Blog da Editora Virgília - Sobre Livros e Cultura

Best seller de verdade - os maiores vendedores da década

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A Época Negócios de fevereiro trouxe uma tarja com os principais vendedores de livros da década encerrada. O Mago já foi mais ativo, Paulo Coelho aparece na 85a. posição, tendo vendido 2,2 milhões de exemplares. Os leitores estão preferindo magias nos livros e menos nos autores…

A campeã disparado foi J. K. Rowling da série Harry Potter com 29 milhões de exemplares, um grande predomínio de autores de livros infantojuvenis e outra figurinhas carimbadas que possivelmente não virarão clássicos no século XXII como Dan Brown, John Grisham e Danielle Steel.

1) J.K Rollwing, 29 milhões; 2) Roger Hargreaves, 14,2 milhões; 3) Dan Brown, 13,4 milhões; 4) Jacqueline Wilson, 12,7 milhões; 5) Terry Pratchett, 10,5 milhões; 6) John Grisham, 9,8 milhões; 7) Richard Parsons, 9,5 milhões; 8) Danielle Steel, 9,1 milhões; 9) James Patterson, 8,1 milhões e 10) Enil Blyton, 7,9 milhões.

Que sobrem uma parte desses leitores e juntem-se aos que se formaram em outras fontes.

Goethe e a busca de algumas bases

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Descobri pelos colunistas da Folha que confundia Werther com Meister, ou seja, assumi que desconhecia Goethe, bela figura a embelezar um peso de papel em casa ou de quem visitei a casa em Weimar. Como ignorância tem limite, ensaiei entrar na obra por Fausto, o volume duplo, já nas minhas estantes avisa que levará certo tempo, decidi então um atalho.

Comprei Os sofrimentos do Jovem Werther e Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister. Gosto de livro, por isso optei pelas melhores edições que encontrei, Martins Fontes e 34, as de bolso disponíveis, pecam pela tradução, pelo tamanho da letra e pela falta de fetiche.

Com 100 anos de atraso

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Conclui a leitura do perfil de Joaquim Nabuco escrito por Angela Alonso. Trata-se de uma leitura bastante agradável, com um estilo romanesco, bastante elogiável, ainda mais por se tratar de alguém com uma formação acadêmica em humanas, geralmente com cacoetes de intelectualismo e proposital falta de clareza, garantia de sucesso e sinônimo de inteligência entre os colegas.

Angela escreveu um livro muito gostoso. Infelizmente eu pertencia a geração que foi ensinada a louvar Rui Barbosa o Águia de Haia, sabia pouco de Nabuco até esta leitura. O livro também mostra como as coisas aconteciam e ainda acontecem, a junção do político, do social e do econômico. Nabuco foi figura das mais interessantes da história do Brasil, um digno representante de uma elite que faz falta, “que pensa, que assume o posto, faz a festa, mas não arrebenta”…

Ele perseguiu uma causa, descoberta no meio do caminho, por ela e por um lugar mais destacado abriu mão do dandismo. Não quis ou não soube fazer um outro jogo que talvez lhe garantisse uma vida mais confortável. Mas a família de Eufrásia Teixeira Leite não queria ser trampolim para nenhum bonitão, bom de discurso e ruim de bolso.

Nunca fui dos mais simpáticos a reis e imperadores, mas lendo este perfil fica fácil descobrir que a implantação da República também foi uma festa.

Não é fácil ser um liberal 360 graus - Coutinho e o suicídio

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A coluna de João Pereira Coutinho de hoje na Ilustrada toca num tema complexo: suicídio. Na verdade, direito ao suicídio assistido. Sim, na Suiça existem empresas que operam neste ramo de negócio.

 Eu não conseguiria pensar em ganhar dinheiro daí, como também não consigo ser dono de cemitério ou funerária, apesar de reconhecer a importância e conveniência desses serviços. A Dignitas lhe oferece substâncias que o fazem perder a vida sem sofrimento. O site está em sua maior parte acredito que em alemão. Algumas das resistências a operação são narradas no artigo ou encontradas na internet.

É interessante onde chegamos, daqui a pouco tudo poderá ser contratado pela internet. Caminho para a posição de deixar que as pessoas tenham o direito a decidir seu futuro. Mas é claro que o entorno terá um papel no mínimo muito complicado. São discussões infindáveis. Quem garante ter total domínio das faculdades mentais? Só os mais loucos? O que posso dizer é que discordo da alusão feita a nazismo pelo articulista, uma das hipóteses de suicídio é por gás.

