Assunto: Reflexão



Saia do armário: mas não precisa revelar opção sexual…

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Em tempos de Mothern Family e outras formações, seja em casa, seja na “firma”, sair do armário pode ser bem menos arriscado do que já foi. Mas não estou aqui discutindo opção sexual de ninguém. A revista Você S.A. traz no seu site uma entrevista com o autor Francisco Britto que tem o título Saia do armário, a explicação vem apenas no sub: assuma se quer ser empreendedor ou executivo. Além da entrevista, há um teste que ajuda você a decidir para que lado pende mais.

Clique na capa do livro para ler a entrevista, clique no armário (o nome é armário da diretoria) para ir direto para o teste.

Se quer concorrer a um livro para a ler antes da decisão final, fique aí dentrinho do armário até a conclusão da leitura, só saia para enviar um email para contato@virgilia.com.br respondendo a pergunta: O que é melhor, ser executivo ou empreendedor? As 5 melhores respostas serão publicadas aqui no site e receberão o livro. É claro que a todos aqui preferimos que você compre o livro nas melhores livrarias do país. A promoção é válida até o Brasil ser hexacampeão ou então dia 20/07, não estou tão confiante assim na seleção do Dunga, essa sim, ficou trancada dentro do armário…

Espalhe, a promoção, a entrevista, o teste, o livro!

Uns vão, outros chegam. Haiti e uma breve reflexão sobre o humano

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A foto da capa da Folha de S. Paulo de hoje, do Joshua Trujillo (AP), me deixou muito chocado. Cerca de 200 pessoas literalmente apinhadas no que supostamente é um avião para partir para Orlando. Tenho dificuldades de visualizar um avião daquela forma, a situação é das mais dramáticas, para um país que foi o primeiro a estabelecer uma república negra no mundo. O artigo do João Pereira Coutinho na mesma Folha discute a diferença das catástrofes naturais em economias ricas e economias pobres, vale ler, a diferença do número de mortos é brutal. É claro que por trás da riqueza está a educação e outras questões que ainda faltam no país centro-americano.

Mas o contraste maior, para mim, completamente alinhado com o que é a vida e as incoerências humanas, diz respeito a continuidade das praias do Haiti como roteiro de cruzeiros de luxo. O Independence of the Seas, da Royal Caribean continua, após muitas discussões, atracando em Labadee. É um navio para 4.370 pessoas onde os passageiros podem curtir o sol e andar de jet sky, numa área protegida e não atingida pelos terremotos. Tudo, segundo a companhia de navios, discutido com emissários do governo que acreditam ser importante se preservar formas de receita, o que é também verdade. Os passageiros se dividem, alguns curtem as férias, outros chegam a declarar ter nojo.

Não é um trágico porém real espelho da vida? De uma espécie que precisa variar entre viver o coletivo e viver o individual e sem saber que peso dar a esses momentos?

100 anos de Peter Drucker

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Estou participando da HSM Expo Management 2009, como blogueiro.

Agora pela manhã assisti a filha do fundador da Playboy falar sobre como transformar marcas em ícones. Na minha visão o produto dela facilita, o tal coelhinho é conhecido pelo mundo, mas só eles tiveram a competência de se estabelecer. Quem é o segundo nesse mercado? Acredito que não há consenso.

Depois uma palestra sobre pessoas e como “lidar” de formas adequadas com elas. Algumas dicas e números válidos, se o assunto interessar, siga no site da HSM ou então no blog do Update or die (http://www.hsmupdateordie.com).

Antes do almoço uma homenagem a Peter Drucker, o grande pensador da Administração, na verdade, um dos poucos pensadores da Administração, uma área cheia de gurus e com poucos pensadores. Gurus são entretenimento, e quando o negócio parte para isso, o caixa, mais dia menos dia, vai sofrer. É bom aproveitar a bonança. É comum ver executivos surfando essas ondas, alguns, com a real noção dos fatos, se especializam em ficar apenas em mares com onda a favor. Passam a carreira toda fazendo isso e se dando bem. Cabe aos acionistas saber fazer a peneira.

Quanto a Drucker, pregava o tão complicado óbvio, por isso, ainda continua tão necessário. Morreu há 5 anos, não sei o que diria dessa última crise, do fim da General Motors, talvez, pedisse para rever seu lugar na ciência que criou…

O que fazer na sala de espera? Daqui a pouco não consigo mais ler

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Sou do tempo em que as empresas e profissionais liberais eram avaliados pelos mais rigorosos pela atualidade das revistas da sala de espera. Como a maioria sempre foi descuidada, e tenho sempre muito a ler, carrego meus livros e já tenho as revistas que me interessam lidas.

