Assunto: Livros que entraram na minha biblioteca



Duas biografias sobre personagens da literatura brasileira

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Saíram duas biografias das mais interessantes. Os biografados são figuras importantes da literatura e da cultura brasileira, os autores, segundo a crítica, fizeram bem a lição de casa. Depois palpito.

Tenho com Plínio Marcos uma dívida, retratado por Oswaldo Mendes em Bendito, maldito (Leya). Assisti algumas de suas peças, em Madame Blavatsky, meu colega de faculdade que fora comigo até virou teosófico, e agora, toda vez que a turma se encontra, ele aguenta os sarros pela alimentação e comportamento não tradicionais. Mas minha dívida é que se fosse hoje, conversaria com Plínio Marcos, na época, quando ia ao teatro e o encontrava vendendo seus livros, temia um pouco o marginal, preferia manter-me distante, pena.

Quanto a Clarice, preciso mergulhar mais na sua obra, li pouco dela, mas o livro de Benjamin Moser deve fazer um trabalho forte na sua afirmação no cenário literário mundial. Talvez um tanto das restrições que tenha sofrido, se compensem agora. Ainda bem que o livro foi publicado pela Cosac e não pela Rocco, dententora da obra de Clarice. A diferença de qualidade gráfica é gritante. Geralmente nos livros da Rocco, você tem que gostar muito do autor, não há nenhum incentivo editorial, tudo muito simples, espartano, às vezes até meio brega. Já na Cosac o oposto, poucos fariam uma capa como essa, aliás, até eu questiono sua eficiência. Ontem, procurando na livraria, demorei para encontrar. A biografada está apenas na lombada, é verdade que é uma lombada grande, ousadia de projeto editorial, tiragem de 10.000 exemplares. Vamos ver, tomara que venda, tomara que leiam, tomara que leiam Clarice. Imagine o que poderia acontecer nesse país se 5.000 jovens lerem Clarice ao invés de Stephanie Meyer, já será uma Revolução Cultural…

2 visitas a livraria e um strike…

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Duas idas a livraria e um strike, mais um. Sou seletivo, mas assumo que também doente. Numa sociedade de consumo, participo consumindo livros, sei que alguns deles nunca serão de fato lidos, mas como não sei quais, sigo em frente, cercando-me do que acho necessário. Eis a nova leva:
O livro dos mandarins - Ricardo Lísias - Alfaguara (ficção)
Boa companhia - Rodolfo Gutilla - Companhia das Letras (poesia, Haicai)
Biblioteca - Gonçalo M. Tavares - Casa da Palavra (gênero complicado…)
O seminarista - Rubem Fonseca - Agir (ficção)
Estrela distante - Roberto Bolaño - Companhia das Letras (ficção, talvez seja esse meu primeiro Bolaño…)
Em defesa da psicanálise - Elisabeth Roudinesco - Jorge Zahar Editor (ensaios e entrevistas)

Ah, tem também o terceiro número da Serrote, apesar de ter lido pouco as duas primeiras, não por não ter gostado…

Pornopopéia e Sobre os escritores à minha disposição…

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Domingo na Livraria Cultura do Conjunto Nacional comprei esses dois livros. Aliás, é impressionante a quantidade de gente que vejo na Cultura, sempre me imagino morando num outro país, com uma taxa de leitura bem mais elevada do que a da minha vida de verdade.

Há tempos hesitava em comprar Pornopopéia, livro de Reinaldo Moraes que li na mídia coisas positivas e ouvi de um amigo a indicação. Conheci o autor numa reunião no colégio do meu filho, ele deve ter um filho ou filha que estuda no mesmo ano. Se dependesse desse encontro, não leria nada dele. Ficamos num grupo teoricamente perfeito, havia ele, autor e roteirista, um diretor de comerciais e filmes e outros mais. Nosso teatrinho foi um vexame. Mas na sexta passada Milton Hatoum comentava sobre a extinção dos carteiros e uma amiga de Barcelona, fez menção a Moraes e resolvi comprar.

Já Canetti, comprei para saber sua opinião sobre alguns escritores. Tenho com ele uma “dívida”. Abandonei Auto de fé na metade, não premeditadamente, mas foi há uns 4 anos e ainda não retomei. Vamos ver se eles furam minha fila.

