Blog da Editora Virgília - Sobre Livros e Cultura

O amadurecimento sufoca a vingança?

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Comecei de forma tímida e fui engrenando, engrenando, engrenando. Sándor Márai conseguiu em As brasas, discutir infidelidade de uma forma pouco usual, adulta. Faz pensar, refletir ao utilizar o tempo, muito tempo, para questionar o que de fato é importante. No triângulo formado pelo amigo, um artista se esforçando para ser militar como seu principal protagonista, explora as relações de amizade, de coragem. Usa o silêncio dos personagens para falar, falar muito.

Além de ter gostado muito do livro, tenho como meta aprofundar no autor, passei a respeitar um ser humano que tem a coragem de se suicidar aos 89 anos, depois de ter vivido as paisagens e mudanças que viveu. Uma definição importante para um húngaro que fugiu em busca de liberdade e democracia, foi que a pátria é a língua, tal como canta Caetano Veloso.

O tema tem muito a ver com o livro que estou escrevendo e vai sim influenciar minha última leitura e varredura no texto.

Outra questão bem demarcada são as diferenças entre estilos de vida e de classes, barreiras que existem e são ou não ultrapassadas dependendo da forma que se escolhe olhar para isso na vida… O tempo se mostra como o mais sábio filtro entre o que importa e o que é apenas um jorro de impulsos. O livro está na nona reimpressão.

Frankfurt 3o. dia: hoje tentei vender e não comprar!

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Hoje experimentei um dia de Arthur Miller, na verdade de um personagem de Miller. Não lembro tanto de A morte do caixeiro viajante, mas estou seguro que não era positivo ao sonho americano e nem uma sucessão de acertos do personagem principal.

Hoje tentei vender um livro de um autor brasileiro em Frankfurt. Por mais que leia notas otimistas sobre a excitação dos estrangeiros com o Brasil, ainda acho que o que de fato querem é nos vender seus livros e autores. Fiz várias reuniões e obtive algumas posições de vamos ver, sim, os editores não vem para cá, aqui estão as pessoas de direitos autorais, doidas para te vender um livro, qualquer livro. Os agentes também preferem o lado onde o fluxo é maior. O meu autor era de publicidade, alguns abertamente não trabalham com esse segmento, lembra, os agentes são a parte mais charmosa do mercado, alguns a parte mais “intelectualizada” se é que isso existe no mercado editorial, então publicidade não é algo assim facilmente aceitável. Mas a mesma pessoa que não trabalha com publicidade tenta te vender um texto não muito diferente do que a publicidade faz, incoerências humanas…

Sigo meu desafio, aqui plantei, cobro por email, o lançamento do livro na Espanha deve ajudar as vendas internacionais. Eu terei que como o livro, Fazer acontecer.

De resto visitas a estandes menos óbvios, nunca sei se é produtivo, mas o mercado editorial é isso, muitas vezes uma pescaria em mares menos óbvios. Mas aviso aos meus autores que li e concordo bastante com as posições de Douglas Rushkoff, a melhor parte do TOC Frankfurt 2010, o mercado precisa ser reinventado. Se quiser saber um pouco mais sobre como esse autor consagrado e dissidente vê o mercado editorial, clique na capa do seu novo livro abaixo, publicado por uma editora pequena e com venda exclusiva através do site dela, há o link para uma bela entrevista com ele na revista digital Arthur.

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Frankfurt: 2o. dia

Achei a feira hoje mais cheia, tão cansativa quanto, reuniões menos interessantes, ainda tenho mais um dia mas o corpo já reclama e lembro do Murakami em vários momentos, que aliás está tendo um ótimo destaque no pavilhão alemão, seu novo livro por aqui, bem grandinho, saiu no capricho, capa prateada e eu não tenho treinado. A maratona se aproxima e o trabalho tem consumido meu corpo, aliás, não tenho nem treinado, nem corrigido meu livro, assim o japonês só vai aumentar a diferença.