Se as pessoas devem ter direito de escolher sobre sua vida, devem ter um direito completo, por mais esdrúxulo que isso possa parecer àqueles que não conseguem encarar a falta de opção como opção. A vida segue sendo um mistério dos mais interessantes, e alguns insistem em encontrar um sentido para ela. Cada vez mais me convenço que é preciso criar um sentido, não ficar buscando uma resposta correta que nunca vai aparecer, só para os iluminados, na minha visão, pessoas com menos coragem de acordar amanhã conscientes que ainda estão no fundo sozinhos, só podem ser ajudados por outras pessoas, com as mesmas fraquezas que ela.

A Itália é um país engraçado…

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Os italianos não só falam com as mãos, como se contradizem em quase tudo. Colocaram na presidência um homem que faz o que a maioria dos italianos gostaria de fazer mas não tem coragem de assumir. O cara participa de orgias, tem um time e manobra o futebol, faz operações no mínimo suspeitas com suas empresas e lá está, firme e forte. Mas como justificar isso em público? Perante o mundo inteiro?

Talvez a nova medida anti-blasfêmia seja o início. Agora nos campos de futebol não se pode mais nem blasfemar nem falar palavrões. O jogador deve ser punido com cartão vermelho, tal como os participantes do importantíssimo Big Brother, falou palavrão,  expulso. No futebol a discussão agora é com o goleiro Buffon, parece que falhou e daí gritou Dio… Querem a punição, ele afirma que pode ter dito Tio, ou Dino, ninguém conseguirá provar…

Com o país integrando o novo grupo econômico Piigs (os que estão colocando o euro sob risco: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), será que ninguém sério vai fazer alguma coisa útil? Nosso grupo o Brics é mais bacana e ainda podemos falavar palavrão à vontade. Nosso presidente parece que consegue se contentar com a dona Marisa, mas não se contém diante de um palavrão ou uma blasfêmia.

Literatura entra na avenida querendo ser campeã

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Se o livro que estiver lendo hoje à noite lhe der sono, ligue a TV e veja a literatura na versão do Salgueiro no carnaval 2010. O desfile promete homenagear grandes momentos da literatura mundial, grandes obras que inspirarão os carros alegóricos.

Não sei quem serão os escolhidos, vamos ver se serão suficientes para eles alcançarem o bicampeonato. Se fosse crítico literário, começaria discordando da rainha da bateria. A tal Viviane Araújo, madrinha da bateria, não passa de um romance popular, com todas as peças no lugar, mas a quem falta um pouco de classe e ousadia…

Mas gosto, não se discute.

O basquete e os shoppings salvaram a literatura?

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O que uma equipe de basquete e alguns shoppings centers podem fazer pela literatura e pelo mundo do livro? Muito, na prorrogação Herb Simon, o dono da equipe do Indiana Pacers na NBA e de vários shoppings centers pelos Estados Unidos, não resistiu ao seu amor pelos livros e comprou a “condenada” Kirkus review.

Para quem não é insiders no mundo do livro, a Kirkus é especializada em escrever resenhas sobre livros, ou seja, gerar conteúdo e opiniões sobre obras a serem lançadas, argumento bastante utilizado como ferramenta de venda.

Se, por um instante, alguns decretaram a morte das resenhas e a ascensão dos prêmios como critério de qualidade das obras, o empresário foi lá e adicionou o segundo negócio ligado a livro ao seu portfólio, já tinha a Telecote Books na Califórnia. O livro vai depender de ações como essas para se fortalecer diante da crise de superficialidade do mundo.

Escute a entrevista de Jamil Chade na CBN

Revista CBN

Jornalista lança ‘O mundo não é plano’, com histórias e fotografias de pessoas que vivem na extrema pobreza em 40 países do mundo. Clique aqui

Uma fonte de consulta eterna e duas de checagem

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Há tempos namorava o Conversando é que a gente se entende, dicionário de expressões coloquiais brasileiras. Tipo do livro interessante mas de referência, para consulta em momentos específicos ou inusitados. Faltava uma desculpa, ela veio com os 25% de desconto em comemoração aos 25 anos da Livraria da Vila. Foi direto para minha seção de frases, dicionários e afins.

