LIVROS - Jeito brasileiro - Palavra do editor
Por que editei este livro?
Alguns temas são tão constantes e necessários que mais parecem valores morais. Criatividade é um deles. A capacidade de criação é um dos motores da vida humana, muito pelo que produz externamente, mas mais ainda pelo que é capaz de devolver ao criador. Poucos prazeres se igualam ao de se deparar com um fruto da própria criação, seja uma idéia, um produto, uma ação.
Este livro não fica na receita para ser criativo, na discussão se todo mundo nasce criativo e alguns ainda não encontraram a fórmula mágica. Em alguns momentos o leitor pode até acreditar que essa foi a opção do autor, mas não foi. O grande mérito de Andy Smith foi ter se envolvido com o tema de modo desprovido de vaidade, se é que isso é possível em algum exemplar da espécie, sem interesse comercial, não pretende, pelo menos não pretendia, tornar-se consultor, o fez por curiosidade, talvez um dos sinônimos mais legítimos de criatividade. Assim, serviu de canal de transmissão da idéia dos respondentes: 39 profissionais das mais diversas áreas. Na minha cabeça o livro poderia se chamar “Salada russa”, tamanha a diversidade de formação e atuação, mas preferimos questionar o arquétipo do brasileiro criativo.
De profissões e profissionais mais tradicionais a expoentes de vanguarda, passando por alguns para os quais eu até dei uma torcida de nariz, as respostas têm fôlego suficiente para discorrer sobre o tema, para que se entenda o modo de trabalho, as dificuldades e as pressões por resultado pelas quais passam aqueles que precisam e vivem de entrega, da transformação, da concretização de sonhos e idéias. Sugiro que você deixe preconceitos de lado, aprenda um pouco sobre o setor do respondente, como cada um conduziu e vê os momentos decisivos, quais são algumas das dificuldades e como tende a reagir.
Isso vai fazer de você uma pessoa mais criativa? Não é garantido, mas desde um outro livro sobre criatividade que publiquei há muitos anos eu me esforço para variar os caminhos, aproveitar melhor o entorno. Comecei isso numa busca da criatividade, encontrei uma nova relação com a estética e a arquitetura. Imagino que algo semelhante aconteça com você.
Marcelo Melo, editor
