visto, preocupado de início, tranquilizou-se após constatar que no mercado das livrarias ninguém lia a Piauí. Eu leio e isso talvez me condene a editar livros que precisam brigar mais por espaço nas livrarias com outros que se vendem sozinhos, vender eles vendem, acrescentam ao caixa das lojase editoras, mas muito pouco ao estoque de conteúdo dos leitores…

Comprei a Serrote há três semanas e fiquei aliviado ao ler a coluna do Marcelo Coelho hoje na Folha, minha pilha da Piauí tem apenas o número de abril, a próxima deve sair apenas semana que vem, acho que no feriado, encaro isso e fico em dia. Já a Serrote aguarda a leitura de no mínimo o artigo do Google e o futuro dos livros e os aforismo do Kafka, mas corre-se o risco de um fato positivo, a pressão é só quadrimestral, causar um efeito indesejado, deixá-la de lado porque tenho tempo e apenas colecioná-la e não aproveitar de seu conteúdo e estética. Vou fugir disso, o artigo do xará Coelho também colocou mais pressão no meu feriado. Dê uma verificada, acho que vale dedicar um tempo para pensar e refletir, porque depois, quando já não for possível, não adiantará reclamar…

Livro Fetiche, sua biblioteca merece

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É com inveja, já sei que ela nunca é positiva, mas eu gostaria sim de ter editado e lançado esses livros. O trabalho da Companhia das Letras é incrível, eu já comprei os três. Precisando tomar um contato profundo com a obra de Lygia, consciente de que dificilmente teria uma obra da Beatriz Milhazes nas minhas paredes, comprei os três, e depois decido o que vou ou consigo ler.

Além da edição atualizada os livros trazem posfácios de autores ou estudiosos interessantes da literatura brasileira e outros textos, sejam entrevistas, depoimentos ou prefácios originais. Um belíssimo trabalho, até para quem já tem ou leu. Qualquer biblioteca merece várias edições de uma boa obra, por que não de Invenção e memórias, As meninas e Antes do baile verde.  Nesse caso, a obra de Lygia estava sendo meio maltratadinha lá na Rocco. Parabéns ao Luiz Schwarcz e toda sua equipe. Se eu fiquei com inveja para editar, muitos escritores ficarão com inveja para ter sua obra em padrão parecido…

É possível amar demais? Autores e idéias

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Para quem é de São Paulo eis uma dica das mais interessantes. O romancista Tales Guaracy criou e apresenta junto à Livraria da Vila no Shopping Cidade Jardim os encontros Autores e Idéias.

Na segunda fui ver o último, anteriormente havia acontecido com o Walcyr Carrasco. A entrevista, um pouco indisciplinada, cacoete do ofício era a jornalista Marília Gabriela. O tema, amar demais, refletido em seu último livro Eu que amo tanto. Não li, fui ontem comprar, mas confesso que o preço e o projeto gráfico me desanimaram, optei por ficar com a discussão que  foi das mais interessantes.

Acho Marília Gabriela uma pessoa das mais interessantes e corajosas, fui ver sua peça sobre a Hillary Clinton, na verdade sobre uma mulher forte e poderosa e não gostei da sua performance como atriz, mas concordo e aplaudo sua inquietude em tentar dar valor e sentido a vida, não querer ficar taxada e acomodada como entrevistadora. Triste é ouvir de alguém de seu nível e preparo o quanto as pautas ficam sujeitas a mediocridade da televisão, e que nos dias de hoje, um canal a cabo, devido aos números envolvidos, não tem espaço para coisas um pouco menos massificadas. A discussão foi rica e capaz de deixar nas mulheres, sejam as que amam demais, nas infelizes e desencontradas, nas culpadas, nas vazias e peruas, nas batalhadoras a sensação de que mulheres são mesmo uma espécie à parte, se a Marília Gabriela mostra-se uma mãe frágil e ainda preocupada com a culpa por possivelmente ter estado ausente em algum momento, não cobro mais da minha mulher a “obrigação” do equilíbrio, vou confortá-la que é assim, mas talvez, seja melhor sentir-se culpada entrevistando, cantando, atuando, testando seus limites do que simplesmente se deprimindo em casa. Mulheres deveriam prestar atenção. Homens também, todos deveriam olhar quando e quem será o próximo entrevistado…

Você deveria estar lendo este blog?