Encontrei o livro da minha vida??? Marcelo en el mundo real

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Não conhecia o mexicano Francisco Stork, mas seu argumento de venda para mim foi irresistível. Estava numa livraria, quando vi um livro que começava com Marcelo em duas capas, Marcelo en el mundo real, em espanhol e o equivalente em catalão. Fui ver, derrubei uma pilha enorme.

Alberto Manguel defende que existe um livro que conta a história da nossa vida, nosso trabalho é descobrir. É muito provável que este não seja o meu, mas foi muito engraçado e as críticas eram positivas, acho que vou ler, no mínimo, fica a auto-provocação, algo que é sempre necessário, ainda mais em tempos onde se abandona o terapeuta. Verei qual Marcelo está mais próximo do real, real? Quem sabe o que é isto? Mas continuamos a viver…

Biblioteca Nacional: dei com o burro n’água…

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Ontem em viagem ao Rio de Janeiro planejava fazer uma visita à Biblioteca Nacional. Entrei no site e me programei, elas são apenas guiadas e acontecem de hora em hora das 11 às 15 hs. Cheguei lá 11:45 e fui informado que as regras haviam mudado, devido a uma restrição de pessoal, agora era apenas 11 ou 15 hs. Dei com a cara na porta. Pior, entrei hoje no site e a informação continua errada. É por isso que tenho restrições a órgãos públicos. Se o contingente estava diminuído, mesmo assim pude presenciar funcionários brigando ao telefone por questões pessoais, enquanto eu, um “cliente” aguardava… Pena, a única vez que visitei não tinha nenhum plano de ser editor…

O ponto positivo foi que coloquei três obras na minha biblioteca, a Machadiana, o catálogo da exposição de 100 anos de Machado de Assis e uma obra da coleção Cadernos da Biblioteca Nacional, de Matias Aires, Reflexões sobre a vaidade dos homens.

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Nem tudo no senado é o que parece: a livraria funciona bem…

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Há tempos tinha lido sobre o trabalho de Otto Maria Carpeaux e sua “epopéia” para recontar a história da literatura mundial. Dada como esgotada, sabia que o Senado, este mesmo que abriga José, Renan, e tantos outros, havia reeditado. Não o encontrava. Na última bienal no RJ lá estava um estande do Senado, não comprei porque carregar os vários quilos produzidos por Carpeaux não é fácil, me aconselharam o site.

Site confuso, hora dado como esgotado, hora dado como disponível, atendimento muito rápido e atencioso. Comprei os 4 volumes de História da literatura ocidental e ainda de quebra outros dois belos títulos: Conselhos aos governantes, com vários conselhos de pensadores para governantes, tipo Erasmo de Roterdã, Miguel de Cervantes, Marquês de Pombal, Platão, Maquiavel entre outros (imaginado por mim como possível fonte de consultas); e História econômica do Brasil 1500 - 1820, de Roberto C. Simonsen, um clássico brasileiro sobre a formação econômica deste país, pelo empresário e professor que também frequentou o senado.

Os livros são muito bem editados, exceção à capa com um papel um pouco mais mole do que o habitual. Também vem com muita rebarba de cola, espero que a costura seja bem feita, se não, abrirão todos.

Voltemos ao trabalho de Carpeaux, inclui 10 partes em quase 3.000 páginas: A herança; O mundo cristão; A transição; Renascença e reforma; Barroco e Classicismo; Ilustração e revolução; O romantismo; A época da classe média; “Fin de siècle” e depois; e Literatura e realidade.

Minha biblioteca ganha uma bela avaliação do que aconteceu com o livro ao longo dos anos. É de Carpeaux, um austríaco que chegou ao Brasil em 1939 e por aqui ficou até 1978 quando faleceu, a ambição de superar, ou antecipar, o trabalho também citado aqui de Moretti sobre o romance. Coisa para quando eu estiver velhinho ou fazendo alguma pesquisa…

Romance: um projeto bastante ambicioso - fonte de consulta

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O italiano Franco Moretti quer prestar um serviço à literatura, destrinchar o romance, uma das maiores expressões do humano.