No final da noite um ótimo jantar no Alter Opera, pensei que seria uma festa, mas foi um jantar privado, oferecido por uma editora inglesa, bom o suficiente para me restabelecer, hoje não estava fácil, amanhã tem mais, apresentarei o Joaquim Nabuco para este site e para o mundo…

Não foi presidente, mas ganhou o Nobel…

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Nem todo mundo consegue ser presidente da república e ganhar um prêmio Nobel. Barack Obama conseguiu, um deles injustamente, o Nobel, na minha opinião uma escolha mais política do que o necessário, mesmo porque seu país até agora promoveu pouca paz no mundo. Mas um perdedor como presidente, algo que acredito tenha salvo sua biografia, e que agora foi escolhido para o prêmio Nobel é o peruano Mario Vargas Llosa. O prêmio de Literatura acrescenta mais do que o da paz, digo isso sem nenhum instinto bélico, nem medo de estar falando a besteira. Se tivesse que escolher para viver e conversar, escolheria os de literatura.

Como leitor confesso que desde o J. M. Coetzee não ficava tão feliz com uma escolha. Torço sempre por Philip Roth e quase sempre me frustro com as escolhas da academia. Senti novamente por Roth, mas fico muito feliz por Llosa, um excelente escritor. Agora, falando de coisas pequenas, na antiga disputa dele com o outro latino contemporâneo, Gabriel Garcia Marques, não lembro quem roubou de quem, quem bateu em quem, o equilíbrio está restabelecido, mas eu prefiro Llosa, um prêmio aos meus olhos justo e digno. Llosa é daqueles de quem vale a pena ter todos os livros na biblioteca.

Mais uma feira de Frankfurt

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Insisto na teoria que editor que é editor tem que vir a Frankfurt. A feira perde visitantes, não vejo mais filas para pegar os ônibus internos, não há pessoas se acotovelando na hora de comer as frankfurters e nem a necessidade de deixar o depósito dos copos, mas ainda assim é onde a comunidade do livro se manifesta, nem que seja a teórica comunidade do e-book, sim ela existe, há aqui um grande estande onde vários dos hardwares se encontram disponíveis, a enorme maioria com painel em chinês ou outra língua parecida…

Mas Frankfurt é onde se pode ver a parte nobre do mercado editorial, os agentes literários, se não a nobre, pelo menos a mais charmosa… São no fundo vendedores, mas a grande maioria consegue disfarçar bem, afinal vendem produtos dos mais interessantes, é claro que todos têm aquele livro que não sabem, aquele que não gostam, mas sempre há também aquele que adoraram, aquele de quem gostam do autor, do editor, é enfim uma atividade de pessoas para pessoas e muita contação de história.

Estou em busca de novos títulos para 2011, ano onde a editora acelerará bastante, seja no papel, para contentar o meu lado leitor, seja no digital, para contentar o meu lado empresário. Tenho visto coisas interessantes, espero adotar a estratégia adequada para pagar o preço correto, há sempre o concorrente do momento disposto a mostrar poder e inflacionar o mercado.

Hoje andei alguns kms, um vai e vem grande, amanhã e depois tem mais. Amanhã passo visitar os hermanos argentinos e ver o que fizeram com a escolha de convidados de honra.

TOC parte II, melhorou mas não redimiu…

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As últimas sessões do Toc foram um tanto melhores, a tal da Ignite, onde cada um dos 8 apresentadores tem alguns segundos, se não me engano, 15, por slide para falar do que faz, pelo menos é rápido, em alguns casos, até demais, mas dá uma visão mais geral e prática de alternativas digitais interessantes. O cara que falou quase nada de Metadados, Nick Ruffilo, tentou vender seu peixe de aluguel de livros digitais…

A palestra final foi interessante, um tanto americanizada demais, sabe como? Não? Nunca viu um americano fazendo show? Isso mesmo, tudo ensaiado, mas é constrangedor ver alguém de mais de 60 anos pedindo, implorando perguntas para a platéia, Jeff Jarvis, fez. Mas seus alertas para características do novo ambiente foram válidos e úteis. Para ele, editores são e devem ser responsáveis pela criação de público, essa é a tarefa, e aí que se agrega valor. E a criação de público não é mais um ato brilhante ou isolado, é algo que será construído com esse próprio público.