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Já devo ter dito por aqui o quanto aprecio a seriedade e clareza de raciocínio do Eugênio Bucci, um dia ainda sonho que vá escrever sobre os bastidores do governo Lula, talvez ainda lhe falte um desprendimento ideológico com a idealização do passado, talvez nunca se livre disso, e eu entenderei, mas governo Lula à parte, suas colunas na página 2 do Estadão são sempre interessantes.

A de hoje fala sobre o livro de Andrew Keen, recentemente lançado no Brasil pela Zahar, O culto do amador. Não li o livro, acho que não vou ler, mas concordo com a tese. Bucci poderia apenas ter escrito o primeiro parágrafo do texto e já teria dito quase tudo, utilizou-se de Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro e seu Torresmo à milaneza: “Vamos almoçar/Sentados na calçada/Conversar sobre isso e aquilo/Coisas que nóis não entende nada”. Isso é maioria na internet. Um monte de gente que não entende nada sobre um assunto falando e sendo”ouvido”. Incluo na lista este blog, por mais sério e cuidadoso que tento ser.

É inegável que há uma banalização nesses tempos e ela pode nos ser cruel, um caminho sem volta. Não estou defendendo o fim ou retorno ludita, mas sofro para provar para o meu filho que a Wikipédia e o Google, por mais fortes e poderosos que sejam, não são as melhores fontes para seus trabalhos, são uma opção que, se bem utilizada, pode ser muito interessante, complementar, indicativa de caminho.  O problema, é que as pessoas não tem paciência, não estão procurando caminhos, estão procurando atalhos, é por isso que não vão chegar, mas também não vão saber. Perigo à vista.

Ensayos - Michel de Montaigne e Dalí

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Ainda não mergulhei tão fundo na obra de Montaigne quanto deveria, já a tenho aqui, tanto na versão Os pensadores, como na edição da Martins Fontes, usa-o ainda como obra de referência, em consultas esporádicas, mas planejo nela mergulhar. Gosto do estilo, aliás, invejo-o.

Hoje comprei na livraria Cultura, por 42 reais, uma belíssima edição dos ensaios. Selecionados por Salvador Dalí que também fez ilustrações ao longo do grande volume. É uma co-edição da Planeta espanhola e da Fundação Gala-Salvador Dalí. Já estudei espanhol, há tempos, devo ter esquecido muito, mas ainda me sobrou a universal mania de brasileiro que o entendo, pero que si, pero que no, recomendo a compra. É possível entender os conceitos de Montaigne e se deliciar com alguns desenhos de Dali. Sugiro também como presente, muito melhor do que pagar o mico de ser taxado de, sei lá eu o quê, ao dar um desses livros da moda…

Ah, um bom indício da beleza da edição é que minha mulher falou que se nos separarmos, o livro passa um tempo com cada um…

Mergulho mais profundo nas idéias e palavras

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Quando fuço um assunto tendo a dar uma geral e ver quais livros interessantes merecem fazer parte da minha biblioteca. Tenho vários livros de frases e citações. Comprei na última semana o Dicionário filosófico de citações do Grateloup da Martins Fontes e o Dicionário universal Nova Fronteira de citações do Paulo Rónai, esse esgotado, mas facilmente encontrável pela Estante Virtual. Aliás, apesar de não ter conseguido comprar do primeiro sebo escolhido, identifiquei um outro onde estava disponível e fui pessoalmente retirar. Gosto muito da Estante Virtual, e é sempre um barato ver a empolgação dos “velhinhos” donos de sebo com o impulso que a internet está dando nos negócios deles.