Para tanto convidou alguns dos maiores especialistas e, apesar de escrever pouco, amanhã falo de Otto Maria Carpaux, deve ter lido muito, não acredito que numa empreitada com essa dimensão, corra o risco de não controlar com mãos de ferro, por mais que convide dissidentes. O primeiro volume, para sorte do leitor, editado pela CosacNaify, tem mais de 1.100 páginas e algumas desenhas de autores. Serão cinco, um por ano, este primeiro chama-se A cultura do romance. As letrinhas são minúsculas, mas é fonte de consulta e presença indispensável em qualquer lugar que adote o apelido de biblioteca.

As páginas em cinza são mais práticas, versam sobre obras específicas, no mínimo, lerei desta vez a introdução de Vargas Lllosa antes de arquivar. A tiragem foi de “estonteantes” 5.000 cópias, será que existem outros 4.999 bem-intencionados neste país?

Ex libris: quem não tem cão, caça com gato…

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Outro presente que ganhei da viagem da minha mulher, esse de Veneza, foi um carimbo de Ex Libris. Dívida dela comigo, tinha ficado de desenvolver um ex libris personalizado, aceitei esse, que também não conseguiu esperar para incluir no carimbo o meu nome. Ponho-o agora a mão.

Mas confesso que apesar do formalismo, este expressa exatamente o que penso do livro, uma escada, para que? Para onde se queira ir, no meu caso, para uma compreensão ampliada da vida, das escolhas, das pessoas. E isso, não vai ser lendo este blog que você vai conseguir, e sim, os livros, não de todos os tipos, existem alguns que sequer mereceriam essa classificação, apesar de terem ISBN e tudo.

Já pensou em colocar um Ex Libris na sua biblioteca? Estou me divertindo em carimbar todos que ainda não estão guardados, vou dar trabalho para os sebos… Casa de ferreiro, espeto de pau. Minha mulher pode desenvolver um para você, mas se não for pagar, ela encomenda um carimbo lá em Veneza…

Além do que falei, duas “novas promessas”

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Li no Estado pela manhã sobre o lançamento do Paulo Rodrigues, não o conhecia, mas a crítica estava totalmente positiva. Raduan Nassar o referendando, nessas horas sou contaminado pelo virus do bibliófilo, leitor compulsivo e depois do café da manhã no Pão de Queijo da Haddock Lobo, o melhor do mundo, onde vou quase 7 vezes por semana, a procura na Livraria da Vila. Sai de lá não apenas com o Vozes do sotão e disposto a ler a história do alfaiate Damiano mergulhando na sua própria história, comentarei em breve como também com o já comentado aqui de Alain de Botton, Os prazeres e desprazeres do trabalho e um outro livro de um esse sim uma nova promessa (Paulo já é maduro, começou tarde), o inglês Joseph Smith.

O lobo, Alfaguara, aval de qualidade que me estimulou a encontrar lá uma fábula do que começo a encarar, a busca por coisas que vou precisar para completar uma existência que já é vista com a clareza da maturidade, que supera a diferença e embasso da visão equivalente, quem nos 40 não começa a avançar e recuar rótulos, a tentar descobrir se a audição ainda está intacta? Bom, planejo também lê-lo, mas o trabalho mundano está puxado, ando lendo os livros que vou lançar e não os livros que escolhi para a minha biblioteca…

Sempre dá para aprender com a mitologia

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Comprei hoje Mitologia de Philip Wilkinson e Neil Philip, lançado no Brasil pela Zahar. É daqueles livros da inglesa DK, popular pelos guias lançados aqui pela Publifolha.

São 8 partes: Introdução a mitologia, o mundo clássico, Europa, Ásia, Américas, África, Oceania e Quem é quem na mitologia. Comprei mas como fonte de consulta, além de rica em nomes, as histórias mitológicas permanecem atuais, são baseadas em desejos e aspirações humanas, mesmo as mais monstruosas… Aliás, comprei na XIV Promoção do livro Infantil e Juvenil da Livraria da Vila. Parecia outro mundo, uma livraria lotada. Nem acho que os 25% de desconto façam tanta diferença, mas que a movimentação na livraria ajuda a formar um novo público, isso ajuda!