O problema é que isto agora está mudando, a televisão está ganhando este espaço. Esses dias estava aguardando numa grande empresa de Certificação Digital, onde para “benefício” dos que esperam, havia uma enorme televisão. Já estive em outras salas em que a televisão é menor, mas sempre lá, chamando a atenção, e, o pior, atrapalhando quem quer ler…

Será que é tão conveniente assim que todos vegetem?????

Uma homenagem a Marcio Kogan e Isay Weinfeld: Casa Batllo e Gaudí

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Dois de meus arquitetos brasileiros preferidos são Marcio Kogan e Isay Weinfeld, tanto que quando iniciei o projeto da poltrona Mindlin (minha iniciativa não bem-sucedida no mundo dos móveis) procurei Kogan para criar a poltrona de leitura. 

Ontem, numa homenagem oposta, fui visitar a Casa Batllo, obra das mais conhecidas do arquiteto Antoni Gaudí. É uma aventura arquitetônica, carinha, 16,50 euros, para presenciar o que a criatividade de um arquiteto, aliado ao dinheiro e desejo de aparecer de um empresário, são capazes de fazer.

Deve ser de lá que Willy Wonka (não sei se é assim que escreve) buscava a inspiração para suas máquinas e cenários malucos, parece um filme. Fico imaginando a competição na época. Não é muito meu estilo, mas entre isso e os palácios neoclássicos construídos pelos empresários brasileiros de agora, não resta dúvida que Gaudí é muito mais original e divertido. Aliás, esses “palácios neoclássicos” deixam muito claro quão sem graça é a vida dessas pessoas, dos arquitetos que se prezam a projetar e dos proprietários que parecem não ter imaginação melhor do que se ver “nobres de séculos passssssados”.

Vale a visita, você também vai ter várias reflexões, vai olhar para onde mora de outra forma.

Quatro homens, quatro visões do sexo?

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Já falei aqui da obra Elogio à madastra de Mario Vargas Llosa, onde a tal, é expulsa por Dom Rigoberto por ter “seduzido” seu ingênuo filho. Uma bela peça, já comprei o Cadernos de Dom Rigoberto, a continuação, mas ainda não li.

Recomendo a leitura do artigo de hoje de Vargas Llosa, deve ter saído no Estadão, saiu no El País, discute a questão da moral, baseado na defesa que intelectuais estão fazendo do cineasta Roman Polanksi, preso na Suíça por um crime cometido nos Estados Unidos há mais de 30 anos, abuso sexual com uma menina de 13 anos, Polanski não era um jovem na época, já um quarentão. Em sua defesa saiu, entre muitos, o ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand.

A ação da filha de Le Pen, tornou levou o assunto à eterna briga direita x esquerda. Llosa não aprova as confissões de Mitterrand de ter se utilizado de sexo escravo na Tailândia, quando a França faz esforços para banir exatamente o turismo sexual, coisa aliás, muito pouco discutida no Brasil. E também lembra que é pelo mesmo problema de moral que Silvio Berlusconi pode continuar aprontando as suas, abrindo inclusive caminho para as parceiras de diversão no palácio e em atos “oficiais” no parlamento europeu.

Tudo vida, será que Llosa está sentindo seu campo de ficção ameaçado? Não é isso não, e concordo com ele, as pessoas precisam aprender a lidar com suas libidos, isso serve para os homens públicos. Acho que nem Llosa, com certeza nem eu, estamos pregando um moralismo hipócrita, mas utilizando Georges Bataille, autor da citação que Llosa fecha seu artigo: “a suposta sociedade “permissiva” serviria para acabar com o erotismo, mas não com a brutalidade sexual”.

Admito que sou ignorante na obra de Bataille que, depois de minhas buscas internéticas, me pareceu bem interessante. O autor assume que escreveu histórias eróticas para se livrar de idéias que o cercavam, caminho diferente do escolhido pelos 3 protagonistas do artigo de Llosa, humanos como eu e você, para quem aliás, Bataille também disse: “um homem que ignora o erotismo é tão estranho como um homem que ignora a experiência interior”.

Imprensa, ideologia, estatísticas…

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Pesquisas e estatísticas são amplamente manipuláveis. Disso, quem conhece o mínimo, há de concordar. Nada contra a técnica, o problema são os ideólogos surrupiando a técnica para dar uma base científica a seus achados ou desejos.