Os dois já me foram úteis na produção de alguns textos. É claro que são obras de fôlego que não vou ler inteiras como o Livro dos provérbios, mas ganharam um espaço de destaque na minha biblioteca de primeiros socorros.

Pós-tudo, livro comemorativo da Ilustrada

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A Ilustrada fez 50 anos e para comemorar saiu o livro Pós-tudo, 50 anos de cultura no Brasil. Depois de uma bela folhada, comprei. Não é leitura de sentada, é para consulta, folhar, ver foto, texto, lembrar o que fazia na época de determinada reportagem, relembrar, no meu caso, de Flávio Rangel, Tarso de Castro. É inegável o papel deste veículo na cultura brasileira.

Logo após o índice tem uma página dupla com escritores, de um lado Clarice Lispector, autografando um livro, do outro Paulo Coelho sendo empossado na Academia Brasileira de Letras. Nem sempre a Ilustrada tem este contraste, aliás, nesse caso, para a sorte dos leitores, na maioria das vezes, a posição para o lado vivo desta dupla é acertadamente crítica.

Quem gosta do assunto precisa ter na biblioteca. Abaixo uma tentativa de reprodução da poesia do Augusto de Campos, inspiradora do título: Póstudo

                 quis
mudar     tudo
mudei      tudo
agora póstudo
             extudo
mudo

Prêmio São Paulo de Literatura

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Saiu ontem o resultado do maior prêmio literário do Brasil, o do governo de São Paulo, como deu a lógica, a repercussão foi pequena. Deu Cristovão Tezza mais uma vez. Não fosse o livro do ano do Jabuti, teria levado todos, mas como disse aqui, para mim levou.

Também ganhou 200 mil reais a estreante Tatiana Salem Levy pelo seu As chaves da casa. Não estava lá, mas não entendi porque o prêmio foi apresentado pelo Cazé, pode ser puro preconceito, mas acho que a literatura merecia um personagem mais sério.

Estava decidido a não ler, agora…

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Não ia ler o último livro do Saramago, não fui ve-lo e também não tinha planos de visitar a exposição sobre sua obra. Mas infantilmente cai nas armadilhas do João Pereira Coutinho e depois de ler seu artigo na Ilustrada de hoje, fico com a determinação de ler A viagem do elefante.

Coutinho dá todas as espinafradas que a opção política de Saramago merece, exagera e perde a razão ao passionalmente defender a Guerra Civil ao regime comunista, deveria desprezar os dois igualmente. Coutinho também aponta, em obras que não li, uma carga ideológica e moralista, didática para impressionar iletrados, principalmente os da Academia Sueca. Faz duas ressalvas fortes, Memorial do convento e O ano da morte de Ricardo Reis. Absolve também este último livro, para ele o melhor depois do Nobel e uma poderosa metáfora sobre a condição humana. Mais um livro para minha pilha…

Eu tenho inveja do Eric Lax…

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Comprei e só li a apresentação, não sei quando vou conseguir encaixar nas minhas leituras, da bela edição das entrevistas do jornalista Eric Lax com o diretor Woody Allen. Conversas com Woody Allen, CosacNaify, apresenta essa relação do jornalista com o artista, eu adoraria estar no lugar de Lax. Ele viu um comediante metido a escrever para a New Yorker se transformar num artista complexo, interessante e menos engraçado que o original, mas mais denso e representativo de qualquer outro que tentou ou tenta arrancar risos.

Além de fotos e detalhes dos filmes, interpretações sobre características da obra e do pensamento de Allen.