Como já havia falado o mais lúcido dos palestrantes, Douglas Rushkoff, esse não é um negócio para quem procura grandes números, é um negócio para apaixonados e amantes das palavras e dos livros, um negócio charmoso, um Woody Allen dentro do universo do entretenimento, uma boa imagem.

Seu Nenê não entra mais na avenida, infelizmente, mas de lá nunca sairá!

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Morreu Seu Nenê da Vila Matilde, o homem que virou escola de samba. É dele um belo depoimento sobre criatividade no livro da Virgília, Jeito brasileiro.

Toc 2010: tools for what???

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Vim animado para minha segunda vez no seminário sobre livros digitais em Frankfurt. Achei que iria encontrar um evento maior, encontrei um menor, espaço menor, estrutura pior. Já passei da metade do evento e estou me perguntando se eles, com esse tipo de palestra, queriam tirar os últimos litros de leite dessa vaca ou ainda sonham em fazer algo para o futuro?

Não é possível, será que escolhi as optativas tão errado assim? Agora vim ouvir sobre Metadata e o cara que tinha uma hora, falou por 30 minutos e daí ficou tentando tirar perguntas da platéia, constrangedor…

Pela manhã houve a palestra do Pablo Arrieta, um colombiano fã do Steve Jobs, mas não entendi o contexto, por que ela aqui? Para mostrar que na Colômbia e outros países da América Latina já temos acesso a iPads e outros gadgets? Para protestar contra o desprezo da Apple para a região? Queria alguém que chacoalhasse meu teórico comodismo com o conhecido, com o mundo na forma como fui educado e formado, analógico. Tools é algo prático, assim deveria ser o workshop, cheio de exemplos, de sugestões, números. O pessoal da O’Reilly deve estar muito ocupado vendendo seus livros eletrônicos. Chegar aqui, mostrar os números de crescimento desse tipo de entrega e daí apresentar esse nível de palestra e palestrante é frustrante, me parece total incompatibilidade com a expectativa dos presentes. Só me restam três alternativas para mudar a opinião geral do evento. Esses terão que ser muito bons para compensar!

Bauhaus: arquivos e reflexões

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Sou um fã intuitivo da Bauhaus. Quando tive experiência no mercado de móveis utilizei-os como fonte de inspiração, esteticamente sempre me pareceu uma corrente a qual eu gostaria de ter pertencido. Alguns de seus professores reafirmaram sua importância depois da extinção da escola.

Fui visitar o Bauhaus Archive em Berlim, só falta mesmo visitar o espaço que a escola ocupou em Dessau, já estive em Weimar, berço e agora em Berlim, túmulo. Nos dois extremos um arquivo bem menor do que se poderia imaginar. Em Berlim está sendo construído um novo prédio, apenas 35% do acervo está exposto, mas a visita é frustrante. Visita frustrante leva pelo menos a reflexões mais profundas: a função de fato sobrepõe a forma?

Walter Gropius, fundador da escola, esteve a meu ver, apesar da distância ideológica, o mais próximo possível da oportunidade de fazer a função cobrir a forma. Para o humano isso não é tão garantido… A função sempre é algo que, para mim, muitas vezes ultrapassa os limites humanos, desejosos de um tanto de besteira, de falta de objetividade. O nazismo foi para mim uma tentativa de robotizar e eliminar esse lado “feio” do homem. Se Gropius e seus colegas, contemporâneos do louco de Hitler, também o assustaram, acho que não encontrariam conforto em nenhuma sociedade…