 Acabei de postar sobre a Marcha contra o Aborto. Tirei a matéria do La Vanguarda. Acabo de ler o El País e os números são outros, inclusive comentados e argumentados.

Veja a diferença:

Cuerpo Nacional de Polícia: 250.000 pessoas

El País: 265.300 pessoas

Comunidad de Madrid: 1.200.000 pessoas

Organizadores: 2.000.000

Isso em nada muda o destaque da matéria. Mas esperaria de um jornal que se faça isso, discuta os números. Agora, sem querer pegar no pé da Igreja, e se a memória ainda não me falha, Não mentir, é um dos mandamentos de deus, acho que ele quis dizer, mesmo, em causa própria, no caso, a dele…

É por isso que leio vários jornais e tento obter diferentes pontos de vista, vou ainda assim ser manipulado, mas serei pego pelos mais persistentes…

O que vinte anos fazem com você? E com Lulla e Collor?

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Essas duas fotos aí da agência Estado dizem mais do que muitas palavras, apesar de eu ser um defensor da palavra.

Não sou contra o “amadurecimento” das pessoas, é claro que as coisas podem adquirir uma conotação diferente de acordo com o vivido e a quantidade de cabelos brancos, quem os tem, sabe muito melhor do que quem não os tem.

Mas me parece que os dois aí acima exageraram. Os eleitores de Lula de 20 anos atrás, isso mesmo, 20 anos, sentiram-se muito mais traídos por Collor do que o próprio Lulla, sim, é possível dizer que ele alterou mais uma vez o seu nome. Se a conveniência política o fez acrescentar o apelido para disputar eleições, mais uma vez a conveniência política o fez mudar de nome, para mim, ele inclui mais um ele em seu nome, exatamente em homenagem a quem hoje é sua base de sustentação.

Quero crer que existiam outros caminhos possíveis. Lulla e Collor eram muitos mais próximos do que pareciam em 89, tanto na ação, quanto nas idéias, isso é triste. Mas o triste é imaginar que fui eu quem menos mudou desde então…

Eu não abraçaria o outro assim. Ainda não acredito que devem haver interesses que são tão maiores que os sentimentos que um já teve diante do outro. Ainda mais do que demorou um pouco mais de tempo para chegar lá. Aprendeu do modo mais permissivo possível. Não fiz inimigos como Collor, mas tampouco os abraço.

Daniel Piza escreve no Estado de hoje sobre Graciliano Ramos e sua renúncia à prefeitura de Palmeira dos Índios, caso raro de alguém que abriu mão do poder. Ficou ainda maior, vou citar apenas os nomes de algumas de suas obras, veja se não tem a ver…:

São Bernardo
Angústia
Vidas secas
A terra dos meninos pelados
Infância
Insônia
Histórias incompletas
Memórias do cárcere
e Viagem

Vidente esse Graciliano, não????

Ideologia, cultura e Estado: lei 10.559 e lei Rouanet

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O Estado de S. Paulo trouxe ontem uma entrevista muito interessante com a pesquisadora Glenda Mezarobba. Ele trata dos desvios que acabaram acontecendo com a bem intencionada lei que buscava reparar os prejuízos causados pela ditadura militar. Sua tese é o livro Um acerto de contas com o futuro: a anistia e suas consequências.

Seu ponto, há uma inversão de valores, quando pessoas que tiveram prejuízo profissional, é claro que outras questões estão envolvidas, torturas aconteceram, recebem hoje indenizações milionárias, de milhões mesmo, e os que perderam a vida, deixaram para seus parentes no máximo 150 mil reais. Como diz a autora, é um exercício de futurologia recompor a trajetória interrompida e calcular os valores da indenização e da pensão, é um grande negócio que já custa a união mais de 2,5 bilhões de reais e vai aumentar. É claro que já apareceu beneficiado que virou agente. Além da implícita quebra de valores, um emprego parece valer mais que uma vida, há um mercado e como diz, se não me engano, Millôr Fernandes: achei que era por ideologia, não por aposentadoria que “a esquerda” se rebelou contra a ditadura.

