
Saíram duas biografias das mais interessantes. Os biografados são figuras importantes da literatura e da cultura brasileira, os autores, segundo a crítica, fizeram bem a lição de casa. Depois palpito.
Tenho com Plínio Marcos uma dívida, retratado por Oswaldo Mendes em Bendito, maldito (Leya). Assisti algumas de suas peças, em Madame Blavatsky, meu colega de faculdade que fora comigo até virou teosófico, e agora, toda vez que a turma se encontra, ele aguenta os sarros pela alimentação e comportamento não tradicionais. Mas minha dívida é que se fosse hoje, conversaria com Plínio Marcos, na época, quando ia ao teatro e o encontrava vendendo seus livros, temia um pouco o marginal, preferia manter-me distante, pena.
Quanto a Clarice, preciso mergulhar mais na sua obra, li pouco dela, mas o livro de Benjamin Moser deve fazer um trabalho forte na sua afirmação no cenário literário mundial. Talvez um tanto das restrições que tenha sofrido, se compensem agora. Ainda bem que o livro foi publicado pela Cosac e não pela Rocco, dententora da obra de Clarice. A diferença de qualidade gráfica é gritante. Geralmente nos livros da Rocco, você tem que gostar muito do autor, não há nenhum incentivo editorial, tudo muito simples, espartano, às vezes até meio brega. Já na Cosac o oposto, poucos fariam uma capa como essa, aliás, até eu questiono sua eficiência. Ontem, procurando na livraria, demorei para encontrar. A biografada está apenas na lombada, é verdade que é uma lombada grande, ousadia de projeto editorial, tiragem de 10.000 exemplares. Vamos ver, tomara que venda, tomara que leiam, tomara que leiam Clarice. Imagine o que poderia acontecer nesse país se 5.000 jovens lerem Clarice ao invés de Stephanie Meyer, já será uma Revolução Cultural…