Não resisti, quero ver se persisto até o final

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No caderno de final de semana do Valor de ontem tinha uma interessante entrevista com Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopez, autores do História do Brasil - uma interpretação, fiquei mais curioso com o livro que chegou pelo portador alguns minutos depois. Dei uma folhada e tomei a decisão de iniciar sim a leitura, vai ser um desafio, encarar as mais de 1.000 páginas no meio de tantos outros livros, mas algo que colabore assim para entender e palpitar sobre nossa história é sempre um esforço válido. Vamos ver quanto tempo vai demorar, mesmo porque, não é um livro que aceite ser levado para a cama, é pesado demais, vai ser leitura diurna…

Chegou também o livro acima, Ideologia da cultura brasileira, também do Carlos Guilherme Mota, esse da editora 34. É uma nova edição do livro lançado em 1977. Há no final um “álbum de fotos” e frases de brasileiros que se propuseram a pensar nossa cultura. Me impactou bastante a de Paulo Emílio Salles Gomes, ex-marido de Lygia Fagundes Telles, intelectual importante, diante de um cartaz de um filme do Zé do Caixão, declara: “A gente encontra tanto de nós num mau filme (brasileiro) - que pode ser revelador em tanta coisa da nossa problemática, da nossa cultura, do nosso subdesenvolvimento, da nossa boçalidade, inseparável da nossa humanidade - que, em última análise, é muito mais estimulante para o espírito e para a cultura cuidar dessas coisas ruins do que ficar consumindo no maior conforto intelectual e na maior satisfação estética o produto estrangeiro”

A história do Brasil é assunto para a vida toda

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História do Brasil - uma interpretação, escrito pelos historiadores Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopes é daqueles livros para integrar qualquer biblioteca de onde se pretenda entender alguma coisa sobre este país. Foi minha mais recente aquisição. Não consigo lê-lo agora, mesmo porque, é um trabalho de fôlego, 1056 páginas, que promete dar voz a outras interpretações menos tradicionais do que nos trouxe até aqui. Não pretendeu ser mais um a dizer o mesmo. Passa a fazer parte da minha bibliografia para entendimentos de questões do país, fonte de consulta.

Coetzee e Castello sobre literatura

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Para quem gosta de literatura, o Prosa & Verso do Globo, todo sábado é necessário. Se nada for bom, há o José Castello. No último sábado ele falou sobre o livro do Coetzee, já indicado aqui, utiliza o livro para defender a necessidade da literatura em nossas vidas. C., o escritor de Diário de um ano ruim, lembra as idéias de Hobbes sobre a necessidade do Estado (a impotência voluntária, que precede o desejo de ordem).

Já para Castello a Literatura (como diz, utiliza as maiúsculas por prudência e não por certeza) é uma abstração. Um manto que costuramos para que, enfim, as palavras não nos queimem diretamente os olhos. Um tapete protetor - cheio de rasgões, de furos, de insuficiência - sobre o qual, ainda assim, desenrolamos a vida. No ano passado Castello lançou A literatura na poltrona, não li mas recomendo.

Relação com os livros. Qual é a sua?

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A coluna de hoje do Contardo Calligaris na Folha é sobre a relação de cada um com os livros, vários livros, lidos, comprados, admirados, até mesmo os ignorados. Sim, os livros ignorados fazem parte de nossas vidas, quanto mais livros ignorados tivermos, maior a possibilidade de pobreza, não só no sentido de conhecimento, principalmente no sentido de amplitude e clareza de valores, cada estória a menos explorada é a continuidade de vida na estreita faixa em que se vive.

 Livros no fundo servem para isso, para moldar nosso horizonte cultural, causar o primeiro impacto, abrir caminho e a nossa mente e emoções para sentimentos mais abrangentes. Contardo mediou a mesa entre Marcelo Coelho, também da Folha e o francês Pierre Bayard, autor do livro acima, aliás, foi ele quem introduziu a questão dos resumos, não os dois debatedores, como foi erroneamente noticiado no jornal. Mas na verdade, os 3, os 4, me incluo no grupo, defendem que os livros moldam vidas, sugerem a leitura como um modo indispensável de gastar as horas.