Mas parece mesmo que o brasileiro se acostumou com o Estado. Eu sei que a cultura é uma das áreas mais dependentes do incentivo, mas a lei Rouanet é bastante discutível, nunca a utilizei como editor, mas não estou criticando, mas me pergunto qual é o valor de um patrocínio? Quem acompanhou a briga pública entre Lygia Fagundes Telles e Maitê Proênça pelo nome As meninas. Também não quero julgar, acho que a Maitê tem razão ao afirmar que o quadro do Velasques tinha esse nome antes do livro da Lygia, mas é triste ler na mídia que a atriz não quer o patrocínio por um nome? Quanto vale um patrocínio? Quanto vale o cavalheirismo? Quanto vale o respeito?

E aí, podemos incluir na mesma baciada os cantores que utilizam a lei Rouanet para ter supostamente a viabilização de seus shows para um público mais amplo. Também não tenho nada contra, mas discordo de Caetano Veloso ser mal humorado ao responder sobre as revisões de decisão depois de apelos ao ministro Juca Ferreira. É carteirada sim, e no mínimo, Caetano e tantos outros, deveriam pensar e ter a paciência para responder o questionamento legítimo da imprensa, principalmente daqueles que representam os inúmeros eventos de cultura popular menos midiáticos que ficam de fora.

É brasileiro se acostuma com o Estado, acho que todos os artistas e ideólogos deveriam repensar seus valores e no mínimo, saber o que dizer e como justificar porque merecem os privilégios. Fala Caetano, sendo injusto de colocá-lo como representante não só da categoria artística que consegue pedir revisão das decisões direto ao ministro, como também, dos engajados que viram seu sucesso profissional ser sacramentado por uma lei que foi impiedosa com os méritos, e pouco conseguiu fazer para de fato eliminar e culpar quem causou o que causou. O Estado brasileiro sinaliza que valores valem menos do que o papel moeda que consegue imprimir.

Papel de pai discutido de forma profunda

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Existem várias formas de discutir o papel paterno. Uma que se tornou popular é a que reforça o arquétipo provedor, para tanto existem várias “besteiras”, como os livros de auto-ajuda, a série Pai rico, pai pobre vendeu quase 1 milhão de livros no Brasil e não deve ter feito nenhum milionário e tampouco contribuiu para aproximar pais de filhos.

O caderno Aliás de hoje faz muito mais. Se você não leu, fique atento. Há uma ótima entrevista com o terapeuta familiar Paulo Fernando Pereira de Souza, imperdível. Coloca as questões jurídicas de forma ampla e verdadeira, mas aprofunda os papéis e as figuras de pai e mãe, apresenta o conceito de Winnicott de mãe suficientemente boa (a que está presente mas ao mesmo tempo permite a criança crescer e viver) e diz que não foi ainda definido o pai suficientemente bom, que é algo em formação ou discussão.

Toda essa discussão é derivada da questão do menino S. e da disputa entre o pai biológico e o padrasto. Para o bem do menino a justiça terá que ir além de seu papel legal. Como lembra um outro artigo de Debora Diniz, eis um caso propício ao bíblico julgamento de Salomão.

Já que a questão paterna está em aberto, vale também ler É preciso ser feliz sozinho, com o pop psi, sem muito preconceito, Flávio Gikovate.

Primeiro apagão - o que é a memória?

Na segunda sofri um pequeno acidente de lambreta, o suficiente para apagar por alguns minutos e retirar da minha memória tudo o que aconteceu um quarteirão antes do local.

Mistérios da memória, que edição involuntária fiz? Vai voltar? Será que ficarei com os pontos e as dores, mas sem os fatos? Alguém aí já sofreu também algum apagão?

A discussão está interessante na Book Expo America

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Para onde caminha o mundo do livro? Essa discussão me tomou os dois últimos dias. Não é fácil, além do esforço de passar o dia ouvindo diferentes sotaques, é muita informação nova.

O que dá para sacar é que:

1) o livro se deu bem em ser conservador, não embarcou imediatamente e pelo menos não viu o seu negócio acabar, como o das gravadoras;

2) a recessão chegou, a feira deste ano está 21% menor do que a de 2007, último ano em Nova York, mas o mercado americano em 2008 foi de 40 bilhões de dólares, isso mesmo, 40 bilhões de dólares, só os livros impressos em papel, o mercado brasileiro em 2008 deve ficar entre 3 e 4 bilhões, de reais, é muita diferença. Nos Estados Unidos existem mais de 120.000 editoras ativas…;

3) o digital é inevitável, como será? Ninguém sabe, mas é bom estar preparado;

4) é bom ver os cachorros grandes brigando pelo livro: Amazon, Google, Microsoft, todos bem maiores do que as gigantescas editoras americanas, todos querendo de um modo ou outro dar uma bicadinha no mercado, é porque tem mercado

5) Aqui se publica muito coisa boa, mas a quantidade de lixo é incrível, deve ser porque os profissionais da indústria gostam, êta povinho medíocre…

6) Chega, as outras questões da feira vou colocar no planejamento estratégico da Virgília e dos outros negócios que toco.

