Espelho LXXVIII
Ser humano é flertar com o certo e o errado, sem saber qual é qual, sem a certeza de para qual lado ir…
Ser humano é flertar com o certo e o errado, sem saber qual é qual, sem a certeza de para qual lado ir…
Ser humano é buscar, sem encontrar, numa fonte externa o pedaço faltante dentro de si…
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Seja no papel, seja em qualquer formato de leitor digital, os livros poucas vezes foram tão falados quanto agora. Isso é bom, falar é fácil, ler é mais difícil, tudo que é mais difícil dá muito mais prazer. Reportagem do caderno de Turismo do Estadão de hoje mostra os hotéis onde o tema são livros:
Há o L’Hotel, Paris, onde morou Oscar Wilde, mas há também os que apelam para as letras para montar o seu diferencial competitivo, o Library Hotel de NY (www.libraryhotel.com), onde há uma biblioteca e destaque para livros nas suítes, dê uma olhada nas amenidades abaixo. Já no Hotel de Las Letras (www.hoteldelasletras.com), primeira foto à esquerda, as letras invadem as paredes, em frases e poesias, estilo Casa do Saber daqui, os livros também teoricamente se encontram numa biblioteca, mas no site não vi foto alguma dela. As outras duas fotos menores são do Library Hotel, são 6 mil livros, e ainda fica perto da Biblioteca Municipal se você sentir falta de algum… Eis as amenidades:
Quem está meio sem inspiração e tem a conta bancária recheada pode sim sentar-se próximo a lareira e escrever sobre os fatos cotidianos da vida em qualquer lugar do mundo, ou então, buscar mais inspiração ainda no Jardim da Poesia.
Ser humano é esconder fantasias e soltá-las em personagens alheios…
Ser humano é poder escolher entre a aposentadoria e o nada fazer, apenas curtir a vida, ou o curtir a vida, fazendo até o final…
Ser humano é olhar histórias próximas e achar que merecia o sucesso de algumas. É desconsiderar o fracasso de outras. Mas só humanos persistentes, mesmo diante do sucesso, olham o mais que poderiam ter feito, e mantém com isso um parâmetro de busca, mesmo que interno…
Ser humano é querer muito fingir que a vida é mais leve do que é…
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Estava com o corpo acabado de tanto andar e resolvi dar uma relaxada. Se quiser um ótimo spa de relaxamento em Barcelona, eis o Silom, fica na Calle Valencia, pertinho do Passeo de Gracia.
Para quem é de São Paulo, uma Luiza Sato com “upgrande” no visual e também no uniforme para se colocar, só senti falta do missoshiro. A Tailândia bateu o Japão…
Ser humano é querer morar em Barcelona…
Ser humano é achar que vai mudar o mundo, ultimamente, por meio da tecnologia. Ser humano privilegiado, é um dos poucos que consegue…
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TOC - Tools of Charge for Publishing, Frankfurt. Um dia ouvindo falar de como o mundo digital vai mudar o mundo do livro: convencido. Agora estou aqui tentando ter idéias de como terei que agir para não perder esse bonde, ou melhor, tentando descobrir como consigo ficar com um pé em cada canoa e não acabar afogado.
Os leitores digitais vão pipocar ainda mais, os formatos também, há muita gente animada achando que muitos que não passavam perto de um livro, vão comprar os livros digitais. A O´Reilly, aquela que publica livros de tecnologia com insetos na capa, e também organizadora do seminário, já vende mais da versão eletrônica do que a impressa. É clara que o público é específico e dirigido, mas me parece uma estatística mais confiável do que a da Amazon, também diretamente interessada no assunto, e mais ainda, precisando gerar fatos para ser capa de revista. Falando nisso, comprei a Época, mas acabei não lendo, deixei no Brasil, vou ler na volta, mas me pareceu completamente errada a chamada: o último livro que você vai comprar. O Helio Gurovitz é amigo de um amigo, pessoa séria, entendida no assunto, acho que foi mesmo infelicidade.
