Deve ser a parte mais fraca da trilogia biográfica de Coetzee
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Acabei a leitura de Infância, primeiro livro da trilogia “biográfica” do escritor Coetzee. Me resta agora Juventude, Verão li há pouco e fiquei com a sensação de ter gostado mais do que este.
É claro que são profundas as dúvidas do garoto perdido entre as culturas, não quer ser africânder, parece temer ter que conviver com os locais e encontra dificuldade de se posicionar numa África do Sul marcada pelos contrastes. Também não sabe como se colocar em relação a mãe e ao pai, prefere a mãe, tem com o pai uma relação complexa, mas não entende a mãe e a relação dela com o pai, demonstra em alguns pontos o nojo e o incômodo. Bom aluno, vê as coisas mudarem quando vai para a Cidade do Cabo, mistura interior, vida rural com a vida urbana.
É um homem fadado a ser frio, não teve relações carinhosas na formação. O que disso foi verdade? Só o próprio e seus próximos sabem. Se for verdade, é exposição profunda, se for criação, desnecessária, não para o leitor, sim para os familiares.
Tive uma discussão sobre empresas familiares e usei a seguinte frase como algo verdadeiro que acontece com famílias: “O pai gosta do Partido Unido, gosta de críquete e de rúgbi, porém ele não gosta do pai. Não entende essa contradição, mas também não tem vontade de entendê-la. Mesmo antes de conhecer o pai, isto é, antes que ele voltasse da guerra, já tinha decidido que não iria gostar dele. Em certo sentido, portanto, a antipatia é abstrata: ele não quer ter um pai, ou pelo menos não quer um pai que more na mesma casa.
O que mais detesta no pai são seus hábitos. E os detesta tanto que só de pensar estremece de repulsa: o ruído forte ao assoar o nariz no banheiro de manhã, o odor quente de sabonete Lifebuoy que deixa para trás, junto com um círculo de espuma e barba cortada na pia. Sobretudo odeia o cheiro do pai.”