Conteúdo - Quartim de Moraes: popular x saber

Tem na página 2 do Estadão de hoje um artigo do editor A. P. Quartim de Moraes sobre essa questão da qualidade do conteúdo, do que é um bom livro?

As necessárias regras de gestão no setor livreiro também trouxeram algumas questões mais complexas, não só no Brasil, é claro que para atingir público grande é muito mais fácil não exagerar, não dificultar, ficar no básico, no fácil. O problema é quando as pessoas se acostumam a isso, a mediocridade é nefasta, se apodera das pessoas, é um instrumento poderoso.

Editoras e livrarias hoje gostam muito de livro que vende, não sou contra isso, é um prazer enorme fazer algo e ver isso ser aceito e adotado pelas pessoas, mas hoje se chegou ao exagero. Sempre me questionei sobre o que chamei dilema “Silvio Santos”, antes era praticamente só ele, hoje, basta ligar a televisão e ficar imaginando se aqueles apresentadores são daquele jeito junto às suas famílias ou é apenas um jeito de ser que garante a sua confortável sobrevivência. Imbecilizam as pessoas. Na última segunda li na coluna da Sonia Racy uma interessante entrevista com o cineasta Heitor Dhalia que está deixando a O2 para fundar sua própria empresa, em parceria com uma iraniana que atua de Paris. O sonho dele é também o meu, fazer coisas de qualidade e que possam atrair o público. Ele tem 5 anos a menos do que eu que devo ter uns 20 a menos que o Quartim, todos brigando contra a mediocridade, ou talvez, não querendo assumir a perda das ilusões.

O segredo vende bem por que? Desafio, aliás, dou 3 livros para quem conhecer alguém que mudou sua vida depois da leitura dele e de tantos outros. Vende bem porque fala o que as pessoas querem ouvir, querem, para ficar na mesma. É claro que para as livrarias é muito mais fácil vender 1 milhão dele do que várias centenas ou milhares de autores que não fazem falsas promessas, até algumas vezes nem sabem onde querem chegar, mas estão mais alinhados com a essência humana. Cuidado para não perder seu tempo visitando as livrarias erradas e, pior, lendo a maioria desses livros que querem apenas resolver o problema do autor, ou, ainda pior, de um autor que não entendeu nada ainda dessa confusão que é o mundo…

Sexto sentido ou tormenta?

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Você já viu um vídeo do TED com a professora do Media Lab do MIT Patti Maes? É sobre sexto sentido. Depois de assistir, ficar muito impressionado, mostrar para minha mulher, é que de fato entendi o tal do sexto sentido.

O sexto sentido não é o que a tecnologia vai fazer por nós, muito bem ilustrado nos 8 minutos da apresentação, aliás, o TED é uma ótima fonte de conteúdo de primeiríssima linha, não só tecnológico, mas sim, o que faremos apesar da tecnologia, deu para perceber? Com tudo o que o pequeno aparelho que está sendo desenvolvido é capaz de fazer, sexto sentido de verdade será a atitude humana de ainda assim manter para si a tomada de decisão, ou seja, caminhamos de vez para assumir de vez a imperfeição da espécie, diante de todos os recursos, ainda aposto que manteremos um espaço para nossas vaidades, desejos e sutilezas, resta saber se após consultarmos a resposta certa ou não, aí já será um estudo para os psicólogos do futuro.

 Vídeo do sexto sentido, clique aqui. Ah, o livro mostrado foi lançado por mim na Negócio Editora ainda em 2002, é do mexicano Juan Enriques, coloquei o nome em português de O futuro e você.

Até tu ONU!

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Confesso que não tenho a mínima competência para avaliar a gestão de Koffi Annan a frente da Organização das Nações Unidas (ONU), mas matéria de ontem no Estadão do futuro autor da Virgília, Jamil Chade, me deixou pasmo.