Gostei bastante de uma frase dita aqui, não consegui anotar o autor: Sim, estamos diante de uma revolução, mas está mais para a revolução Industrial do que para a revolução Russa…
Ou seja, hora de botar a cabeça para funcionar e criar novos modelos. Os livros são e serão um objeto na minha casa, não sei se serão na minha empresa. Saio do seminário que achei médio, convicto que tenho de pensar mais e fortemente em digital, e-book, por mais que não tenha cheiro e nem os tipos escolhidos e aprovados… Como já disseram e eu repeti do famoso artigo do Levitt, não estamos no negócio de livros, estamos no negócio da leitura!
Pesquisa da Folha: 76% dos brasileiros afirmam discordar da frase: “se quero ganhar dinheiro, nem sempre posso ser honesto”.
Ser humano é julgar os outros conforme seus instintos, mas atribuir apenas aos outros os desvios que chega mesmo a temer…
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Há 70 anos morria Freud, aquele de quem se costumou falar que explicava tudo… Talvez agora isso possa parecer um pouco mais verdade. A Imago vai relançar sua extensa obra, mais de 30 livros, com novas traduções e notas explicativas. Será traduzido direto do alemão e a expectativa é que sua obra ganhe em clareza e estilo, Freud era tido como grande escritor, seus livros em outras línguas, parece que nunca o foram.
Sou fã de Freud, poucos conseguiram ir tão fundo nessa nossa espécie complexa. Também é fácil imaginar o quanto suas idéias foram deturpadas, o que criou, é algo muitas vezes frágil, dependente de uma relação íntima e privada, dependente das variações das pessoas, pacientes e terapeutas, mas deu uma enorme contribuição. Ando numa fase que estou preferindo ler do que passar por psicanálise, mas é algo que me encanta. Vale ficar atento! O Estado no último domingo trouxe uma cobertura excelente, vários artigos, a maioria, mas erudita e menos direta do que supostamente ficará a obra de Freud…
Ser humano é surpreender-se que a agonia sentida tão fortemente também já o foi por outros, e há muito tempo…
Ser humano é trazer dentro de si quase tudo o que se teme, o que enoja, o que desperta…
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Pelo que sei, os senhores aí acima não frequentaram as oficinas literárias que eu frequento, eu e tantos outros, como descobri hoje no caderno Mais da Folha. É interessante avaliar qual o papel da literatura no mundo atual, tantas pessoas querendo se tornar escritores, acho que o resultado será um aquecimento do mercado de custom publishing, para quem quiser, também tenho minha oferta: www.alfaiatar.com.br.
Mas quero também ficar animado que o movimento garante a manutenção da literatura, uma atividade antiga, demandante de tempo e concentração, na contramão deste mundo informático. Já fiz três desses cursos, o autor Daniel Galera faz uma boa defesa deles, três dos professores, inclusive um meu, Marcelino Freire, dão dicas de como ler e como escrever, para quem quer escrever, vale conferir.
O positivo é que fica claro que é impossível escrever sem ler, sem ter acesso as grandes fontes da literatura. Esses dias alguém disse que a Lygia Fagundes Telles tem uma frase, que eu jurava que era minha, falo-a a pelo menos 10 anos: no Brasil tem mais gente querendo escrever um livro do que ler um livro…
Ser pai é tirar do filho a expectativa da continuidade, da superação, da confirmação…
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Já não lembro se falei do Luiz Amorim aqui. Dele, é claro que nunca falei, só soube o seu nome agora por matéria da revista Época desta semana, mas sua obra foi uma das coisas que mais me chamou a atenção em Brasília.
Bibliotecas em pontos de ônibus. Sim, Luiz Amorim, um açougueiro que passa dificuldades para ganhar a vida nesta atividade começou a investir nas bibliotecas nos pontos de ônibus de uma das mais movimentadas avenidas da capital, é tudo muito aberto, cada um pega o que quer, devolve quando puder, e dá certo. Já dependeu de um esforço pessoal do Luiz, hoje ficou um pouco mais fácil, patrocínios, inclusive da Petrobrás já facilitaram, a continuidade das bibliotecas. Tomará que isso se espalhe, é um ótimo exemplo de como alguém de fora, é capaz de contribuir para a leitura muito mais do que as figuras de sempre de dentro.