LIVROS - O mundo não é plano - Palavra do editor

Por que editei este livro?
Não foram necessários mais do que alguns minutos de conversa telefônica com Jamil Chade para concluir que estava diante de um projeto incômodo. Incômodo, porém absolutamente necessário. Se como editor não ficasse sensibilizado com esses assuntos, que papel acreditaria estar reservado a alguém na minha posição?

É claro que bateu a dúvida: as pessoas querem encarar essa dura realidade de frente? As pessoas comprariam um livro que conta histórias sobre um lado muito pouco nobre da humanidade? É claro que muitos não, preferem fingir que tudo está bem, ou então pensar que já têm problemas demais para se preocupar com o que vivem esses africanos. Outros podem ainda argumentar que não é necessário ir tão longe para mostrar drama tão profundo: temos parecido em nosso país.

Mas para mim ficou claro que toda a experiência vivenciada por Jamil em algumas viagens pelo continente africano ou então em outras regiões, avaliando a questão da fome, não poderia nem deveria ficar restrita ao que já foi publicado em páginas do jornal O Estado de S. Paulo. Negar esse projeto seria desistir da convicção que as coisas podem mudar. Mas mudanças, na minha visão, apenas acontecem quando um número grande de pessoas não só tem a consciência e a visão dos fatos, mas também quando sente proximidade, daí o livro e a provocação ao título do Friedman.

Este livro deixa claro que muita coisa está errada, que o modelo atual não é bom para todos, que existem regiões onde o tempo parou. O que você tem a ver com isso? Essa é uma questão pessoal. A idéia é que este livro sirva como uma reflexão, um antídoto contra a hipocrisia, um despertar. Que a partir da leitura dessas histórias, você mude sua atitude diante do homem, que você olhe para a espécie, assuma que muitos problemas existem e que a solução também passa por você. Como? Cada um deve descobrir sua participação.

Marcelo Melo

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