Assunto: Reflexão



De onde devemos buscar nossas referências?

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O mercado, famosa entidade máxima da sociedade capitalista é soberano, democrático, exibe e reserva lugar ao sol para todos. Numa sociedade de tradição oral, como lembrou Antonio Carlos de Almeida no suplemento Eu&final de semana do último Valor de sexta, para lembrar porque o brasileiro e o seu representante mor, lêem tão pouco, o pouco que se le é muitas vezes de se perguntar, é melhor não ler nada ou ler isso?

Quem precisar aprender algo com a tal da baleia do Sea World (O que a baleia Shamu me ensinou sobre a vida, amor e casamento)  não está olhando em volta, é triste imaginar que existe mercado para esse tipo de livro. Ainda não me conformo com os livros de histórias de cães e gatos, por mais que esses dominem espaços no passado reservados a exemplares humanos. A tentativa de facilitar as coisas é sempre perigosa, sempre corre-se o risco de passar do ponto. Preconceituosamente, porque sequer peguei o livro, apenas o vi na vitrine da livraria do aeroporto ontem, convoco todos a repensarem se precisam mesmo de tudo tão mastigado. Editores, livreiros, leitores, qual é o mínimo que nos garanta uma evolução de uma geração para a outra?

Falando em vida inteligente recomendo fortemente a leitura do artigo do Renato Janine Ribeiro no mesmo suplemento, reproduzo aqui o último parágrafo, mas vale a leitura integral, introduzi um link no parágrafo. Abaixo a burrice, olha a profundidade das questões que o Janine coloca, pobre Shamu…

Quer isso dizer que o capitalismo está condenado à ganância, que pode destruir o mundo, assim como está eliminando riquezas enormes? Não sei. O que deu força ao capitalismo é que apostou em paixões, digamos, fáceis de seguir. As alternativas a ele, feudais ou socialistas, exigem mais de nós. O capitalismo é confortável. Não pede uma alta moralidade. Lida com os homens “como eles são”. Uma sociedade cristã, socialista ou amiga da natureza demandaria muito mais de todos nós. Será que nos dispomos a pagar o preço da moral? Ela não é barata. Por isso, a questão é mais funda: pode ser que, estes séculos, estas décadas, tenhamos vivido na ilusão de que dava para viver bem e para viver segundo o bem. Pode ser que não dê. Pode ser que tenhamos de escolher. A ética é cara. Pode custar riqueza, cargos, a própria vida. Estaremos dispostos a incluir o heroísmo, talvez até o martírio, em nosso rol de experiências possíveis? Se não, a destruição periódica que o capitalismo efetua pode continuar sendo mais conveniente para nós. Mesmo que, um dia, o planeta acabe.  

Absurdo dos tempos - que filhos criamos?

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A foto não é das melhores, foi tirada de forma meio envergonhada, meio chocada, com o meu celular.

Estávamos em família (eu, minha mulher e os dois filhos), fazendo um almoço de final de ano. Nesses encontros o conceito de família é checado (como o é a cada instante de convivência), são 4 aspirações diferentes, quatro fases de vidas, um casal descobrindo sua maturidade, um filho descobrindo sua pré-adolescência, e uma filha ainda no início da infância. Diferente dos contos de fada, nem tudo caminha para a mesma direção, mas acredito que é necessário trabalhar muito e isso requer dedicação de todos.

Quando olhei para o lado vi um casal chegando com um filho e estranhei o “computador” que colocaram na mesa, esses dias não são tão ativos de trabalho, o pai estava vestido de forma bastante informal. Minha surpresa foi descobrir que não se tratava de um computador e sim de um dvd portátil. Coube a criança, de uma idade próxima a da minha filha, escolher entre 2 filmes da Disney. Decisão tomada, o pai colocou o dvd, apertou o play e junto com a mulher foram servir-se de salada.

Não bastasse a influência da televisão como educadora de muitas crianças em casa, agora os aparelhos de dvd substituem os pais também nas interações fora de casa, quando todos estão juntos. Do jeito que a coisa anda, as babás tempo integral vão ser lembradas como o máximo de humanidade na educação dessa geração, ou então, as crianças de hoje só saberão responder emocionalmente apertando botões…

Madame Bovary também é você - nem que virtualmente…

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Há poucos dias fiz um post sobre Madame Bovary, mas clássico é isso, inspira em outras áreas. Para quem não leu a coluna do Contardo Calligaris ontem na Folha de S. Paulo, recomendo fortemente. Uma continuidade da semana anterior, discutindo pornografia na internet e traição. Emma Bovary, parafraseando Flaubert, pode ser eu, você ou qualquer pessoa, mas desta vez, sem a necessidade da carruagem à proteger as aventuras. Agora utiliza-se a rapidez da conexão que aproxima as idéias e as palavras mas afasta os corpos.

Mas discutir os Bovarys é discutir o tédio na existência. Como ele anda na sua? Como anda o seu relacionamento? Não dá para ter descanso. Se o ímpeto da resposta sugeriu “estável” eis algo que não se sustenta. Leia o Contardo, com um pouco mais de fôlego leia Madame Bovary mas faça algo de prático, sem fazer nada, lhe restará escolher um dos lados do livro, quem será Charles? Quem será Emma? O pior é se os dois forem Charles, aí, haja monotonia. Mas ainda pior é ser salvo apenas por um movimento dos dedos no teclado…