Gropius, devemos sim buscar a função, mas é humano se encantar com a forma…

Não é que correr e escrever são duas coisas complementares…

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Para quem se prepara para correr a maratona de Nova York e pensa em publicar o seu primeiro livro de ficção, ler Haruki Murakami é obrigatório (Do que eu falo quando eu falo de corrida). Dei prioridade a ele no vôo de vinda, mesmo porque terminá-lo era possível, Ana Kariênina, não…

Nunca li nenhuma ficção de Murakami, não concordo nem um pouco com o endosso da Time Out: arrebatador (…) uma joia magnífica e surpreendente. Mas é um livro que deve ser lido por corredores e por candidatos a artistas que ainda alimentam um ideal romântico e desestabilizado de vida. Murakami traça um belo paralelo entre a disciplina para correr e produzir, o esforço necessário, a repetição física, a concentração mental.

Ao final da leitura, ainda longe de correr os 350 km por mês, ele correu pelo menos uma maratona nos últimos 25 anos e no final também se dedicou ao triatlo, mas perto de fazer a primeira em Nova York, já meio distante de uma meta pessoal de correr abaixo de 4 horas, descubro que também não escrevo todo dia, e como já intuia, esse processo dificulta bastante o resultado final. Ele vendeu o bar e resolveu apenas escrever, compatibilizou a corrida para complementar a concentração e disciplina, eu descobri antes a corrida, também como forma de disciplina. A conclusão maior do livro é a dor é inevitável, o sofrimento opcional, cada um escolhe o que fazer com as dores da vida, se pára ou continua. Nisso a corrida é um ótimo exercício, ele corre ouvindo música, eu apenas minha própria voz.

Daimler Collection: não é tão fácil de achar…

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Se você decidir ir visitar a Daimler Collection prepare-se. Não fique procurando um prédio compatível com a suposta imagem da “firma” que lhe empresta o nome. Eles investem em carro, não em arte, pelo menos foi essa a impressão que tive. Não consegui ver nada do acervo, depois de muito procurar numa ruazinha, fica no 4o. andar de um prédio sem nenhuma indicação, pudemos ver uma coletiva de artistas da África do Sul, pouco empolgante.

New National Gallery: gostei mais do prédio do que da coleção!

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Quem já sentou numa poltrona Barcelona precisa conhecer o prédio da New National Gallery em Berlim. Um belo exemplo do trabalho de Mies Van Der Rohe, segundo ele, a função é mais importante do que a forma, sei não se praticava em todos os momentos, mas passear pela coleção do início do século XX é algo muito prazeroso pelas possibilidades arquitetônicas que o prédio oferece.

A coleção fica no andar de baixo, “subterrâneo”, no térreo as temporárias. Gosto bastante do trabalho de Max Lieberman, a coleção tem umas 5 peças, mas nenhuma tão empolgante, ainda prefiro a Sansão e Dalila que está em Frankfurt. Mas insisto, vale a visita.

Muro de Berlim: Há 20 anos a Alemanha se integrava, integrou-se?

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O entusiasmo ao celebrar os 20 anos da unificação da Alemanha, a queda do Muro de Berlim, quem tem de 40 ou mais lembra do quão mítico era a junção daqueles tijolos,  foi pautado pelo sangue quente dos alemães… Eu fiz a minha parte, corri uns 18 kms pela cidade de manhã e nada vi. A tarde fui visitar alguns museus e continuei sem nada ver.

O que li por aqui é que o muro caiu, restam algumas partes, suporte para grafiteiros, mas ele ainda continua. Reclamações de que a unificação foi supostamente a junção de tudo de bom que veio da parte oeste com tudo de ruim que veio da parte leste, assim fica complexo. Não conhecia Berlim, uma cidade das mais interessantes, mas as questões continuam pendentes. Essa é uma capacidade humana, criar barreiras, físicas ou imaginárias. Corri pelos dois lados, os portões de Brandemburgo estavam cercados por faixas da Coca-Cola, melhor do que por exércitos e em disputa militar e política…

Livro bacana para crianças

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Quem estiver perto da Vila Madalena e tem filho pequeno deve ir. Quem está longe, também pode ir. A Tatiana Filinto lança amanhã (dia 2/10, tarde) na Vila da Fradique Coutinho o seu livro A menor ilha do mundo, as ilustrações são da Graziella Mattar. Ainda não li, vou comprar para minha filhota mas me parece bem bacana, vai ter atividade, aliás, algo frequente e quase um diferencial das lojas da Vila.