Os outros dois são por curiosidade intelectual, ainda não li nada de Truman Capote, esse Travessia de verão, se não é a principal obra, foi a primeira, publicada depois da morte, pelo trust responsável pela obra. Talvez seja interessante observar um grande nome começando. O Cabeça de papel comprei pela curiosidade de tentar descobrir porque Paulo Francis não conseguiu decolar como ficcionista, seu sonho.

A tradução do título já diz muito…

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Assisti Amor sem escalas. Pode ser por inveja, mas tenho certa tendência a não ir a filmes estrelados por George Clooney, assisto alguns no dvd, coisa que também faço pouco, simplesmente por achar que são histórias previsíveis, que não arriscam muito.

Amor sem escalas talvez tenha a ambição politicamente correta de se tornar referência para as mulheres poderem sonhar levar a vida dupla, geralmente um papel masculino. O bonitão finalmente sede ao coração e abandona sua solteirice, não foi duro o suficiente…

A tal metáfora da mochila com o que se carrega na vida, comentada por muitos, é de fato um projétil de autoajuda. Para muitos, não é necessário adicionar tanto, se faltou formação, ou se simplesmente se fizeram escolhas erradas, também não se anda. O que achei mais interessante é ser ver confrontado com a hipocrisia do mundinho de RH. Quem já demitiu ou foi demitido vai poder comparar sua performance. Por ter lido algumas críticas sérias, fui esperando mais, olhando para a imagem acima, divulgação do filme, não posso dizer que fui enganado.

O inferno está em todos nós, principalmente em fevereiro…

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Sim, a cena acima representa Simone de Beauvoir sendo consolada por uma estudante de letras no Recife, quando este país sonhava ser grande pela primeira vez. Isso aconteceu?

Não, só no teatro Jaraguá, na peça O inferno sou eu, escrita pela Juliana Rosenthal K., com quem trabalhei na Editora Campus, no período que tinha vendido a editora. Em cena Marisa Orth e Paula Weinfeld, direção de José Rubens Siqueira. Não conheço a fundo a história de Simone e Sartre, li e resenhei uma biografia do casal, mas não sei se Beauvoir deixava seu lado “mulherzinha” tão explícito. De toda forma, o exercício é interessante, encenado apenas aos finais de semana. É possível discutir escolhas pessoais, afetivas e profissionais. E aí, você pode escolher entre a original sartriana, os outros, a versão de Juliana, eu, ou a minha, nós, ainda mais nos dias que se tem feito em São Paulo, calor infernal, quase sempre seguido de chuva diluvial.

Antes de ir, lembre de seus sonhos aos na época da faculdade. Se ainda não chegou lá, projete. Ah, se não leu o Pondé na Ilustrada de ontem, faça-o, e depois você pode, sem desmerecer a Juliana, mas mantendo a hierarquia com Goethe, comparar Dorinha, Willhelm Meister e o jovem Werther…

Apoie um Brasil Literário!

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Recebi do Luiz Antonio Aguiar, autor reconhecido de literatura infanto-juvenil e cada vez mais também autor de obras importantes no mundo adulto, sem contar é claro com a contribuição sob o nome de outros, um ghost grandão, o Manifesto por um Brasil Literário. Vou reproduzir a carta original, clique na imagem acima e assine. O Luiz é um entusiasta e batalhador do mundo do livro e da necessidade de colocarmos nas nossas, mas isso apenas não basta, e dos ao redor, também é pouco, e na vida de um número mais amplo possível de pessoas, a Literatura e sua capacidade de nos fazer relacionar com o mundo de forma diferente. Participe:

Toda  gente:
 