O artigo é sobre o livro que seu porta-voz está lançando, e fala sobre as pressões que sentiu do governo americano, principalmente depois da questão do Iraque. Se você ainda não leu As ilusões perdidas, é melhor ir devagar, já há questão do post abaixo, sobre a confusão na FAAP, que, independente de quem estiver certo, também recomenda a leitura de Balzac. O final do artigo é forte, narra a transmissão do cargo para o coreano Ban Ki Moon que no discurso, depois de elogiar o terno de Annan, disse que iria limpar a ONU.

Annan replicou com uma insinuação antológica: se você conseguir limpar a ONU, dou o telefone do meu alfaiate…

Elio Gaspari, Kindle, livros e Delfim Netto

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Em sua coluna ontem na Folha de S. Paulo o jornalista Elio Gaspari fala sobre o Kindle, os hábitos de leitura e sobre os efeitos do iPod e os possíveis similares na leitura, vale observar, os assinantes da Folha ou do uol podem clicar nas imagens acima e ler o texto.

Há uma interessante comparação entre o custo de se ler o The lost city of Z, da lista dos mais vendidos do New York Times. 16,50 dólares pelo livro e mais 10 de frete standard para poder lê-lo daqui a um mês. 16,50 dólares pelo livro mais 37 de frete se quiser começar a lê-lo daqui seis dias úteis pelo frete expresso, ou então, 10 dólares pelo Kindle, se você é brasileiro vai depender de um amigo com endereço nos Estados Unidos, Gaspari até dá o blog do Antonio Carlos Silveira onde se lê as dicas para utilizá-lo daqui (sim, o Kindle é oficialmente para residentes nos Estados Unidos).

Mas o final do artigo é bem gaspariano, utiliza a grande figura do ex-deputado e ex-ministro Delfim Netto, aí o grande é apenas constatativo, dono da maior biblioteca privada do Brasil (270 mil títulos) e cliente preferencial da Amazon e da Strand em Nova York como o fiel da balança, quando ele aderir ao Kindle, aí sim, o mundo terá mudado…

Inveja - Loredano e a economia das palavras

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Mais uma vez expresso minha “inveja” com o talento e a capacidade do Loredano de dizer coisas com um resultado que eu, e muitos outros escritores, teríamos dificuldade, utilizando palavras. 

Reproduzo esta charge do Estadão de hoje, de onde recomendo também a leitura do artigo vizinho da página 2, do Demétrio Magnoli sobre PMDB, Maranhão e Sarney, três coisas que talvez não se dissociem, para azar das coisas boas que existem, principalmente no Maranhão…

 E, ironia do destino, talvez um aviso para o Ronaldo Fenômeno, que é sempre visto por onde anda: até quando se escaneia um jornal, sua sombra aparece (olhe a imagem que se forma atrás da cabeça da charge). Mas justiça seja feita, aí a associação, ou a brincadeira, é apenas com o peso do bicho escolhido para a charge do Loredano, é comum alguém falar, estava um porco de gordo…

Relação autor-editor

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Na semana passada estive numa festa de aniversário da filha de um autor que ficou amiga. No final, na despedida, ganhei um beijo carinhoso do mesmo, já um senhor. Não pude refletir sobre minhas visões dessa relação que eu mesmo já disse que é “fadada a dar errado”.

Por que condenei a relação? Por algumas razões práticas. De um lado, o autor vai sempre encontrar pontos importantes a serem cobrados, principalmente em relação a falhas de distribuição (se você está para publicar um livro e a editora promete excelência nessa área, desconfie, ou está sendo mal intencionada ou tem padrões muito baixos de atuação, qualquer editora, por mais bem-sucedida que seja, tem consciência das dificuldades de distribuição de livros no Brasil). Do lado do editor, ele vai entrar em contato profundo com os pensamentos daquele autor e aí, conviver intimamente com ele durante um período, e aí, em alguns casos, são duas pessoas diferentes, ou seja, nem sempre todo mundo faz o que diz, ou melhor, o que escreve…

No período de lançamento do livro os dois estão ansiosos e focando na mesma direção, as expectativas ainda não foram encaradas pela realidade, tudo é possível, esse mercado é um dos mais próximos a loteria que eu conheço. Passado isso, tem o próximo lançamento do editor, a nova fase da vida do autor e a proximidade já não é tão grande, se o processo foi bem conduzido, resta um respeito e uma admiração mútua, que muitas vezes não é maior do que as cobranças.

Mas no final daquele aniversário pude sair com uma sensação de missão cumprida. Mesmo que as vendas tenham ficado aquém do esperado pelos dois lados, houve um consenso não dito que os dois lados deram o melhor de si.