Deu para tirar um pouco do atraso!

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Semana passada, logo que cheguei da Espanha tive que tirar o atraso numa livraria brasileira. Ainda não contabilizei as entradas espanholas, algumas porque são de trabalho e não posso alimentar a concorrência…

Aqui comprei o livro do Murakami para me entreter enquanto treino para a maratona de NY no dia 7/11, eis alguém que corre mais e escreve mais do que eu, Do que falo quando falo de corrida; o Linguagem de sinais, novo livro de contos do Luiz Schwarcz, gostei do primeiro e As brasas, livro de Sandor Marai que uma amiga recomendou que eu lesse antes de finalizar o meu livro.

Toda a unanimidade é burra, ou interesseira…

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Não tenho sido o melhor cinéfilo neste ano, o que é sempre uma pena, não aderi aos filmes em vídeo, ou dvd, ou sei lá como chama a atual tecnologia, mesmo indo pouco ao cinema, ainda assisto mais filme nessa mídia do que em outras. Dos concorrentes brasileiros à indicação para Oscar de melhor filme estrangeiro acredito que não assisti nenhum, nem mesmo o indicado, o filme do Fábio Barreto que não aconteceu no Brasil, mesmo com toda a popularidade do presidente.

Mas o que me chamou a atenção foi o fato do filme ter recebido os 9 votos dos jurados, deles só me lembro mesmo do León Cakoff, de quem admiro a empreitada da Mostra Internacional de São Paulo, ou seja, por unanimidade, um filme por todos classificado de forma sempre desconfiada. Estranho? Interesses? Previsão de verbas futuras? Sei lá. Mas há na Veja uma notinha reclamando do apoio da Vale ao novo filme do Jabor, tido teoricamente como “tucano” e aumentando a indisposição do presidente “quase-muito longe estadista” e o CEO da firma. É, Roger Agnelli não depende de verbas públicas para seus projetos, talvez dependa do mesmo aval para manter a posição, mas o cinema brasileiro continua atrelado ao estado, aliás, como vários outros quando não se encaixa no modelo Hollywood de ser.

Olha onde os livros chegaram…

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Há tempos os livros não eram tão falados. Toda a disputa Kindle, iPad e outros tablets. Fim do papel, só digital e outras questões. Agora eles também parecem úteis ao The Wall Street Journal. Na tentativa de ganhar leitores dos jornais tradicionais o jornal econômico investe em uma versão de final de semana, sou fã da do concorrente Financial Times, que terá um esperado e comentado suplemente de livros, o Books.

Eis a magia deste velho produto, ainda utilizado como formação de imagem, porque fica mais difícil de acreditar que os bitolados de Wall Street querem mesmo saber como anda o mundo da cultura…

A festa merecia ser mais bacana…

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Li Em alguma parte alguma, o novo livro do festejado, fez 80 anos, Ferreira Gullar. Gullar parece ter atingido um estágio elevado de celebridade intelectual, alguém que se ouve para saber as opiniões gerais, sobre vários assuntos. E Ferreira Gullar as têm para dar.

O livro não me parece o topo de sua produção, mas é gostoso ver que nos 80 ainda é completamente possível produzir coisas sérias, ter um exercício de lucidez.

Só quem parece não ter percebido que se tratava de uma celebração foi sua editora. O projeto gráfico é sofrível, o senso estético do livro ficou devendo para as margens apertas, a transparência. Ferreira Gullar merecia algo mais elaborado, sua obra merece edições mais bem tratadas. Acorda Record!