Talvez você já tenha escutado falar, ou lido alguma  coisa, sobre o Manifesto por um Brasil Literário. Pois bem, para mim, é uma  das mais significativas novidades ocorridas no país, ultimamente, e algo que  ─ acredito bastante! ─ vale a pena apoiar.  
            É  isso que estou aqui lhe pedindo: para apoiar o Manifesto.  
            O  Manifesto por um Brasil Literário foi lançado pelo escritor Bartolomeu  Campos de Queirós, na Flip, do ano passado, com apoio de instituições como o  Instituto C&A, a Fundação Nacional do Livro infantil e Juvenil, a  Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, o  Centro de Cultura Luiz Freire, a Organização Casa Azul, o Instituto  Ecofuturo… entre outros.  
            O  Movimento ganhou espaço na imprensa, cresceu, e hoje agrega pessoas,  entidades, órgãos governamentais e instituições.
E já começa a definir  algumas ações.  
            Por  exemplo, está em elaboração uma grande campanha a ser veiculada na mídia,  promovendo a Literatura em uso, ao vivo e a cores, na vida das  pessoas. E a FLIP deste ano de 2010 vai ter, como uma de suas especiais  atrações, a Casa Brasil Literário, centro de reunião de público, autores,  pessoas do meio editorial e literário, e também de atividades.  
            O  que nós queremos é um Brasil Literário. O que vem a ser isso ao certo…  Bom, não temos nada certo, ainda, a não ser essa vontade de dizer às  pessoas  que a Literatura pode se tornar um dádiva na vida, que todos  os brasileiros têm direito à Literatura e que, no dia em que a Literatura  for absorvida como algo valioso ─ neste Brasil tão carente de esperança e  imaginação ─,  guardado no espírito (ou no coração) e alimentado em  nosso cotidiano, teremos também um país mais humanizado, sensível, generoso,  fértil, acolhedor e proveitoso para todos.  
            Enfim,  convido você a tomar parte da elaboração das definições, de que tanto  precisamos,  e de ações para promover a união feliz da Literatura com o  dia a dia dos brasileiros.
Tudo começa por assinar o Manifesto.
Para  isso, entre no site (
http://www.brasilliterario.org.br/)  e  deixe lá sua assinatura. E depois, aguarde contato.
Há muito que  você pode fazer para construirmos um Brasil Literário!  
 
 Um grande Abraço, Luiz Antonio 

Bem-vinda Nova Biblioteca de São Paulo

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A nova biblioteca de São Paulo (a foto é da Folha Imagem, Filipe Redondo) abre amanhã para o público, prometendo ser diferente dos ambientes escuros e onde o barulho mais frequente é o chiuuuuu para a devoção aos livros. Promete além de livros novos, sem maiores preconceitos, atividades lúdicas, até baile da terceira idade.

Lá, todos poderão retirar livros da Stephanie Meyer, isso deve ser influência do local… Para quem não entendeu a piadinha, a biblioteca fica onde era o Carandiru, e um pouco de torturas ficaram lá por aquelas bandas… Mas é melhor ler Crepúsculo que nada, é a velha teoria do vinho, o cara começa bebando alemão de garrafa azul, alguns chegam aos super toscanos…

Pretendo visitar em breve, antes ainda que o acervo esteja integrado no mundo digital. Tomara que outras bibliotecas como essa, projeto do Aflalo, Gasperini, surjam em parques do estado e de todo o Brasil. Quem sabe os meninos com pouco acesso ou então os operários a utilizem e aqueles que crescerem e migrarem para a política não tenham tanta distância do livro como o Lula.

Norma Benguell: não impressiona mais pela beleza, mas pela dignidade

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Tem uma entrevista com Norma Benguell na Ilustrada de hoje, vale conferir. É difícil ver quem já teve uma estampa com a de Norma assumir a idade como assumiu.

Deu sua versão sobre o imbróglio do filme O Guarani e parece encarar as questões de peito e discutir sem nenhuma vergonha sua necessidade de trabalhar, tirando até um pouco de sarro do branco que teve em passado recente. Leia!

A democracia e Luiz Carlos Barreto

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O produtor Luiz Carlos Barreto escreveu artigo na Folha de S. Paulo de hoje defendendo o seu filme, na verdade, criticando quem o criticou. Tomou a posição de vítima e criou uma defesa arquitetada, ideológica.

Não assisti, acho que vou assistir em DVD, mas se quisesse de fato arcar com a verdade, Barreto deveria assumir que foi sim uma ação de marketing, um oportunismo comercial e uma vontade de se aproximar do poder. Se não, contaria uma história bonita sem omitir os poucos defeitos que deve ver em Lula, alguns minimizados pelo potencial imaginado de ser tão popular quanto o bolsa família. Sim, ele tem o direito de fazer o filme que quiser, como eu de lançar o livro que quiser, mas nem eu, nem ele podemos separar que temos sim a condição de criar ou reforçar mitos. Barreto precisa assumir que tentou isso, e negar da forma que negou, é quase reforçar que o fez para não depender nunca mais de financiamento público…

Eu não gosto da Beyoncé mas gosto do meu filho…

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Dentre as supostas 60 mil pessoas que estavam ontem no Morumbi, apesar de cheio, vi muitos lugares vazios nas numeradas e na pista, estava eu. Até ontem não era capaz de citar nenhuma música desta que vi na mídia esta semana, ganhou muitos Grammys, hoje continuo não sendo capaz de cantar nenhuma delas, apesar de ter reconhecido alguns poucos pares. Sei que a culpa não é dela, é minha, meus ouvidos já estão um pouco velhinhos, ainda preferem as sutilezas de Antonio Carlos Jobim.