Bayard desenvolve um conceito do livro coletivo versus o livro individual, o primeiro sendo resultado de uma sociedade que já quase não existe, coletiva e o outro, fruto da modernidade, individual, que vai se formando a “partir das ficções que inventamos para responder as perguntas da vida”. Eu sempre acreditei que nossas ações compõem uma biografia que na maioria das vezes nunca será escrita, mas muito pior, na verdade, muito melhor que isso, será vivida, esse é o desafio, não esquecer da própria biografia e viver a dos outros… A dos outros se lê, a nossa, se vive…

A perversidade em cada um de nós!

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Assisti ontem a palestra da Elisabeth Roudinesco aqui na Flip. Alguns pscinalistas estão contestando seu novo livro. Para quem não é do ramo, parece bem interessante. Mapeia o perverso que está dentro de nós, isso mesmo, de mim, de você e de todo mundo. É melhor saber e ver como lidar do que tentar ficar negando. A conexão aqui da Flip não está das mais fáceis, por isso estou blogando pouco.

A Flip é uma esperança, dá para ficar animado que ainda existe alguns querendo vida inteligente na terra.

Quanto pior, melhor!

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Não li e nem pretendo ler o novo livro de Naomi Klein, mas li a entrevista dela na Cult. O livro denuncia o que a autora chama de “Capitalismo do desastre”, ou seja, empresas torcem por catástrofes, outras, vão mais abaixo, agem ativamente para que coisas não tão boas aconteçam ou não sejam corrigidas, isso mesmo, fazem lobby. Isso geralmente não acontece nos países mais desenvolvidos, lá o policiamento é maior. Mas os americanos enxergam empresas amigas agirem no Iraque, substituindo o Estado, recuperando os estragos do Katrina.

Por aqui, que tamanho tem o lobby da segurança? Os bilhões que são gastos, sim, gastos, não investidos em segurança particular são, no meu modo de ver, a garantia que o problema não vai se resolver, é blindagem, segurança, arma, alarme e outras maravilhas que prometem e nunca entregam a tranquilidade. Quem quer mudar isso? Klein, faz o papel da denuncia, início de discussões necessárias para se desmontar o circo. Se você está alimentando isso, seja na sua casa, no seu condomínio ou na sua empresa, que tal ler o novo livro de Klein?

Na Cult tem também um ótimo dossiê sobre Lacan. Talvez se consigamos nos entender melhor, não que entender Lacan seja simples, possa ser um ponto de partida para engrossar o combate do capitalismo de desastre.

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Mergulho profundo!

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A revista Brasileiros deste mês traz uma matéria sobre o novo livro do Fernando Morais, a biografia de Paulo Coelho. Gostar de Paulo Coelho, não gosto, tem lógico um componente de preconceito, mas as poucas vezes que tentei me decepcionei rápido, ainda mais com todos os detalhes místicos de sua vida.

Mas isso não quer dizer que o personagem não seja interessante. O cara já vendeu mais de 100 milhões de livros, já foi traduzido para 66 idiomas em 166 países. Só a biografia, projeto de gente grande, foi vendida para mais de 47 países. Eu que já escrevi uma biografia e participei como editor de algumas, posso entender as questões do Fernando quando teve acesso aos arquivos do biografado. O biógrafo quer e gostaria de saber de toda a verdade, nem que seja para não publicar, mas é uma relação de intimidade, não pode sentir-se traido, Fernando também não queria sentir-se traindo. Escreveu e vai com certeza ter seu livro repercutindo por muito tempo.

Paulo Coelho ganhou meu respeito pela coragem de abrir seus diários. Marketing? Mesmo que seja, é um dos marketings mais corajosos que já vi. Como disse em carta assinada ao biógrafo ateu e marxista, e mesmo assim desejando a proteção do menino jesus barbudo, permitiu para que pudesse descobrir outra face dele mesmo, para sentir-se mais livre. Disse também que mesmo que não se reconheça no livro, só o leu depois de pronto, sabe que ali está uma parte dele mesmo. Não é todo mundo que pensa assim e deixa os fãs saberem de práticas sexuais, satânicas e químicas pouco enaltecedoras, pelo menos para os que se seduzem por sua literatura. Comecei a ler…