LIVROS - Plano B - Palavra do editor
Por que editei este livro?
Preciso confessar que apesar de reconhecer a enorme importância da questão da sustentabilidade ando meio cansado com tudo o que envolve o politicamente correto. Em tempos de marketing pós-moderno, identificar o necessário e incorporar de maneira pouco orgânica o que traz resultados é uma pratica bastante difundida. Isso é muito ruim, rapidamente deixa tudo com a mesma aparência. De repente, todos estão preocupados com o mundo, todos querem tomar atitudes para ajudar. Então não tá bom? Não, não porque se fosse sincero e contínuo, estaríamos em outro patamar. Estou então reclamando que as pessoas, empresas e instituições tem mais discurso do que prática.
Quando o pessoal do ABN, o Rodrigo Vieira da Cunha, o Marcelo Torres e o Sandro Marques me apresentaram a idéia de um outro projeto também me convenceram que o João Thackara era alguém especial.
Tinha também outra moda a ser vencida, a do design. De repente design virou a palavra. Há pouco tempo conversava com a Adriana, minha mulher sobre o quanto ela estava desperdiçando a chance de se posicionar na “crista da onda” como se dizia antigamente. Sim, ela é formada em desenho industrial, ou seja, é designer há vinte anos, desde o tempo onde as pessoas olhavam para a essência da profissão sem toda essa carga de marketing. Sim, o design é fundamental, é absolutamente sedutor, pode contribuir, facilitar e embelezar nossas vidas, mas não é a salvação de todas as empresas e não pode ficar restrito apenas as elites. Está, ou estava na essência do design ser de produção de massas, mas as maluquices da espécie acabaram segregando os resultados para poucos, como dizem os piores, “para poucos e bons”. O livro do Thackara não é nada disso, é um alerta bem fundamentado do que pode ser feito para que o mundo continue a existir e seja menos injusto, inclusive para aqueles que estão distantes de nós. Thackara precisa ser lido e praticado.
Marcelo Melo
editor
