Honestidade por aproximação

[…] Continuação

Algumas pessoas ligadas ao meu círculo de amigos me auxiliaram voluntariamente. Esses colaboradores, jornalistas, professores universitários, redatores e advogados, ora analisaram processos, ora tiraram fotografias de jornais e revistas ou, ainda, me ajudaram organizando os dados coletados. A pedido deles, não tiveram seus nomes citados na obra por não acreditarem que a Justiça seja capaz de atuar de forma eficiente e eficaz para corrigir os desvios praticados na FAAP e punir os responsáveis. Assim mesmo, decidi seguir em frente.
Conhecedora das dificuldades de se lançar uma obra do tipo no Brasil, decidi criar uma editora e lançar o livro, iniciando, assim, vôo livre pelos tortuosos caminhos do jornalismo investigativo. Para isso, investi parte das minhas economias, dinheiro suado resultante de 24 anos de muito esforço.
Em 30 de maio último, chegou às bancas de jornais a edição de 3 de julho da revista Veja. No seu encarte Veja São Paulo, consta uma reportagem intitulada Ti-ti-ti na Faap que contem diversas imprecisões que necessitam esclarecimentos, mas que, principalmente, demonstra a desesperada tentativa da direção da FAAP em desviar a atenção da imprensa e da sociedade diante das gravíssimas denúncias de que foi alvo.
Como todas as acusações retratadas no livro são lastreadas em provas irrefutáveis, os diretores da FAAP estão tentando mudar o foco da questão e se utilizando dos serviços da policia civil para realizar investigações de natureza particular. Conforme informa a reportagem, o advogado Arnaldo Malheiros Filho alega que a Faap só vai se manifestar quando a policia apurar quem fez o livro, de onde veio o dinheiro e qual é o seu objeto. Essa, evidentemente, não é a função da polícia…
Em plena demonstração de uso indevido da máquina estatal para atender os seus interesses escusos, a diretoria da Faap vem tentando intimar a mim, ao meu sócio na editora, ao profissional contratado para fazer a diagramação do livro e, até mesmo, diversas livrarias, para depor em uma delegacia localizada em outra região da cidade. Para que as intimações fossem entregues, um enorme aparato policial foi organizado e várias viaturas policiais foram enviadas aos nossos endereços e os prédios fotografados. À minha residência compareceram, de uma vez só, quatro viaturas e mais de uma dezena de policiais! Atitude bastante comum na época da ditadura quando não tínhamos uma Constituição que nos garantia liberdade de expressão. Já constituí advogados para cuidarem do assunto devidamente.
Primeiramente, há que se indagar quem está pagando os honorários do Dr. Malheiros: a Faap ou os acusados? Não é justo que a vítima Faap assalarie o defensor dos interesses de seus espoliadores. Essa questão é de extrema importância, pois se o advogado estiver agindo em nome da FAAP e sendo por ela remunerado, mais uma vez a diretoria da fundação estará se beneficiando indevidamente da entidade que controla. A festança estará tendo continuidade, sem limites, nem pudor.
Embora não seja da conta do Dr. Malheiros, reitero aqui que o Dr. pode descansar de sua busca. Esclareço a ele e seus contratantes, que fui eu quem redigiu o livro, assim como o financiei. E o meu interesse está claro: Como cidadã, desejo que a FAAP, uma fundação de interesse público, seja administrada por pessoas honestas, sem interesses parasitários, que ajam estritamente dentro da legalidade e que todas as irregularidades praticadas pelos seus administradores sejam objeto da devida punição, com a competente restituição à fundação de todos os bens e valores a ela pertencentes.
Ademais, como autora e editora, venho a público esclarecer que:
1) A Editora Biografia não tem nenhuma responsabilidade sobre os livros que foram, supostamente, distribuídos nas proximidades da FAAP.
2) A Editora Biografia enviou exemplares do livro para algumas autoridades (desembargadores, juízes e promotores) e bibliotecas de universidades públicas e particulares. Mandou exemplares, também, como sugestão de pauta, para alguns profissionais de comunicação. Não enviou qualquer exemplar para alunos da instituição e, muito menos, para a residência de qualquer aluno.
3) Trabalho desde os 12 anos de idade. Nunca fiquei desempregada e, assim como milhares de brasileiros, investi parte das minhas economias em meu próprio negócio, a Editora Biografia Ltda., sem usar recursos de quem quer que seja, muito menos de qualquer fundação.
4) A direção da FAAP usou mais uma vez da intimidade privilegiada que cultiva com algumas autoridades e, neste caso, integrantes da policia para, de maneira abusiva e intimidatória, convocar para depor pessoas que não mantêm qualquer relação direta com a Editora Biografia e comigo, autora do livro. Tal procedimento é uma tentativa primária e grotesca de tentar desviar o foco das denúncias. Resta saber se o mesmo delegado que nos convocou para depor, irá se empenhar de igual forma para convocar os diretores da FAAP e aqueles de quem esses se cercam - para investigar as irregularidades por eles praticadas, muitas delas tipificadas como crimes!
Estudei as ações da direção da FAAP durante dois longos anos. Não me surpreendi com as questões levantadas pelo Dr. Malheiros e não vou me surpreender se campanha difamatória contra minha pessoa for iniciada com o objetivo de denegrir minha imagem e desqualificar meu trabalho.
Reitero que o livro Faap - Honestidade por Aproximação é resultado de uma extensa e intensa reportagem investigativa e que cumpro meu dever como profissional levando os fatos ao conhecimento do público e exijo, como cidadã, que Justiça seja feita e que a Corregedoria da Polícia e o Ministério Público exerçam o seu verdadeiro papel!
Wanderleia Farias
Editora Biografia Ltda.

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