Mas a abertura era da Ivete Sangalo, alguém que apesar de não ter mudado o jeito de cantar, ao comprar uma máquina de ultrassom pessoal durante a gravidez, perdeu pontos comigo. Infelizmente o show foi curtíssimo e não deixaram Ivete utilizar a infra do local. Daí, até a tal diva americana entrar no palco, quase 2 horas, há mais de vinte anos que não suporto isso, mas, parafraseando Gelol, não basta ser pai, tem que participar.

Meu lugar era na arquibancada, para mim 70 reais era o máximo, cheguamos no show da Ivete e ficamos na entrada, em pé. Sentei um pouco e esperei. Saímos um pouco antes, e confesso, preconceito e velhice à parte, não ter percebido nada excepcional, bem montado é claro, mas nada muito além da tentativa de explorar as pernas e os cabelos esvoaçantes.

O que me chocou mesmo foi ela cantar Ave-Maria sem o Agnaldo Rayol. Fica a sugestão para as apresentações do Rio de Janeiro e Salvador. Formariam uma dupla contrastante, mas quase perfeita.

Meu filho agora que continuar minha educação e levar à tal Lady Gaga…

Hirst, o Mefisto de Fausto…

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Ninguém chama-se Fausto impunemente… Se seus pais não conheciam a fábula alemã que entre outros inspirou Goethe, mesmo assim você carregará no nome o desafio de não se aliar ao diabo pela desilusão com o conhecimento.

Não tenho nada contra o trabalho do juiz Fausto de Sanctis, algumas vezes parece midiático em excesso, mas tem contribuído com a moralização do país. A questão é que para sobreviver aos ataques do calibre de quem cutuca, parece precisar montar um personagem acima de quem é. Pelo menos é essa a sensação de que dá na matéria da Folha de S. Paulo de hoje sobre o mercado de artes. A matéria fala sobre as exposições das coleções apreendidas de Edemar Cid Ferreira, Naji Nahas e Juan Carlos Abadía no MAC e da questão da possível lavagem de dinheiro no mundo da arte.

O juiz ao explicar que, apesar de gostar, entendia pouco de arte quando se deparou com essas coleções, iniciou imediatamente estudos para se aprofundar. Agora, tem Damien Hirst entre seus preferidos. Fala sério? Qualquer pessoa é capaz de pegar os preços alcançados pelo inglês e elevá-lo, pelo critério equivocado, ao posto superior da arte mundial. Ou seja, o Fausto juiz fez o mesmo acordo que o Fausto médico, vendeu sua alma para Mefisto…

Arte: clausura e intercâmbio

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No final de semana fizemos um programa familiar apesar dos protestos do filho adolescente, ir de metrô até a estação São Bento e visitar a exposição Arte e Espiritualidade, dos artistas Marco Gianotti, José Spaniol e Carlos Eduardo Uchôa, este último um artista-monge, ou um monge-artista, mais para esta segunda opção.

Nunca tinha entrada no mosteiro que geralmente não é aberto ao público, apesar da exposição acontecer mesmo nas dependências do colégio, mas marketing também acontece na igreja, se é que não foi lá que começou.

Dos três, gostei mais do trabalho do Gianotti, colocando mais elementos numa obra onde antes trabalhava apenas com cores e talvez ângulos. O Spaniol cutucou um pouco a instituição com algumas ”flechas” e não cai de amores pelas pinceladas do Uchôa. Quando meu filho me perguntou o que era o portão abaixo da plaqueta Clausura, montei essa minha “teoria”: a arte precisa conviver, estar aberta a troca. Uchoa pode ter mais tempo para reflexão, mas a clausura prejudica suas pinceladas, não as dele, a de todos que viverem com tantas restrições.

No meio do caminho é inevitável não ter que fugir de alguns monges puxando conversa e perguntando se você identificou a imagem de cristo em algumas delas. Mas mesmo assim, vale o passeio. Não fica por muito tempo.